sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Herança maldita

A Bíblia em um ano
Isaías 62-64
1Timóteo 1


“Nós pecamos como os nossos pais, cometemos a iniqüidade, andamos perversamente. Nossos pais não entenderam as Tuas maravilhas no Egito; não se lembraram da multidão das Tuas misericórdias; antes O provocaram no mar, sim no Mar Vermelho.”
Salmos 106.6-7


Quando paramos para verificar o que o pecado tem feito conosco, ficamos impressionados!

Desde nos reduzir a seres completamente desmerecedores até mesmo da atenção do Deus Santo e Bondoso que outrora mantinha uma comunhão íntima conosco, até mesmo a cegar o nosso entendimento, a ponto de nos tornar os mais volúveis e influenciáveis de todos os seres da terra. Foi isso o que o pecado fez (e ainda faz) conosco.

E essa herança de descrença e descaso para com Deus nos foi transmitida desde nossos pais. Não é difícil imaginar um motivo aparente para que nos esqueçamos das tantas bênçãos de Deus e das tantas Histórias reais da manifestação de Sua glória quando nos vemos diante de adversidades. O que tanto pregamos sobre os púlpitos e em que declaramos acreditar, diante de situações difíceis, de repente, passa a não ter significado algum.

Está no nosso sangue. Foi assim com os primeiros habitantes da terra depois de Adão. Foi assim no decorrer dos anos enquanto as raças se espalhavam e povoavam o mundo. Continua sendo assim hoje. É uma herança da qual precisamos urgentemente nos desfazer.

Diante do Mar Vermelho, uma multidão murmurava. Se esqueceu do senhorio de Deus revelado através das tantas pragas, os sinais que o Senhor enviou para mostrar àquele povo que o Rei de todo Universo era com eles. Enfrentou o homem mais forte que havia no mundo naquela época. Afrontou ao próprio deus dos homens para revelar o Seu amor, os Seus cuidados e o Seu poder. Para demonstrar Sua real intenção de libertação e transformação àquela triste realidade de um povo cativo mas tão amado pelo Criador, embora toda a tristeza que já Lhe tivessem causado por causa do pecado.

Mas mesmo já tendo contemplado a glória de Deus, diante daquela situação aparentemente impossível, aqueles mesmos homens pareciam ter se esquecido de quem os havia tirado do Egito. E entre toda aquela multidão cercada por um mar à sua frente, montanhas aos redores e um exército furioso lhe perseguindo por trás, apenas um se lembrou das grandezas das obras do Senhor e, em vez de murmurar, orou a Deus e buscou nEle a saída.

Em Tiago 5.16, a Bíblia nos garante que “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.”. E os versos seguintes do capítulo 106 de Salmos (que é a base para essa reflexão de hoje), nos revelam que:

“Não obstante, Ele [Deus] os salvou por amor do Seu nome, para fazer conhecido o Seu poder. Repreendeu, também o Mar Vermelho, e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos como pelo deserto. E os livrou da mão daquele que os odiava, e os remiu da mão do inimigo. E as águas cobriram os seus adversários; nenhum só deles ficou.” (Salmos 106.8-11). Frutos da oração de um justo!

Há tantos de nós que professam uma fé em Deus hoje mas que não conseguem sustentá-la diante das dificuldades! Herdamos isso dos nossos antepassados. Como vimos, desde o passado era assim: multidões seguiam a Deus, mas poucas pessoas no meio delas podiam ver as adversidades à frente continuar se lembrando que Deus é Deus na alegria ou na dor, na bonança ou no infortúnio.

Não precisamos, porém, seguir essa regra.

Josué e Calebe foram as únicas exceções. Eles preferiram confiar no mesmo Deus de Moisés e obedecer, ainda que tudo parecesse contrário a eles. Não quiseram depositar sua fé em outros seres, como os seus pais que “fizeram um bezerro em Horebe e adoraram a imagem fundida. E converteram a Sua glória [de Deus] na imagem de um boi que come erva” (Salmos 106.19-20). Mas perseveram em esperar pelas novas manifestações da glória do Deus Soberano, que Se dizia e Se demonstrava sempre fiel e cuidadoso para com aquele povo, ainda que ele não merecesse.

Além disso, novamente, após todo o extraordinário evento do Mar Vermelho, o povo de Deus novamente se viu diante de dificuldades. Mas havia duas pessoas além de Moisés que preferiam dar crédito à Palavra do Deus Vivo e confiar em Seu poder.

Josué e Calebe eram jovens ainda quando Moisés e o povo de Israel chegaram ao limite da terra prometida. O povo de Deus tinha sonhado e sonhado com a terra da liberdade. Agora, finalmente, chegaram à fronteira (pela misericórdia de Deus), era só entrar e conquistar a terra. Mas, por inspiração divina, Moisés escolheu doze jovens e os mandou para espiar a terra. Dois deles eram Josué e Calebe. Os espiões viram uma terra maravilhosa e extraordinária que manava leite, mel e produzia frutos enormes. Era a terra dos sonhos, a terra que eles tinham esperado e que agora tinham alcançado.

Apesar disto, dez espiões chegaram tristes e derrotados, com um relatório pessimista. Veja o que diz o texto bíblico em Números 13:32 e 33: "E, diante dos filhos de Israel, infamaram a terra, que haviam espiado, dizendo: A terra, pelo meio da qual passamos a espiar, é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes (os filhos de Enaque são descendentes de gigantes), e éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos, e assim também o éramos aos seus olhos."

Aos murmuradores, Deus não permitiu entrar na terra de Canaã. E outra vez nos enquadramos a essa realidade: por vezes nos encontramos tão próximos da grande e almejada bênção, mas nossos medos e incertezas nos levam a murmurar... e a perdemos!

Como discípulos de uma geração de pessoas fiéis a Deus em momentos de paz ou de adversidade, Josué e Calebe não quiseram agir como seus pais. Contrariando a vontade de toda a nação israelita que já programava uns com os outros: “Constituamos um líder, e voltemos ao Egito” (Números 14.4), esses dois jovens tementes a Deus e confiantes, disseram a Moisés: "Moisés, a terra é maravilhosa, tudo é verdade, como Deus prometeu, e o que estes rapazes dizem, também é verdade, há gigantes, gente muito maior do que nós. A terra é difícil de ser conquistada, mas nós podemos conquistá-la. Entremos em nome de Deus!"

E o que foi deferido pelo Senhor Deus foi: “Não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, porei nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes. Porém,quanto a vós, os vossos cadáveres cairão neste deserto.” (Números 14.30-32).

Foram os únicos que entraram na terra prometida, porque confiaram o poder a Deus e não quiseram viver como a multidão, frustrada constantemente por não confiar em Deus! Pelo que devemos reter sempre em nossas mentes que os verdadeiros filhos de Deus devem ter a determinação de crer e tomar decisões radicais, contrariando as opiniões e até o impossível, em favor de Deus.