sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Da costela às santas mulheres

A Bíblia em um ano:
Ezequiel 23-26
1Pedro 1


By Elaine Cândida, com imagens do Google.



Antes de apresentar o estudo a seguir, quero fazer duas observações.

Primeiro, eu não sou à favor dos exageros do movimento feminista. Concordo, sim, que a mulher deva, de forma relativa, ter sua independência, ter uma profissão, crescer em todos os seguimentos da sua vida, tornar-se uma referência. Porém, muitos dos princípios do feminismo são contrários à postura que a Palavra de Deus estabelece para as mulheres, promovendo a inversão de valores que hoje se vê dentro das famílias. A mulher tornou-se o cabeça da casa, quando a bíblia indica que ao homem cabe esse papel.

Segundo o Pr. Ciro Zibordi,

No cristianismo genuíno, não há espaço para machismo e feminismo, movimentos extremados que não reconhecem a verdadeira posição do homem e da mulher na sociedade. O primeiro considera a mulher inferior, enquanto o outro trata o homem como um demônio. No Corpo de Cristo, há lugar para ambos os sexos, desde que reconheçam, à luz das Escrituras, a sua posição. [...] Segundo a Bíblia, a relação entre homem e mulher deve ser, antes de tudo, de respeito mútuo (1Coríntios 7.3-5). Deus formou Eva a partir de uma das costelas de Adão (Gênesis 2.18-22) para demonstrar que a mulher não deve estar nem à frente nem atrás, mas ao lado do homem, como ajudadora. E ser ajudadora não é ser inferior, pois o próprio Deus é o nosso Ajudador (Hebreus 13.5,6). Na Palavra de Deus não há espaço para o falacioso igualitarismo feminista, porém a Bíblia também não diz que a mulher é inferior ao homem. Ela é o “vaso mais fraco” (1Pedro 3.7). Quer dizer, mais frágil, mais sensível e, por isso, deve ser amada e honrada pelo marido (Efésios 5.25-29). O princípio que deve prevalecer é o da prioridade, e não o da superioridade (1Tmóteo 2.13). Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Por que, então, alguns homens se consideram superiores? Deus fez a mulher diferente do homem para que ambos se completem, no lar, na sociedade e no serviço do Senhor. Nesse caso, existem tarefas que o homem desempenha melhor, enquanto há atividades em que o talento feminino se sobressai. E isso também deve acontecer nas igrejas. [1]

Depois de uma explanação tão esclarecedora, resta-me dizer que faço dessas minhas palavras e, pelos mesmos motivos (e mais outros), também não concordo com a pregação à favor de direitos iguais (esta é minha segunda observação). Antes, porém, que alguém comece a resmungar, quero colocar os meus porquês.

A mulher é um ser delicado. É frágil em seus aspectos gerais e naturalmente dotada de meiguice. Não consigo, contudo, enxergar essas características tão belas quando vejo mulheres trabalhando em serviços pesados, como na construção civil, ou em jogos violentos como o boxe e o futebol. Vejo a mulher como um ser extremamente competente, muitas vezes capaz de dirigir grandes empresas, de realizar grandes obras sociais, de ser grande exemplo para as mais jovens. Ela merece e precisa do seu espaço, mas sem minimizar os direitos ou a capacidade dos homens.

Vejo a mulher (e obviamente estou me incluindo nesse time também), como uma princesa, que deve ser tratada com honras e intensos cuidados. Não como um ser inútil e totalmente dependente do homem (não cometamos o erro de cair no extremo contrário ao do movimento feminista), tampouco como alguém superior ao homem. Até porque uma princesa sabe administrar muitíssimo bem, sabe pensar, é inteligente, sabe encontrar soluções práticas e eficientes. Uma princesa sabe exercer um ministério e sabe conduzir um reinado ao lado do seu Pai, o Rei.

