quinta-feira, 28 de junho de 2012

Gaiolas abertas

A Bíblia em um ano:
Salmos 100-103


By Elaine Cândida, com imagens do Google.

“Antes, quando vocês não conheciam a Deus, eram escravos daqueles que, por natureza, não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por Ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez?”
Gálatas 4.8-9

Certa missionária evangélica ascendeu e passou à grande reputação no meio cristão. Mas, por algum motivo que desconhecemos, aquela mulher aparentemente forte e decidida no caminho da salvação, de repente, caiu em adultério, e não com outro homem mas sim com outra mulher. A missionária voltou à prática do lesbianismo que, por muitos anos, maculou seu passado e do qual ela havia sido liberta.

Em entrevista, a referida missionária declarou: “Eu me apaixonei por uma mulher, fui tentada e caí em pecado. Houve um envolvimento sentimental muito forte que, infelizmente, mexeu com meu passado de homossexualismo. Mas fico triste quando alguém diz que eu nunca mudei de fato e que enganava as igrejas. Isso é mentira. Jesus realmente me libertou de uma gaiola até a alguns meses, mas eu fui presa lá de novo.” [1]

Quando concedeu essa entrevista, a missionária estava se reabilitando espiritualmente, se reerguendo outra vez. Todos aplaudiram sua decisão de se levantar e prosseguir com Jesus. Mas recentemente, cerca de dez anos depois desse fato, a mesma missionária ressurge, agora assumidamente lésbica, convivendo com “a mulher que ama”. E pastoreando uma igreja para homossexuais. [2]

Não queremos aqui discutir o fato da referida missionária – agora pastora homossexual – fundar e dirigir uma congregação vivendo em adultério com sua parceira, uma vez que no Brasil, o casamento gay não é reconhecido legalmente e ainda menos tem a bênção do Senhor. Tampouco queremos discutir o fato de que a referida missionária (bem como sua parceira) precisa voltar-se aos princípios do Evangelho cristocêntrico, e rejeitar completamente esse evangelho antropocêntrico que ela escolheu seguir quando escolheu satisfazer aos desejos da sua carne.

O enfoque dessa breve meditação de hoje trata da nossa dificuldade em sermos, de fato, libertos. O caso dessa missionária não é um fato isolado. Exemplos de idas e vindas como esse são mais comuns do que pensamos. Aliás, creio que podemos dizer que são a nua e crua realidade das nossas vidas: Ontem estávamos felizes, e hoje gememos de dor em nossas almas. Ontem estivemos satisfeitos, mas hoje uma insatisfação ferirá quase mortalmente nossos corações. Agora adoramos, daqui a pouco murmuraremos. Agora bendizemos e daqui a pouco amaldiçoaremos. Hoje cremos, e amanhã... só Deus sabe!

Nós saímos da gaiola por um tempo, mas a portinha permanece aberta. E quando as coisas começam a nos assombrar aqui, do lado de fora, logo encontramos de volta o caminho para dentro da gaiola e pensamos que ali estaremos seguros.

Melhor nos refugiar num quarto escuro que enfrentar os olhares zombeteiros daqueles que querem nos ver no fundo do poço, não é? Melhor nos trancar em nosso mundinho de pecados e prazeres carnais do que lidarmos com críticas e questionamentos de gente que, em vez de ajudar, atrapalha ainda mais pela sua falta de sabedoria no lidar com nossas fraquezas, não? Mais fácil é assumir nossas fraquezas e nos afundarmos nelas do que corrermos o risco de falharmos mais uma vez e termos de assumir mais uma vez nossas vergonhas, não é?

É que para nós, acostumados a nos preocupar com tudo o que este mundo (inútil) pensa a nosso respeito, sempre nos parece ser a melhor solução retornarmos para dentro da gaiola...

E é precisamente por isso que devemos recorrer a Cristo, convencidos que dependemos tanto Dele e do Seu poder, se realmente queremos uma libertação. Se, de fato, queremos ser libertos, não haverá outra saída para nós, a não ser nos entregar sem reservas aos cuidados do Senhor, por mais que isso doa e maltrate nossa natureza carnal e pecaminosa.

O Senhor está disposto a levar os Seus justos outra vez. Ele está pronto a segurar-lhe pela mão e recolocá-lo ao seu lugar de honra. Por isso, as quedas não devem ser tratadas como motivos para ficarmos prostrados na lama, mas como oportunidades de experimentarmos um mais glorioso recomeço com o abraço amoroso do Pai. “Pois ainda que o justo caia sete vezes, tornará a erguer-se, mas os ímpios são arrastados pela calamidade” (Provérbios 24.16 – Lembre-se que justos não são pessoas perfeitas; são, sim, pecadores arrependidos e confessos, entregues com todas as suas falhas e medos aos pés do Altíssimo, enquanto que ímpios são aqueles que viram as costas para o Senhor e esnobam Sua graça, justiça e poder, sendo arrastados cada vez mais para longe pelas calamidades da sua arrogância e ingratidão).

Se realmente queremos viver a vida de Deus, nossa entrega deve ser plena a Jesus e totalmente fundamentada pela fé. Porque depois de nos tirar da gaiola, o Senhor não apenas fechará a porta para que não haja mais o risco de alguém abri-la e nos tentar outra vez.

Com Sua mão poderosa, o Senhor simplesmente retirará a gaiola de lá.


[1] Lanna Holder
[2] Comunidade Cidade Refúgio