quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Rei manda chamar!

A Bíblia em um ano
Isaías 40-42
Colossenses 4




“Então, Mefibosete, que era aleijado dos pés, foi morar em Jerusalém, pois passou a comer sempre à mesa do rei.”
2Samuel 9.13



Quando Mefibosete, filho de Jônatas, caiu e tornou-se aleijado aos cinco anos de idade, ele não estava nas mãos de seu pai. Estava no colo de sua ama, que fugia com ele por medo que tivesse o mesmo fim do pai e do avô (2Samuel 4.1-4).

Às vezes, a vida nos trata assim. Nos deixa cair enquanto procuramos refúgio direcionados pelos outros ou por nossa própria imaginação. Às vezes somos apenas crianças indefesas em nossas almas, necessitando urgente de um lugar onde sejamos bem acolhidos.

Até que a queda de quem nos leva para lá aleija os nossos pés. Os sonhos que nos impulsionaram outrora se frustram, e nós ficamos muito machucados com isso. Os conselhos de pessoas que para nós pareciam infalíveis, falham, e nós começamos a mancar. As promessas dos líderes, dos governos, enfim, de alguém de tenha algum poder, simplesmente se perdem no tempo. E nós somos obrigados a continuar a caminhada coxeando.

Mefibosete foi alguém que viveu sob os cuidados de outra pessoa e sofreu drásticas consequências. As circunstâncias da vida não conseguiram cuidar dele adequadamente. O mundo não conseguiu cuidar dele adequadamente. Assim como nem um e nem outro consegue fazer o mesmo conosco.

E cresceu reprimido, em pleno anonimato. Nada se sabe de Mefibosete desde que tornou-se coxo até que tornou-se residente na casa do rei Davi, a não ser que teve uma filha ainda jovem, a Mica (2Samuel 9.12).

Contudo, o rei nunca deixou de se preocupar com a aliança que fez com Jônatas (18.14-17,42). E no momento oportuno, mandou Ziba à procura de Mefibosete, para trazê-lo à sua casa, dar-lhe uma herança e um lugar de honra (2Samuel 9).

Se o homem agiu assim, quanto mais Deus tem um carinho todo especial por aquelas pessoas que podem ser chamadas “Mefibosetes da vida”. São pessoas que têm sido produto do descaso das autoridades, da irresponsabilidade dos governos, do egoísmo e da ambição maligna do próximo. Pessoas que vivem debaixo dos viadutos, nas marquises dos edifícios, próximos às fontes das praças. São pessoas que são exploradas, que são espancadas, que são violentadas. Pessoas que perambulam anônimas nas ruas em meio às multidões. Pessoas que deixaram de sonhar, que dormem com a violência, fechadas para as emoções.

São pessoas que se vendem, que se prostituem, que agonizam esquecidas em leitos de hospital ou solitárias concentram todas as suas forças para defender cada palmo do seu espaço dentro de uma cela úmida e precária.

São também pessoas que sobem morros e cruzam imensas favelas para chegarem às suas casas. Que convivem com ratos, com esgoto a céu aberto, com miséria. São pessoas que matam um leão por dia para sobreviver e perdem todo o pouco que conseguem acumular numa vida inteira, quando enfrentam enchentes, terremotos, furações.

São, ainda, pessoas isoladas em asilos, ou deixadas aos montes em orfanatos, em abrigos, em casas de recuperação. São pessoas que praticamente não têm esperanças acerca do futuro, que tiveram os pés que sustentavam [ou poderiam sustentar] seus projetos, quebrados.

E são também pessoas como eu e como você, que pode não ter passado por nenhuma situação mencionada acima, mas vivem momentos de intensa angústia, cuja dor na alma excede o que a medicina tem poder para curar.

São pessoas que vivem anônimas, sendo transformadas a cada dia, servindo a um Deus que pode ser visto de qualquer direção, desde que o homem busque-O com todo o seu coração. São pessoas que escolheram a cruz e pagam o preço da santidade, renunciando suas próprias vontades para viver a vida do próprio Deus.

Enfim, os “Mefibosetes da vida” estão em todas as partes. Pode ser qualquer um de nós que, por algum motivo, teve seus pés espirituais aleijados enquanto era levado por outra pessoa, por um ídolo, por suas preocupações, pelas terríveis circunstâncias, por outro deus.

Seja quem for, o rei manda chamar. E se nós prontamente atendermos, também seremos feitos Seus filhos, e honrosamente nos assentaremos à mesa do Rei por longos dias.