domingo, 25 de dezembro de 2011

O poder das palavras

A Bíblia em um ano:
Sofonias 1-3
Apocalipse 16


“Disse ele [o gigante filisteu] a Davi: ‘Por acaso sou um cão, para que você venha contra mim com pedaços de pau?’ E o filisteu amaldiçoou Davi, invocando seus deuses, e disse: ‘Venha aqui, e darei sua carne às aves do céu e aos animais do campo!’ Davi, porém, disse ao filisteu: ‘Você vem contra mim com espada, com lança e com dados, mas eu vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou. Hoje mesmo o Senhor o entregará nas minhas mãos, eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves e aos animais selvagens, e toda terra saberá que há Deus em Israel. Todos os que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o Senhor concede vitória; pois a batalha é do Senhor, e Ele entregará todos vocês em nossas mãos’.”
1Samuel 17.43-47


Golias era um soldado filisteu destro em batalhas. Desde jovem era um lutador (1Samuel 1733). E ainda por cima era um gigante.

Davi era só um jovenzinho ruivo e de boa aparência (1Samuel 17.42). Por isso, o grandalhão filisteu lhe desprezou. Fez pouco caso daquele que, sem dúvida alguma, facilmente seria derrotado na batalha.

Em seu entendimento, Golias sabia que Davi era nada para ele. Envergonhá-lo, derrubá-lo, fazer picadinho dele diante de todo o exército israelita seria quase nada para alguém com um histórico como o daquele gigante.

Parecia uma luta injusta. Mas os filisteus eram acostumados a cometer injustiças. A única intenção de Golias era destruir Davi, e isso ele tinha força de sobra para fazer. Por essa razão, a presença daquele fedelhinho atrevido só serviu para fazer Golias gabar ainda mais de si mesmo, e não para intimidá-lo.

O que, na verdade, causou a irritação do soldado furibundo não foi a ameaça que a presença de Davi não insinuava, mas sim suas palavras.

Davi ofendeu a honra do gigantão quando declarou em alto e bom tom que um Deus invisível lhe derrotaria diante de todos. Colocou a moral de Golias lá embaixo quando lhe contou que ele seria motivo de escárnio e vergonha para seu povo, e que isso seria provocado por alguém que ele nem mesmo via com seus olhos. Ridicularizou todo o currículo do gigantão quando declarou que ele, um moleque inexperiente, destruiria um exército inteiro e também o próprio Golias. Quanta afronta!

Não foi a atitude de enfrentamento de Davi que atiçou a ira do gigante, mas suas palavras.

As palavras são instrumentos poderosíssimos para provocar alguém, seja para fazer o bem, seja para fazer o mal. Quando bem usadas, nutrem, levantam, incentivam, consolam, ensinam, abençoam. Quando mal, desorganizam, denigrem, ofendem, perturbam, derrubam, humilham, matam.

Naquele momento, Davi fez uso das palavras certas, da maneira certa e na hora certa. Nós precisamos também aprender a ouvir mais e falar menos. Comumente, nós falamos mais do que devemos e ouvimos menos do que precisamos.

Precisamos saber o que falar, como falar e quando falar. O Espírito Santo está aqui no mundo também para isso: para nos ajudar a manusear bem as palavras e fazer delas instrumentos de vida, não de morte; de alegria, não de tristeza; de santidade, não de perdição; não de conflitos, mas de paz.

Palavras sem ação não provocam mudanças, mas às vezes, falar corretamente é tudo o que precisamos para indicar a alguém o bom caminho.