terça-feira, 6 de março de 2012

O Referencial

A Bíblia em um ano:
Josué 21-24


By Elaine Cândida, com imagens do Google.


"Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. Portanto, fortaleçam as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes. "Façam caminhos retos para os seus pés", para que o manco não se desvie, mas antes seja curado. Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.”
Hebreus 12.11-14

Há uma turma na escola em que eu trabalho, que está (temporariamente) sem professor. Como a escola trabalha com sistema de plantão, no contraturno os professores seguem uma escala e, uma vez por semana, ficam à disposição da coordenação pra assumir uma sala de aula caso falte um professor ou, por algum motivo, este precise ausentar-se.

Ontem foi minha vez enfrentar aquela turma de 2º ano (do Ensino Fundamental de 9 anos), que está praticamente abandonada à própria sorte em termos de liderança. Cada professor que entra ali tem seu estilo próprio de trabalhar. Nesse sentido, os alunos ficam sem um referencial, alguém em quem possam se espelhar e acompanhar mais de perto por um tempo maior, como quando há um professor regente.

Carece urgentemente que se encontre um professor que queira assumir a turma. Quando isso acontecer, elas serão submetidas à direção daquele professor e logo a indisciplina deixará de ser uma constante na classe.

Duas professoras já passaram por lá somente em um mês de aula, mas não permaneceram. A primeira perdeu totalmente o domínio da sala (aliás, penso que nunca o teve ali, mediante o baixo grau de compromisso com a turma que seu comportamento denunciava). Por isso, essa professora precisou ser substituída. Já a segunda professora não quis aceitar o desafio. Diante de 36 alunos, entre 7 e 8 anos de idade, que não estão alfabetizados, ela “tremeu nas bases” e abriu mão do trabalho, que durou apenas uma semana. Perdeu completamente o foco da educação que é realizar grandes obras em pessoas aceitando e vencendo desafios.

Quando entrei na sala, percebi que havia muito de “eu quero assim, por isso a senhora deve fazer assim” na concepção da maioria dos alunos. Alguns deles, inclusive, já se sentiam praticamente os mentores dos passos da turma. Parecia um grupo de rebeldes revolucionários, guiado por algumas mentes brilhantes que foram rejeitadas pela sociedade por causa dos seus comportamentos “insociáveis”, querendo me fazer refém. (Risos...)

Mas trata-se apenas de crianças!

No fundo, no fundo, elas estão – como já dito – sem um referencial, um professor que lhes acompanhe dia após dia e lhes dê normas, limites, mostrando-lhes um caminho melhor: o da dedicação e da responsabilidade para com os estudos, e cultivando nos seus corações o interesse pelos resultados importantes e maravilhosos que a educação produz.

Fico pensando como as regras são importantes para nós!

O ser humano, por sua própria natureza, necessita de regras, de limites, de orientações. Precisa de alguém superior que possa lhe apontar o caminho e seguir consigo nesse caminho, passo a passo, garantindo que não se desvie dele nem fique prostrado quando tropeçar e, eventualmente, cair.

Fico pensando em como é importante para nós termos alguém em quem nos espelhar!

Alguém que tenha firmeza em suas palavras, sabedoria em suas decisões, testemunho reto, que saiba o que está fazendo e inspire segurança nos demais. Não há como não lembrar de Jesus como sendo esse referencial prefeito para nós!

Suas palavras, Seu testemunho, Suas atitudes, Seu caráter. Tudo em Cristo nos traz confiança que podemos seguir Seus passos com segurança, certos que Ele não errará o caminho, não nos decepcionará, não nos deixará perecer.

Basta Lhe entregarmos a direção e deixarmos que Ele (Jesus) dite as regras. Ele sempre traz uma novidade, uma proposta de superação e, junto a isso, a certeza que vale à pena nos submeter ao Seu poderio e sabedoria.

Ontem tive a oportunidade de dar àquelas crianças um pouquinho do que tenho aprendido com o Senhor. Tive a oportunidade de ajudá-las a valorizar regras e a confiar em mim para que a aula seguisse com aproveitamento satisfatório para todos.

No início, elas tentaram me tratar como se eu fosse alguém da idade delas e com as mesmas aspirações que elas (brincar, brincar, e brincar de novo). Mas imposição e novidades foram critérios fundamentais para que elas me respeitassem e seguissem minhas direções. Em vez de satisfazer as vontades delas, eu lhes apresentei uma proposta mais interessante: aprender o que elas precisavam.

Não tive muito tempo para isso, mas as quatro horas que ficamos juntos, foram bem aproveitadas e com conteúdo dentro da realidade do nível delas, inclusive com tarefas diferentes para alunos que não conseguem acompanhar a turma. Estivemos conversando (finalmente) a mesma linguagem. E elas responderam à altura: comportaram-se durante toda a aula, a ponto de eu poder ausentar-me por duas vezes e elas permanecerem sentadas e concentradas nas atividades propostas (para surpresa de toda a escola e dos professores que fizeram chacotas, dizendo que eu deveria levantar um clamor antes de entrar naquela sala).

Bastou que eu permanecesse no comando e lhes provasse que eu tinha capacidade para isso. Confiantes, elas simplesmente seguiram meus passos.


"Obrigada por Jesus, meu Deus! Como é bom para nós termos um referencial tão perfeito e santo, tão seguro e sábio! Como é difícil a vida longe dEle! Mas, Pai de amor, ainda há tantas pessoas que ditam suas próprias regras, seguem seus próprios corações obstinados. Ajude o Teu povo a influenciar essas vidas e mostrar quão glorioso é habitar no esconderijo do Altíssimo e permanecer à sombra do Onipotente. Em nome de Cristo, o nosso Mestre, estenda a Tua mão sobre elas e mantenha-a estendida sobre nós também. Amém."