sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Habitação e descanso

A Bíblia em um ano:
Êxodo 33-36

By Elaine Cândida, com imagens do Google.


“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-Poderoso pode dizer ao Senhor: ‘Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio’.”
Salmos 91.1-2


É impressionante como a Palavra do Senhor não muda e ao mesmo tempo sempre Se nova em nossas vidas, preenchendo de maneira cada vez mais intensa o nosso ser, a cada dia!

Ontem uma irmã em Cristo escreveu-me e, tocada pelo Senhor, que conhece todas as nossas necessidades e momentos, entregou-me o Salmo 91 para meditação. E eu quero repartir com você a maravilhosa novidade que aprendi com os versos 1 e 2, um texto tão conhecido praticamente pelo mundo inteiro, porém, pouquíssimo praticado até pelos próprios filhos de Deus.

O salmo começa apontando para a pessoa que “habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-Poderoso”. É sobre isso que quero discorrer nas próximas linhas.

Primeiro, habitar é diferente de passar férias, de passear, de visitar, de ir eventualmente. Quem habita está constantemente, permanece, mora fixamente, reside. Quem busca Deus somente quando acha conveniente, não tem essa segurança. Vive exposto a um ataque do mal quando em suas saídas do abrigo.

Conheço muita gente que ora está em Deus, ora está em outros deuses, ora está no mundo sem deus nenhum, ora está novamente em Deus... Depende da situação e da conveniência. E isso é extremamente errado! A Bíblia afirma que há um único Deus e um único Senhor (1Coríntios 8.6). Afirma que esse Deus é o único caminho, a única verdade e a única vida, e que somente nEle há salvação (João 14.6). A Bíblia não aponta outro deus ou outra pessoa que possa aliviar o fardo das nossas almas, mas da boca desse próprio Deus ouvimos: “Venham a Mim... e Eu vos aliviarei” (Mateus 11.28-31). Não há outro que possa fazer isso.

Se queremos ter Paz e segurança em Deus, devemos habitar no Seu abrigo em todo o tempo, não apenas procurá-Lo quando as situações se tornam desconfortáveis para nós. Devemos permanecer nEle sempre, pois por mais que o mal nos odeie e queira nos destruir, ele respeita ao Senhor e não tem nenhum poder contra o Rochedo que nos guarda.

Segundo, no caso do “abrigo do Altíssimo”, nós podemos até mudar de residência física, mas temos um abrigo espiritual que é permanente, que sempre nos guardará onde quer que estejamos, porque nós o habitamos, não deixamos de viver no Deus dos Céu quando mudamos de endereço aqui na terra.

Ele é fiel e é Eterno. Sua fidelidade, Suas misericórdias, Sua bondade, Seu amor não têm fim. Deus não foi nem será; Ele é permanentemente. E isso nos dá a segurança que podermos confiar nEle e seguir a Sua direção a qualquer tempo, pois é impossível que o Deus Perfeito faça algo imperfeito. É impossível que o Deus Santo faça algo errado e macule a Sua santidade. (2Tessalonicenses 3.3)

Terceiro, quem habita no “abrigo do Altíssimo” está de favor na casa de outra pessoa. E esse favor, segundo a Bíblia, chama-se “divina graça” (Tito 2.11; 3.7). É o imensurável favor que o Senhor nos presta, nos oferecendo gratuitamente a Sua salvação, a Sua proteção, os Seus santos e justos conselhos; Seus recursos (Efésios 10.18; João 6.53-56; 1Coríntios 2.12; Romanos 3.24).

E quem está na casa de outra pessoa deve se submeter às normas da casa. Aqui nós vemos a necessidade da nossa obediência e submissão ao Senhor. Não devemos adaptar o Evangelho à nossa vontade, mas viver o Evangelho como Jesus nos deixou: com o objetivo maior da nossa santificação para que possamos viver eternamente com o Pai (Hebreus 12.14; Efésios 4.20-24; Salmo 93.5; João 3.3).

Por fim, vamos ao que mais me chamou a atenção nessa meditação. Como já dito no começo desse texto, o salmo em estudo inicia-se apontando para a pessoa que “habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-Poderoso”.

Habitar em Deus mas viver preocupado, agitado, desorientado, é mais comum do que se pensa. Quantas pessoas usam o nome do Senhor, freqüentam uma Igreja, conhecem a Palavra mas estão aflitas, inseguras, ansiosas... São obedientes ao Senhor, dão bom testemunho, caminham com Deus mas ainda não confiam totalmente nEle e, por isso, andam cansadas, fadigadas da vida. Deixam de descansar em Deus, mesmo estando à Sua sombra.

Não estamos tratando aqui de uma fé cega e inconsequente. Estamos tratando de uma fé racional que muitas vezes oscila (sim!) conforme as circunstâncias. Diante das nossas fraquezas e limitações, é comum que nossos olhos deixem de olhar para o Senhor e se percam sem esperança diante do vasto horizonte. Contudo, o correto e necessário é que nossa fé amadureça em Deus. É preciso que aprendamos a superar esses momentos de oscilações da fé firmando nossos pés na intrepidez do Todo-Poderoso.

Nós estamos à Sua sombra. Na sombra, o mais óbvio, é que descansemos. O sol lá fora é escaldante. Os perigos são iminentes. Aquele que nos fornece sombra e abrigo, porém, é o mais forte de todos os ossos inimigos. E há grande satisfação nas vidas de todos que no Senhor habitam e descansam. Todos os versos seguintes do Salmo 91 (3 a 16) contam sobre esses benefícios.

Mas não falarei sobre eles agora. Deixarei que você desfrute pessoalmente o prazer de pegar sua Bíblia e ler o Salmo 91, pausada e atenciosamente. Deleite-se em ouvir, da boca do próprio Deus, a renovação das santas promessas sobre quem nEle habita e descansa.