sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ser, estar, continuar...

A Bíblia em um ano:
Jeremias 47-49
Hebreus 8


“Quem crê nEle [no Filho de Deus] não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”
João 3.18


Quando Deus criou o Universo e tudo o que nele há (Gênesis 1), “viu Deus que tudo era bom” (Gênesis 1.10, 12, 17, 21, 25). Quando Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31). À única obra de toda criação feita à imagem e semelhança do Deus Criador não coube apenas um elogio que é dito “bom” (embora tudo o que Deus faça seja perfeito), mas inspirou Deus a Moisés a escrever bem claramente para que todos possamos entender que a obra humana era “muito boa”, isto é, a mais perfeita obra de toda a Criação.

Desde o início havia uma comunhão entre Deus e o homem (Gênesis 3.8a), porque não havia pecado. O pecado que se instaurou entre o homem e Deus, porém, trouxe o afastamento dessa criatura do Divino Criador (Gênesis 3.8b), fato pelo qual o homem – agora caído – foi retirado da presença de Deus (Gênesis 3.23-24).

Depois de muitos séculos de pecado e grandes tentativas de resgatar a comunhão com o homem (Adão – dispensação da inocência; Noé – dispensação da consciência; Abraão, Isaque e Jacó – dispensação do governo humano; Moisés, Josué e Davi – dispensação da Lei; todos os profetas do Antigo Testamento – dispensação dos profetas), Deus enviou Jesus, que trouxe a dispensação da Graça, pela qual todos recebemos o direito de salvação e de novamente comungar uma unidade com Deus, nosso Criador (Gálatas 3.13; João 14.6; 1Timóteo 2.5; Atos 4.12).

“Ser” e “estar” são as palavras chaves para esta meditação de hoje. O verso bíblico que lemos nos diz que “quem crê” em Jesus “não é condenado” (João 3.18a). “Ser” é algo que está em nossa essência. É algo que vem desde nossa origem. Fomos criados “assim”, por isso somos “assim”. E isso nos faz lembrar nosso estado original, isto é, sem condenação.

Quando Adão vivia em comunhão com Deus, havia fé nele para que não pecasse. Quando Adão deixou de atentar para Deus para dar ouvido a terceiros, Adão perdeu da fé que ele tinha na Palavra de Deus, que ela era boa e certa, para ceder à tentação.

Não ser condenado é o estado que Deus determinou para as pessoas que vivem a comunhão com Ele. Era assim com Adão antes do pecado e é assim também com todos os homens hoje, depois de Jesus Cristo, desde que aceitem Jesus como único Senhor e Salvador de suas vidas.

“Estar condenado” (“mas quem não crê já está condenado” – João 3.18b) é uma opção na vida de quem não quer crer e se entregar a Deus. Isto é, não precisamos ser condenados se não quisermos.

O homem não era condenado em sua origem, mas tornou-se condenado porque pecou e não buscou de Deus o perdão e a reconciliação. Nós estamos condenados hoje, mas podemos deixar esse estado deplorável e retomarmos a aliança com o Senhor, através da confissão de nossos pecados a Jesus e da nossa entrega a Ele.

Crer é a chave para que deixemos de ser sentenciados à eternidade sem Deus e retomemos nosso estado original diante de Deus – compartilhando com Ele “as mesmas idéia, valores e sentimentos” (definição de comunhão, segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa), em plena comunhão.

E Jesus veio para que possamos retornar à inocência, à dependência de Deus, à unidade com nosso Criador. Hoje Ele nos convida a crer, a aceitar Seu sacrifício de morte na maldita cruz (Gálatas 3.11-14), a nos voltar para a santidade de Deus e buscarmos ser como Ele é.

Desde uma eternidade à outra eternidade, nunca deixou de ser Deus, de ser Santo e reto – nunca mudou em nenhum sequer de Seus atributos. Nós demonstramos o contrário: somos falhos, somos mutáveis, somos volúveis. Pelo que relembramos que depositar nossa fé em outro ser (seja de que época for), torna nosso futuro incerto e desassociado de Deus. Sim, porque animais não são deuses, mas são criação das mãos de Deus; objetos são criação das mãos de outra criação; e o homem também é criação. Como poderiam, pois, serem endeusados? Que poderiam, pois, fazer uns pelos outros, havendo neles tantos limites e variantes?

Jesus veio de graça assumir nossos pecados sobre Si e morrer para que a eles também fosse dado um fim diante de Deus. Ele não cobrou nada por isso e além de tudo, ainda nos garante uma vida eterna no Reino de Deus junto com Ele (João 14.1-3). Crer em outros nomes como nossos mediadores até Deus, é um barato que sai muito caro. Pode até parecer que eles [os ídolos] também não pedem nada em troca. Mas, na realidade, custará toda a nossa eternidade e a estabelecerá distante do Senhor Deus, num lago de fogo (Apocalipse 20.12,15; 22.15).

A parte “c” do verso sobre o qual refletimos hoje nos explica o motivo pelo qual muitos milhares de vidas ainda estão condenadas: “porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3.18c). A Jesus somente foi reservada a honra de libertar-nos da escravidão do pecado e nos reconciliar com Deus, nosso Criador. A Ele, pois, somente, devemos nos prostrar e adorar. NEle somente confiar. E por Ele somente viver e dedicar nossos dias.

Não há outro em quem devamos confiar, porque ninguém mais pôde fazer por nós o que Jesus Cristo – o único Senhor e Salvador – Se prontificou a fazer...

Continuarmos, pois, condenados, agora, é somente uma questão de escolha!