E é exatamente assim que nos vejo: nós, mulheres, somos princesas, que precisam e merecem ser tratadas como tais. Por isso, não egoisticamente, mas consciente que mulheres não são dotadas das mesmas características dos homens, não concordo com direitos iguais. Acordo que os direitos devam ser diferentes e melhores, isto é, adequados às reais necessidades da mulher (e também do homem).

Diante disso, venho salientar que a mulher tenha um motivo intenso de ser, motivo este que nasceu no coração do Deus que amorosamente lha projetou. Desde o início o Senhor tem demonstrado Seu interesse em ter um povo par Si, uma família que O adore, um corpo santo e perfeito, que Lhe representará fisicamente no mundo. E Ele viu que o homem sozinho não seria suficiente para formar Sua família nem caracterizar o Seu corpo. Ele necessitaria de alguém muito especial para completá-lo o e auxiliá-lo em sua jornada. Por isso, Deus sonhou com a mulher e realizou Seu sonho quando, de Adão, retirou uma costela, a qual traz consigo uma simbologia profunda, que tentaremos expor a seguir.

“Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele.” (Gênesis 2.21-22)

A costela, no corpo, exerce papel fundamental. Isso tem tudo a ver com a posição da mulher tanto na sociedade, como na família, e quando é estudado mais à fundo, apenas promove ainda mais a imagem e a importância da mulher, longe das teorias político-sociais do distorcido e pretensioso movimento feminista.

São doze pares de costelas no corpo. Doze costelas do lado direito, doze do lado esquerdo, todas viradas umas para as outras e todas com a mesma função, embora nenhum par de costelas do corpo tenha o mesmo tamanho de outro.

É uma excelente ilustração da diversidade no Corpo de Cristo, a Igreja. Ele é composto por pessoas que procedem de “toda tribo, língua, povo e nação”, as quais foram compradas pelo Sangue do Cordeiro de Deus (Apocalipse 5.9-10). E mesmo com todas as nossas diferenças, nota-se o perfeito ajustamento espiritual que há entre as mulheres santas e da adequação destas aos padrões celestiais, dentre os quais, o respeito mútuo, a unidade e a cooperação no trabalho.

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.” (Efésios 4.15-16)

As menores costelas ficam na parte inferior da caixa abdominal, e quase escondidas. Porém, mesmo elas possuem medula óssea no seu interior, assim como todas as outras. A medula óssea é uma espécie de tecido esponjoso mole, localizado no interior dos ossos, responsável pela produção, praticamente, de todas as células do sangue.

Que informação preciosa! Enquanto muitas mulheres têm papel de destaque e estão em evidência nas congregações e até fora delas, as menores, aquelas que estão no anonimato, também têm parte no funcionamento do Reino e dão sua contribuição de grande valor, ainda que em proporções menores.

“Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.” (1Coríntios 12.4-7)

As costelas se movimentam com os músculos e as vértebras, ao respirarmos. E isso prova que a mulher, quer no Corpo de Cristo, quer na sua família, não é independente. Ela trabalha em conjunto com os demais órgãos do corpo, e isso é fundamental para a respiração e manutenção da vida.

Caso as costelas não se movimentassem, o pulmão não teria espaço suficiente para ser cheio de ar e oxigenar todo o corpo. Da mesma forma, caso a mulher não se movimentar, a Igreja não será bem oxigenada. A família não será bem oxigenada. A sociedade não será bem oxigenada. E todos sofrerão lesões graves. Família, Igreja, sociedade. Todas exigem mulheres dinâmicas, criativas, dedicadas.

Da mesma forma, as costelas resistem às forças internas negativas geradas pela retração elástica dos pulmões e pelos movimentos respiratórios. Isso quer dizer que elas dão equilíbrio aos pulmões, para que eles não se expandam mais do que deveriam nos movimentos de inspiração. Se, por um lado, elas se deslocam para dar-lhe passagem, por outro, elas lhe fornecem limites e, assim, promovem harmonia e moderação no movimento respiratório do corpo.

