quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Além do Trono

A Bíblia em um ano:
Jeremias 41-43
Hebreus 5



“Toda vez que os seres viventes dão glória, honra e graça Àquele que está assentado no Trono e que vive para todo o sempre, os vinte e quatro anciãos se prostram diante Daquele que está assentado no Trono e adoram Àquele que vive para todo o sempre. Eles lançam as suas coroas diante do trono, e dizem: ‘Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por Tua vontade elas existem e foram criadas’.”
Apocalipse 4:9-11


Existem dois gestos singulares dos anciãos nessa passagem bíblica, que nos revelam uma postura de adoração verdadeira, e que apontam para o caminho em que todo verdadeiro adorador deve passar para que possa oferecer ao Senhor uma oferta agradável e santa.

Primeiro, vemos que os anciãos “se prostram diante Daquele que está assentado no trono e adoram Àquele que vive para todo o sempre.” Se prostrar nem sempre está associado a adorar. E adoração nem sempre tem sido direcionada à pessoa de Deus, mas sim ao que Ele tem para dar.

Muitas pessoas se prostram diante do Senhor em desespero ou em esperança, buscando uma intervenção de Deus, buscando coisas das quais necessitam urgentemente. Mas poucas de fato adoram a Deus por ser Ele o Deus que vive eternamente, por ser Ele o Senhor sobre suas vidas, por ser Ele um Deus santo e todo-poderoso. Buscam Suas mãos, não Sua face. Adoram-no pelo que Ele dá, não pelo que Ele é.

Os anciãos se prostram diante de Deus reconhecendo que Ele é digno de estar ali, e O adoram porque Ele tem atributos que nenhum outro ser tem ou pode ter. Eles se prostram diante do trono do Senhor mas não adoram Seu trono, Suas posses, Suas riquezas. Antes, ao se prostrarem diante do trono de Deus, reconhecem que Ele tem todo domínio, riqueza e poder, mas não adoram essas coisas. Eles vão além delas. Eles vão além do trono e adoram ao Deus que está assentado nele. Prostram-se diante do trono e adoram ao Deus que está no trono. Eles se prostram diante do símbolo da glória de Deus, mas não adoram o trono, a coroa ou o cetro do Rei, e sim ao próprio Rei.

Segundo, vemos que o desprendimento dos anciãos é total em relação ao materialismo. Além de eles não adorarem ao trono e sim ao Deus que está no trono, eles também deixam seus próprios tronos e coroas, e lançam estas diante do trono de Deus, num gesto de renúncia ao material, à riqueza, ao reconhecimento, e numa expressão de entrega e rendição a quem, de fato, pertence honra, poder e majestade.

Infelizmente, a adoração que vemos [e, muitas vezes, até a que oferecemos] hoje para o Senhor, é uma adoração fundada nos nossos próprios interesses. Louvores entoados para exibir belas vozes e arrancar aplausos e reconhecimento das platéias. Cultos e campanhas realizados para angariar dinheiro e construir grandes templos, fazer grandes eventos e sustentar os que vivem da obra, em vez de viverem da fé. Visitas realizadas com o interesse de não perder o membro da congregação em vez do interesse de não se perder mais uma alma para o inferno. Trabalhos realizados por obrigação, em vez de o ser por interesse em servir e auxiliar vidas a serem encaminhadas em santidade para o Céu. Desleixo e má vontade nos afazeres diários, em busca de se tirar vantagem de alguma forma, quando honrar ao Senhor com o bom testemunho de cristãos convertidos deveria ser o fundamento de tudo o que fazemos. Enfim, tantas coisas poderíamos citar como exemplos dessa falsa adoração que tem acometido nossos dias.

É lamentável querer associar a verdadeira adoração - que na Bíblia está ligada a prostração e quebrantamento - com agitação e divertimento. É lamentável falar-se tanto em adoração com palavras e não demonstrarmos adoração em nossas atitudes. E é lamentável associar adoração a qualquer coisa material, seja relativa às bênçãos que Deus tem para nos dar ou às que já temos.

É tempo de buscarmos a Deus motivados por puro amor, obediência e reconhecimento, e não por crises, necessidades ou obrigações, pois adoração é santa. É espiritual. É superior a tudo o que vemos ou temos. E se reflete numa entrega total à dependência do Senhor, de forma que Ele seja o fundamento, o motivo e o objetivo de tudo o que somos, temos, fazemos ou almejamos. As demais coisas que chegarem à nós [e isso inclui conquistas materiais], são consequências de nossa sincera adoração ao Eterno Rei da Glória.

Que nossa adoração seja uma adoração que se desprende de tudo o que de mais caro poderíamos conquistar, inclusive um trono e coroa no Céu. E que seja capaz de lançar essa coroa ao chão, diante dos pés do Senhor, reconhecendo quem somos e quem, de fato, Ele é.