domingo, 15 de janeiro de 2012

Uma péssima ideologia!

A Bíblia em um ano:
Gênesis 45-50


“Assim diz o Senhor: ‘Não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem o forte em sua força, nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-Me e conhecer-Me, pois Eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que Me agrado’, declara o Senhor. ‘Vem chegando os dias’, declara o Senhor, ‘em que castigarei todos os que são circuncidados apenas no corpo...’.
Isaías 9.23-25


O filme 2012 (Roland Emmerich by Sony Pictures & Columbia Pictures Film, 2009) conta sobre a catástrofe do fim do mundo segundo a profecia maia, que prevê terríveis cataclismos a partir do dia 21 de dezembro deste ano, por ocasião do alinhamento dos planetas no sistema solar.

Embora a grande maioria das pessoas que assistiram o filme tenha atentado quase que totalmente às tragédias de proporções incalculáveis e às aventuras e desavenças dos atores principais, há uma ideologia de duplo sentido no filme, e que passa quase despercebida.

Por um lado, a maneira como os homens utilizam a ciência e toda a sua tecnologia à serviço da preservação da humanidade – e isso inquestionavelmente é importante e bom – prova que o conhecimento humano associado ao sentimento humano somam em grandes benefícios coletivos e grandes superações para o mundo.

Por outro lado – o lado ruim dessa ideologia – vemos a intenção de inculcar nas pessoas a certeza que nossa tecnologia e ciência são suficientes para nos livrar das terríveis consequências decorrentes de um “fim do mundo”, seja ele promovido naturalmente pelos eventos geográficos, seja ele promovido pela intervenção divina. É como se o autor e os produtores do filme quisessem declarar ao mundo: “Pode vir, fim do mundo! Nós temos uma ciência extremamente avançada, e com ela nós sobreviveremos!”

Não é de hoje que o homem pensa que pode superar tudo neste mundo. De fato – e com alegria nós reconhecemos isso – o homem tem uma capacidade extraordinária de sobrevivência que nenhum outro ser da natureza possui. Por causa da sua inteligência, capacidade de criar e recriar, facilidade de adaptar-se às mais diversas situações, capacidade de adaptar o meio às suas necessidades, e também graças à sua disposição de sempre recomeçar, a raça humana tem sobrevivido à duas intensas guerras mundiais, catástrofes naturais de proporções incalculáveis, pandemias de âmbito mundial, crises econômicas e sociais de caráter planetário, entre outras tragédias colossais. Mas isso não quer dizer que o homem tenha arranjado uma solução para o grande abismo em sua própria alma.

Há um vazio incontável dentro de cada ser humano, que só pode ser preenchido pelo Espírito de Deus, o Criador do homem. E esse é o mesmo Deus que prometeu um fim para este mundo e para seus sistemas maus (Mateus 24.35; Apocalipse 21.1). Por não ter a ocupação deste Deus em seu interior, muitos – e muitos e muitos – homens e mulheres da terra se enganam em confiar absurdamente no poder da ciência e dos avanços tecnológicos, como se estes pudessem lhes livrar da ira divina.

No famoso discurso “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, Jonathan Edwards (1703-1758) explicou essa verdade aos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno, tamanha era a veracidade contida em suas palavras, as quais com total fundamentação bíblica:

“Não falta poder a Deus para lançar os ímpios no inferno a qualquer momento. A mão dos homens não é suficientemente forte quando Deus se levanta. O mais forte deles não tem poder para resistir-lhe, e ninguém consegue se livrar de suas mãos. Ele não só pode lançar os ímpios no inferno, como pode fazê-lo com a maior facilidade. Muitas vezes, uma autoridade terrena encontra grande dificuldade em dominar um rebelde, o qual acha meios de se fortalecer e se tornar mais poderoso pelo número de seguidores que alicia. Mas com Deus não é assim. Não há força que resista ao seu poder. Mesmo que as mãos se unam, e que enormes multidões de inimigos do Senhor juntem suas forças e se associem, serão todos facilmente despedaçados. São como montes de palha seca e leve diante de um furacão, ou como grande quantidade de restolho perto de chamas devoradoras. Nós achamos fácil pisar e esmagar uma lagarta que se arrasta pelo chão. Achamos fácil também cortar ou chamuscar um fio de linha fino que segura alguma coisa. Então, é simples para Deus, quando lhe apraz, lançar seus inimigos no inferno profundo. Quem somos nós, que imaginamos poder resistir Àquele ante cuja repreensão a terra treme, e perante quem as pedras tombam? [...] Aí está o Inferno com a boca aberta. Não existe coisa alguma sobre a qual vós vos possais firmar e segurar. Entre vós e o Inferno existe apenas a atmosfera... Há, atualmente, nuvens negras da ira de Deus pairando sobre vossas cabeças, predizendo tempestades espantosas, com grandes trovões. Se não existisse a vontade soberana de Deus, que é a única coisa para evitar o ímpeto do vento até agora, serieis destruídos e vos tornaríeis como a palha da eira... O Deus que vos segura na mão, sobre o abismo do Inferno, mais ou menos como o homem segura uma aranha ou outro inseto nojento sobre o fogo, durante um momento, para deixá-lo cair depois, está sendo provocado em extremo... Não há que admirar, se alguns de vós com saúde e calmamente sentados aí nos bancos, passarem para lá antes de amanhã..." (Jonathan Edwards. Pecadores nas mãos de um Deus irado. Sermão pregado em 08 de Julho de 1741 em Enfield, Connecticut – EUA. LER NA ÍNTEGRA.)

