terça-feira, 22 de novembro de 2011

Não apenas em palavras...

A Bíblia em um ano:
Ezequiel 18-19
Tiago 4

“A circuncisão tem valor se você obedece à lei; mas, se você desobedece à lei, a sua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se aqueles que não são circuncidados obedecem aos preceitos da lei, não serão eles considerados circuncidados? Aquele que não é circuncidado fisicamente, mas obedece à lei, condenará você que, tendo a lei escrita e a circuncisão, é transgressor da lei. Não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela lei escrita. Para estes o louvor não provém dos homens, mas de Deus.”
Romanos 2.25-29


Alguém representando uma ONG passou pela escola onde trabalho ontem e fez um pedido de ajuda, para que alunos contribuíssem com um projeto social de doação de cestas básicas, ofertando alimento não perecível. Por estarmos num momento já de grandes arranjos para as campanhas políticas do ano que vem, a aspirante da nossa escola ao cargo de vereadora suspeitou que se trata de um projeto social político, que beneficiará outros candidatos. Por isso, para que sua campanha não seja prejudicada em nada, não autorizou o repasse dos bilhetes aos alunos, solicitando as referidas doações.

Lamentável! O egoísmo e os interesses pessoais de uma pessoa deixam de beneficiar tantas outras...

E o pior, é que trata-se de uma pessoa religiosa, profundamente inserida na devoção aos santos católicos. Mas a questão aqui não é a devoção aos santos católicos, mas a falta de caráter de quem se esconde atrás deles para demonstrar uma santidade que não tem. Da mesma forma, a questão aqui não é ser evangélico ou não, mas esconder-se atrás da placa de uma denominação evangélica pensando que isso seja suficiente para ser aprovado por Deus.

Infelizmente, as igrejas estão repletas desse tipo de atitude. Não somente as instituições não-religiosas. E esse mal extravasa os limites da ética e deforma o caráter não só de uma pessoa, mas de uma congregação inteira.

E infelizmente, nossos corações também estão repletos desse tipo de atitude. É muito comum ignorarmos o sofrimento do outro quando a nossa alegria e satisfação estão em jogo. Em situações adversas, por exemplo, tendemos a deixar de orar pelos outros e começamos a buscar a Deus em praticamente todas as orações apenas por nós mesmos e pelos nossos interesses. Da mesma forma, diante de uma tentação, muitas vezes cedemos à vontade da nossa carne, sem nos preocupar com a desonra que isso trará ao nome de Deus, o nome santo que Ele nos confiou e permitiu carregar em nós. Tampouco nos importamos com o estrago que um escândalo causará no meio do rebanho de Deus, e nas tantas ovelhas que um mal assim pode enfraquecer, adoecer ou dispersar.

Ainda bem que Jesus não foi egoísta naquela madrugada, no Getsêmani, não é? Se Ele tivesse desistido, certamente não haveria esperança para nós. Para nenhum de nós! ...Nenhuma esperança!

Quando Jesus nos convidou a segui-Lo (Mateus 16.24), Ele deixou claro que havia uma cruz para cada um de nós, e que nós também a deveríamos carregar. Essa cruz serve para nos caracterizar como pessoas dispostas a renunciar o que for preciso para que Deus seja glorificado e cumpra os ricos, perfeitos e santos propósitos do Seu coração.

“Aquele que afirma que permanece nEle, deve andar como Ele andou” (1João 2.6). E por tudo o que Ele fez e demonstrou sentir por nós, temos absoluta e irrevogável certeza que Jesus andou bem diferente de nós. Ele resistiu à tentação no deserto (Mateus 4.1-11). Ele orou pelos outros – pelos Seus discípulos e pelo resto do mundo – e não apenas por Si mesmo, quando estava apenas a alguns minutos da Sua prisão (João 17). E Ele ajudou milhares de pessoas famintas, doentes e possessas, sem Se importar se elas Lhe escolheriam, ou se escolheriam Barrabás.

“Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças. [...] Ame o seu próximo como a si mesmo. Não existe mandamento maior do que estes". (Marcos 12.30-31)

Amou. Ele simplesmente amou. Foi isso o que Ele fez e foi isso o que Ele mandou que fizéssemos também. Tudo certamente seria bem diferente se nós O atendêssemos de fato, em atitudes e não apenas em palavras.