segunda-feira, 25 de junho de 2012

Restos para depois...


A Bíblia em um ano:
Salmos 92-96

“Eu oro a Ti, ó Deus, porque Tu me respondes. Por isso ouve-me, escuta as minhas palavras.”
Salmos 17.6


Como é frustrante matar um dia de serviço para resolvermos nossas coisas, andarmos desde cedo até a tarde e voltarmos para casa com todas as coisas encaminhadas pela metade. Ninguém deu certeza de nada. Ninguém resolveu nada no momento. Todos deixaram restos para depois. Que lástima!

E impressiona refletirmos que mesmo sabendo o quanto somos incompetentes e nossos sistemas falhos, mesmo assim nós queremos resolver tudo do nosso jeito, lutamos com Deus, damos as orientações.

Vamos exemplificar isso com uma história a que o mundo inteiro tem acesso. Vamos falar sobre Ló.

Quando os dois anjos do Senhor foram à casa de Ló para salvá-lo (e também à sua família – Gênesis 19), Ló recebeu ordens para ir para as montanhas (v.17), “mas Ló respondeu: ‘Senhor, não me obrigue a fazer isso, por favor! O Senhor me fez um grande favor e teve pena de mim, salvando minha vida. Mas a montanha fica muito longe daqui, e a destruição vai me alcançar e acabar comigo antes que eu chegue lá. Está vendo aquela cidadezinha ali? Ela fica perto. Deixe que eu fuja para lá a fim de salvar a minha vida. Veja que é uma cidade bem pequena’.” (v.18-20)

Deus queria levar Ló para o alto, mas seu comodismo e autossuficiência lhe induziram não somente a aceitar a direção do Senhor como também a apontar-Lhe outra alternativa que considerava mais eficaz e viável.

Deus permitiu, apenas para que Ló experimentasse do veneno da sua própria altivez. Zoar, para onde Ló escolheu ir, era uma cidade da extremidade sudeste do Mar Morto, que agrupada com Sodoma e Gomorra fazia parte do conjunto das cinco cidades destinadas por Deus à destruição. Por Ló ter suplicado a Deus e desejado esconder-se lá, o Senhor não a destruiu.

Talvez (talvez, pois a Bíblia não atesta essa minha suposição), foi ali, em meio aos valores distorcidos e corrompidos do povo de Zoar, que as filhas de Ló tenham aprendido a incestar, como se isso fosse um comportamento normal e correto quando o perigo de não haver outro homem para procriar com elas fosse iminente (Gênesis 19.23-38).

Talvez muitas situações em nossas vidas já tivessem sido resolvidas se, em vez de confiarmos em nós mesmos ou nos outros, confiássemos mais em Deus e no Seu poder. Confiar e obedecer são sempre a culminância de qualquer discurso acerca da nossa relação com o Senhor. E é justamente por causa da nossa teimosia, muitas coisas saem errado, saem pela metade, ou nem saem...

Não vamos mais tentar negociar com o Senhor. Vamos deixá-Lo cuidar e resolver as nossas vidas conforme a Sua boa, perfeita e agradável vontade. Vamos parar de orientar o Senhor e de colocar nossa esperança em coisas e pessoas. Porque todo esse tempo vivendo assim já foi suficiente para percebermos que as soluções estão sempre ficando por fazer ou sendo feitas pela metade.

A única coisa que consola é saber que Deus não deixa nada para depois e nem resolve nada pela metade. Por isso mesmo, Ele não resolve nada quando nós achamos que Ele deve nem do jeito que achamos que deva ser. Ele sabe que se fizer isso, muitas partes ficarão por resolver, e Deus não será mais Deus, o Senhor, Aquele que é eternamente digno de louvor por tanta honra e perfeição que tem.