quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um passo de obediência

A Bíblia em um ano:
Jeremias 44-46
Hebreus 6-7



“Assim, ele desceu ao Jordão, mergulhou sete vezes conforme a ordem do homem de Deus e foi purificado; sua pele tornou-se como a de uma criança. Então Naamã e toda a sua comitiva voltaram à casa do homem de Deus. Ao chegar diante do profeta, Naamã lhe disse: ‘Agora sei que não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel’. [...]”
2Reis 5.14-15


Naamã era um homem acostumado a ganhar batalhas pela força dos seus cavalos e por seus equipamentos de guerra. Era oficial de um rei fortíssimo – o rei da Síria – e tinha grande reputação. Mas do mesmo jeito que a graça de Deus é derramada sobre justos e injustos, a justiça do Senhor também se faz sobre grandes e pequeninos. E o poderoso Naamã, de repente, encontra-se leproso.

Cheio de soberba, ele foi ao encontro do profeta Elizeu pensando que este lhe imporia a mão sobre sua cabeça e determinaria sua cura. “Eu estava certo de que ele [Elizeu] sairia para receber-me, invocaria em pé o nome do Senhor, o seu Deus, moveria a mão sobre o lugar afetado e me curaria da lepra.” (2Resis 5.11)

Mas como Deus prioriza a cura da alma do homem e a sua salvação – diferente de nós que, na maioria das vezes, buscamos o Senhor almejando apenas cura física e bens materiais – o Senhor quis fazer algo mais por Naamã. Este não viveria apenas o milagre da cura da lepra no seu corpo; ele seria curado da lepra da altivez em sua alma, e ainda veria a glória de Deus que, sem lhe tocar fisicamente, operaria grande milagre.

Na maioria das vezes, Deus opera por meios que não nos agradam ou que não esperamos. Primeiro porque Ele não segue padrões ou tendências humanas. Deus não Se limita a nenhuma das regras ou limites que a humanidade criou. Segundo, porque Ele sabe o que precisa ser feito e qual a melhor forma de fazê-lo em nós ou por nós. Terceiro, porque se o Senhor agisse como esperamos ou queremos, Ele não seria o Senhor, e sim, um ser subordinado à nossa vontade, sem iniciativa nem criatividade, sem vontade própria nem domínio sobre as Suas criaturas.

A cura de Naamã viria, mas primeiro, ele teria de ter uma experiência pessoal com Deus. Primeiro, ele se converteria. Depois, ele compreenderia que a bênção física e material é uma consequência natural da obediência, da esperança e da humilhação diante do Senhor. Primeiro, Naamã entenderia que as forças dos seus cavalos, sua armadura, sua patente, seu dinheiro e bens, poderiam lhe dar muitas conquistas materiais, mas só a sua entrega à direção do Senhor poderia lhe fazer conquistar a salvação e a paz com o seu Criador. E esse era o primeiro e maior milagre a ser realizado.

Deus sabia disso, por isso não atendeu às expectativas do forte Naamã. Deus sabe que deve ser assim conosco também, por isso, primeiro Ele ensina, depois Ele acalma a tempestade (Mateus 8.25-26). Primeiro, Ele perdoa e cura a alma, depois Ele ordena e cura o corpo (Marcos 2.1-12). Primeiro, Ele trata a fé e a humildade, depois abençoa o físico (2Reis 5.1-18). Primeiro, Ele prova no deserto, depois Ele manda Seus anjos para servirem o banquete (Mateus 4.1-11).

O segredo está em obedecer mais que sugerir. Naamã sugeriu as águas límpidas de Damasco, mas teve de mergulhar na água barrenta daquele trecho do rio Jordão. Sugeriu que o profeta deveria ter lhe recebido com honras dignas de um oficial do rei, mas Elizeu, na verdade, nem mesmo foi lhe receber; enviou seu mensageiro para lhe dirigir a palavra e orientar-lhe sobre como receber a cura. (2Reis 5.9-12)

A história de Naamã prova que, para sermos abençoados e para agradarmos a Deus, não precisamos ser teólogos ou donos de alguma riqueza nesse mundo. Basta obedecermos e praticarmos o pouco que aprendemos com os servos mais experientes do Senhor e pela Sua Palavra. Dar um passo de obediência tem muito mais poder do que anos de estudos sobre esse assunto.

Vejamos isso em Naamã. Se ele não tivesse obedecido, não teria visto a glória, nem teria recebido a graça.