domingo, 8 de janeiro de 2012

Por uma resposta racional

A Bíblia em um ano:
Gênesis 20-24


“Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo, e pediu-lhe: ‘Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!’ Por isso também foi chamado Edom. Respondeu-lhe Jacó: ‘Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho’. Disse Esaú: ‘Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?’ Jacó, porém, insistiu: ‘Jure primeiro’. Ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó. Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.”
Gênesis 25.29-34


Jacó era um homem racional. Ele desejou arcar com todas as responsabilidades da primogenitura porque desejou ainda mais as bênçãos que dela provinham. Premeditou em seu coração receber a bênção do primogênito, e na primeira oportunidade que teve, negociou-a e a alcançou seu propósito. Fico imaginando quantas vezes Jacó deve ter sonhado com essa bênção e o quanto deve ter esperado pacientemente pelo momento certo de negociá-la até que pudesse abraçá-la.

Já Esaú era um homem emotivo. Vê-se isso pelas suas palavras, quando agira impulsivamente diante de um prato de sopa: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”. Agiu pela emoção daquele momento, sem considerar todas as bênçãos que futuramente os direitos garantidos pela primogenitura lhe trariam.

Fico pensando se Esaú já havia meditado sobre as responsabilidades que também estavam implícitas nessa bênção, pois a primogenitura não só concedia direitos, mas também responsabilidades. Privilégios e obrigações. Dupla porção da herança ou das propriedades do pai da família, mas também superioridade política, social e moral. O primogênito tinha de tomar importantes decisões na construção da comunidade. E por Esaú ter se demonstrado ser alguém impulsivo, certamente já havia pensado em todas essas coisas e avaliou que tantas responsabilidades eram muito mais que os privilégios.

Agir por impulsos tem levado tanta gente à bancarrota material e principalmente espiritual... Tantas bênçãos e oportunidades gloriosas têm passado por nós e nós as desperdiçamos, ou não as vemos, ou ainda não as podemos alcançar, simplesmente porque agimos impulsivamente, saímos da posição que nos pertence, nos afastamos e deixamos de ouvir a voz divina que nos direciona a fazer a coisa certa, ainda que esta pareça loucura ou impossível de ser.

Jesus era o primogênito de Maria. Ele foi impelido para o deserto e ficou quarenta dias e quarenta noites sem comer. Diferente de Esaú, que passou apenas uma manhã ou uma tarde, quem sabe um dia inteiro talvez, no campo. No campo há frutas, há água, há sombra. No deserto não. Esaú estava no campo. Poderia ter descansado, bebido e até comido frutinhas, possivelmente. Jesus, no deserto, não.

Ambos tiveram fome (Mateus 4.2; Gênesis 25.30).
Jesus teve fome quarenta vezes mais que Esaú.
Mas foi Esaú quem foi atrás da comida.
Jesus não.
Ele esperou que os anjos viessem Lhe servir (Mateus 4.11).
Jesus agiu pela Sua razão.
Ele sabia que tinha um propósito mais à frente e que era necessário suportar até o momento certo.
Esaú, não.
Esaú agiu pela emoção.
Não percebeu que o propósito do Senhor era infinitamente superior a um dia de fome ou a uma porção de pão com ensopado de lentinhas.

Para Jesus, o diabo apareceu em pessoa. Mesmo assim, Jesus manteve-se firme porque Seus olhos avistavam mais além do que aquelas pedras transformadas em pães para matar Sua fome, ou das glórias que Lhe seriam proporcionadas pelos reinos passageiros deste mundo (Mateus 4.1-11).

Para Esaú, nem mesmo foi preciso o diabo aparecer. Bastou este cochichar de longe que a primogenitura não poderia matar sua fome naquele dia, e ele abriu mão de uma glória que jamais sairá da história.

Por causa dessa mesma emotividade em excesso, muitas coisas têm sido distorcidas em nossas vidas, desde os tipos de culto que prestamos ao Senhor até as bênçãos ou maldições que vêm sobre nós. Agir por impulsos quase sempre acarreta consequências danosas sobre nós, porque não respeita a ordem natural das coisas e tampouco contribui o preparo necessário, a formação de uma estrutura que nos permita arcar com tudo o que Deus tem preparado para nós.

Quando a indecisão chegar, ou quando um desejo pessoal gritar dentro do seu coração, feche os seus olhos e busque do Senhor uma resposta racional, uma direção certa e bem estruturada pela Palavra de Deus. Busque em Jesus a maneira certa de agir, de falar, de pensar e formar opiniões.

Diferente da atitude de Esaú, Jesus já enfrentou o diabo frente a frente e saiu vencedor porque agiu pela razão. Ele é a melhor pessoa para nos ensinar o que fazer em momentos de conflito.