Fico pensando como seria uma Igreja sem mulheres... Os homens são pessoas extremamente capacitadas por Deus, mas não são completos. Assim como as mulheres também são extremamente capacitadas por Deus, mas não são completas em si mesmas. Homens completam mulheres e lhes oferecem o lado forte e racional de um relacionamento. Mulheres completam homens, lhes dando a sensibilidade e emotividade necessárias para que haja equilíbrio. E dessa união nascem famílias saudáveis, igrejas saudáveis e, consequentemente, sociedades saudáveis.

Isso, sem contar nos equilíbrio que as intercessões de santas mulheres de Deus podem trazer à família, às igrejas e até à sociedade, no tocante ao uso do poder. Quando o Corpo de Cristo está sob opressão, joelhos ungidos entram em ação e se dobram perante o Trono de Deus sem hesitar, até que a situação mude. Quando a libertinagem quer tomar conta das vidas dos membros de uma congregação, as “costelas” resistem – por meio das orações, dos jejuns, dos bons conselhos e do bom testemunho – às forças internas negativas geradas pela elasticidade exagerada das doutrinas, dos usos e dos costumes. E assim, a congregação volta a ter equilíbrio espiritual, relacional, doutrinário. Esse não é um papel exclusivo das mulheres, mas elas têm uma parcela muito ampla de contribuição para esse bem comum.

“A mulher virtuosa é a coroa do marido...” (Provérbios 12.4)

Órgãos vitais como pulmões e corações são guardados sob as costelas que, em seus doze pares, formam uma espécie de caixa de ossos (a caixa torácica), um tipo de “escudo vivo” para esses órgãos. E esse é um poder que as mulheres de Deus têm: o de orar, abençoar e sustentar pelas orações os órgãos vitais da Igreja (pastores, obreiros, líderes), da família (os pais), da sociedade (os governos e líderes).

“A oração de um justo é poderosa e eficaz.” (Tiago 5.16)

Até mesmo as mulheres mais simples e carentes da Igreja têm uma função de excelência para exercer no Corpo de Cristo, a qual pode ser desempenhada plenamente pela oração sincera, irrestrita e contrita diante do Senhor, e por uma busca diária de intimidade e santa comunhão com Jesus e com Seu Corpo.

“Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis” (Provérbios 31.10). Esse verso bíblico não estipula condições para que uma mulher seja virtuosa, mas expressa que se for uma mulher virtuosa (seja essa mulher alta ou baixa, gorda ou magra, rica ou pobre, com muitos ou poucos dons, séria ou sorridente), terá seu valor bem mais alto que o de finas joias. E isso a torna muito útil no serviço de guarda e expansão do Reino.

Os músculos das costas e os membros superiores também são fixados e sustentados pelas costelas. Elas (as costelas) servem de ponto de inserção de parte da musculatura relacionada à coluna vertebral como, por exemplo, os músculos elevadores das costas. Quanto aos membros superiores (braços, antebraços e mãos), as costelas proporcionam-lhe fixação e sustentam o seu peso.

Lendo a informação acima, eu penso no poder que as mulheres de Deus possuem e muitas vezes desconhecem. Tanto para influenciar as novas gerações e os novos convertidos, quanto para sustentá-los espiritualmente. Mulheres santas são referências a serem seguidas por todas as pessoas, inclusive por homens de Deus. Mesmo que não assumam a liderança de um departamento ou evento na Igreja, mulheres cheias do Espírito Santo conseguem interceder e abençoar com palavras e atitudes as almas e os trabalhos dos outros irmãos. Mesmo que não trabalhe fora, a mulher sábia e cheia da unção de Deus edifica a sua casa com maestria (Provérbios 14.1). Mesmo que não assuma uma posição ao sol numa determinada sociedade, a mulher pode exercer grande influência sobre ela. Basta que tenha Deus do seu lado.

Quem dá a sustentação de todo o corpo é a coluna vertebral. E todas as costelas estão ligadas diretamente nas vértebras da coluna. Na Igreja, na família, na sociedade que for, o Espírito Santo é a coluna vertebral. Ele é a ligação daquele povo com o Senhor Jesus Cristo. Não havendo costelas, há uma deformidade sem precedentes no corpo. Onde as costelas se aliam à coluna e cumprem sua função, Jesus, a cabeça do corpo, permanece no controle e Sua bênção é evidente sobre aquela família, sobre aquela Igreja, sobre aquela nação.