O resultado desse sermão foi como se Deus arrancasse um véu dos olhos da multidão para contemplar a realidade e o horror da posição em que estavam. Nessa altura o sermão foi interrompido pelos gemidos dos homens e os gritos das mulheres; quase todos ficaram de pé, ou caídos no chão. Foi como se um furacão soprasse e destruísse uma floresta. Durante a noite inteira a cidade de Enfield ficou como uma fortaleza sitiada. Ouvia-se, em quase todas as casas, o clamor das almas que, até aquela hora, confiavam na sua própria justiça. Esperavam que, a qualquer momento, o Cristo descesse dos céus com os anjos e apóstolos ao lado, e que os túmulos entregassem os mortos que neles havia.

Esse fato foi, apenas, um dos muitos que aconteceram nas reuniões em que o Espírito Santo desvendava os olhos dos presentes para eles contemplarem as glórias do Céu e a realidade do castigo que está bem perto daqueles que estão afastados de Deus. E deveria estar acontecendo hoje também!

A Bíblia está repleta de exemplos de grandes reis e seus temíveis impérios que confiavam na sua própria força e se criam infalíveis, mas que foram derrotados vergonhosamente pelo poder de Deus. E a Bíblia está repleta de avisos e ensinamentos sobre a necessidade de deixarmos de crer no nosso próprio potencial como suficiente salvador para nós e nos entregarmos ao domínio e à sabedoria de Deus, nosso Criador, o único que pode nos salvar da condenação eterna.

Não vamos engrossar a parcela majoritária de pessoas que confiam na ciência e no poder do homem. Segundo a Palavra de Deus, enquanto neste mundo, o único fim para quem vive convicto da  autossuficiência humana é ser vazio como uma fonte seca e leve como uma folha varrida pelo vento. E, para o mundo vindouro, ser um condenado eterno.

Queremos ser salvos. Queremos ter Paz eternamente. Queremos ser felizes para sempre. Por isso, vamos confiar somente em Deus e depositar no Senhor toda a nossa esperança. Vamos viver neste mundo sem nenhum apego a nada que dele provenha, mas sempre com nossos olhos fixos nas coisas do alto.

E quando o fim chegar, sim, nós sobreviveremos! Não porque temos um grande potencial tecnológico e dinheiro para comprar nosso lugar nas arcas que os homens auspiciosamente venham construir, mas porque estaremos preparados para sermos recebidos pelo Senhor, em glória, nas alturas.


* Nota: 
Sobre o fim do mundo ou a volta de Cristo, não, não há data conhecida pelo homem para acontecer – Mateus 24.36-44. Nós, os salvos, não estamos esperando o fim do mundo, e sim o arrebatamento da Igreja. E isso pode ser a qualquer momento. Clique nos links abaixo para ler mais sobre as refutações bíblicas acerca do fim do mundo como os homens sem Deus estão prevendo:




* NOTA: Embora eu não concorde com a "teologia libertária" de Caio Fábio, precisamente por não haver base bíblica em muitas de suas teses, entendo, com apoio em 2Tessalonicenses 5.22, que o conteúdo deste vídeo é bom e deve ser aproveitado, pois faz correta defesa da fé daqueles que não se iludem com tantas especulações sobre o fim do mundo, mas esperam ansiosamente pela volta de Jesus Cristo, nosso Senhor, o qual é fiel em todas as Suas Palavras e digno de toda glória, para sempre. Amém!