As costelas são vinte e quatro ossos finos e leves. Os ossos são a estrutura mais forte do corpo. Sob esta ilustração, as mulheres fazem parte da estrutura mais forte da Igreja, da família e da sociedade. Mas são ossos finos, isto é, frágeis e sensíveis, como colocamos no início deste estudo. Contudo, são leves, são suaves e delicadas. E ainda assim, são dotadas de autoridade e ousadia do Senhor, que as tornam partes insubstituíveis no Corpo de Cristo.

Deus tem um zelo especial para com as mulheres. Na Bíblia, mais precisamente no Velho Testamento, constantemente vemos o Senhor preocupado com as viúvas, uma vez que seus maridos e filhos frequentemente morriam em combates e, por causa da sociedade opressora e machista daquele tempo, as mulheres ficavam desoladas e desprovidas. Deus faz uso, inclusive, da imagem de uma mulher - a noiva - para tipificar a gloriosa Igreja do Senhor Jesus Cristo na terra.

A própria Bíblia cita nomes de muitas mulheres extraordinárias, como Sara, Rebeca, Rute, Ester, Joquebede, Raabe, Débora, Ana, Marta e Maria (irmãs de Lázaro), Maria (mãe de Jesus), Dorcas, Lídia, entre outras. E também conta parte da história de muitas outras não tiveram seus nomes citados, mas fizeram a diferença no meio do seu povo e deixaram exemplos incríveis para as futuras gerações. Eram mulheres como aquela serva de Naamã, que foi ousada o suficiente para indicar o caminho da bênção àquele poderoso oficial do rei (2Reis 5.1-19). Ou como a mulher que sofria de um fluxo de sangue e tocou, com extraordinário exemplo de fé, na orla da veste de Jesus (Lucas 8.40-48). Ou, ainda, como a mulher à beira da fonte, que se prostituía, mas que deixou seu pecado e tornou-se uma missionária após ter um encontro com Jesus (João 4.1-42).

Todas elas, mesmo com suas imperfeições e fraquezas, exerceram bem seu papel como costelas de uma família e de povo. Todas se estabeleceram nos princípios indicados por Deus para andarem com Deus e apresentarem o único Deus Vivo ao mundo. Tenho certeza que tudo isso ficou registrado na Bíblia para que saibamos o quanto Deus nos ama, Se importa e conta conosco para ser revelado ao mundo.

Elas conseguiram. Deus não mudou. Se seguirmos seus exemplos e buscarmos no próprio Deus a nossa inspiração de vida, o mundo verá a glória do Senhor através das nossas vidas também (Colossenses 1.27).

Lancemo-nos, pois, a este grande desafio, e vivamos essa linda experiência de andar com Deus e semearmos luz no mundo. Não cultuando o uma imagem estereotipada como mulheres-objeto que apresentam ter muitas curvas e pouca inteligência. Tampouco nos impondo nem exigindo aos gritos o respeito do mundo, como querem as militantes feministas. Mas deixando Deus ser Deus em nós e através de nós, e permitindo que Ele mesmo nos exalte por Sua própria mão, ao lugar mais elevado onde nenhuma autoridade do mundo poderia nos elevar...

O lugar de santas mulheres de Deus, reconhecidas pelos Céus e respeitadas até pelo inferno. Pois “enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa sim será louvada.” (Provérbios 31.30)

NEle, que confiou também às mulheres o realizar de uma grande obra.


Elaine Cândida



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[1] Pr. Ciro Sanches Zibordi. In O que a Bíblia diz (ou não diz) sobre o chamado ministério pastoral feminino. Disponível em http://cirozibordi.blogspot.com/2008/05/o-que-bblia-diz-ou-no-diz-sobre-o.html (acesso: 30/03/2009)