segunda-feira, 23 de julho de 2012

35, 36... 37!


A Bíblia em um ano:
Eclesiastes 5-8

Imagem: Google.

 

“Assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: ‘Ele não entrará nesta cidade e não atirará aqui uma flecha sequer. Não virá diante dela com escudo nem construirá rampas de cerco contra ela. Pelo caminho por onde veio voltará; não entrará nesta cidade’, declara o Senhor. ‘Eu defenderei esta cidade e a salvarei, por amor de Mim e por amor de Davi, Meu servo!’ Então o anjo do Senhor saiu e matou cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento assírio. Quando o povo se levantou na manhã seguinte, só havia cadáveres!”
Isaías 37.33-36


Isaías 35 traz uma promessa linda do Senhor para o Seu povo:

1. O deserto e a terra ressequida se regozijarão; o ermo exultará e florescerá como a tulipa;

2. irromperá em flores, mostrará grande regozijo e cantará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, como também o resplendor do Carmelo e de Sarom; verão a glória do Senhor, o resplendor do nosso Deus.

3. Fortaleçam as mãos cansadas, firmem os joelhos vacilantes;

4. digam aos desanimados de coração: "Sejam fortes, não temam! Seu Deus virá, virá com vingança; com divina retribuição virá para salvá-los".

5. Então se abrirão os olhos dos cegos e se destaparão os ouvidos dos surdos.

6. Então os coxos saltarão como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria. Águas irromperão no ermo e riachos no deserto.

7. A areia abrasadora se tornará um lago; a terra seca, fontes borbulhantes. Nos antros onde outrora havia chacais, crescerão a relva, o junco e o papiro.

8. E ali haverá uma grande estrada, um caminho que será chamado Caminho de Santidade. Os impuros não passarão por ele; servirá apenas aos que são do Caminho; os insensatos não o tomarão.

9. Ali não haverá leão algum, e nenhum animal feroz passará por ele; não se acharão ali. Só os redimidos andarão por ele,

10. e os que o Senhor resgatou voltarão. Entrarão em Sião com cantos de alegria; duradoura alegria coroará suas cabeças. Júbilo e alegria se apoderarão deles, e a tristeza e o suspiro fugirão.

Mas no capítulo 36 do mesmo livro, vemos o diabo – tipificado na figura de Senaqueribe, rei da Assíria – tentando frustrar a bendita promessa do Senhor.

Só que ameaças apenas não eram suficientes para intimidar Israel, um povo acostumado a enfrentar dificuldades e sempre ser atendido quando recorria humilde e quebrantadamente aos pés do Senhor. Então, a estratégia satânica muda: a figura de Deus é subestimada pelo opressor. O Deus dos céus e da terra é comparado aos deuses de pedra e de madeira, e acusado pelo comandante do exército assírio de ser frouxo e insignificante. E isso foi feito com o único interesse de desestimular a fé daquele povo.

A intenção era causar uma confusão aqui. E confusões são as especialidades do diabo. Ele sabe do estrago que uma mente confusa é capaz de fazer. Mentes confusas não acreditam em nada. Ficam cegas para toda verdade. Provocam grandes tempestades em copos d’água. Recusam-se a ouvir, a entender, a compreender. Recusam-se a falar, a se abrir. Mentes confusas se afastam, se fecham, emudecem. E esse é precisamente o estágio que precisamos atingir para que Deus cesse o Seu agir e atrase (ou até mesmo anule, em alguns casos) o cumprimento dos Seus propósitos. (Deus não muda, mas Seu comportamento face às respostas que damos a Ele, sim.)

O que o comandante do exército assírio (como um demônio que coloca seu dedo no ouvido de um santo) queria era desapontar o povo para com Deus e apontar-lhes outra direção, de forma a desviar sua visão do propósito de Deus, fazendo Israel descrer do poder do Altíssimo, da Sua grandeza, da Sua sabedoria para mudar circunstâncias e abençoar situações mesmo contra qualquer possibilidade.

Parecia uma terrível impossibilidade dar certo, não? Parecia que o povo, intimidado, finalmente estava nas mãos de Senaqueribe. Assim como parecia (ou, antes, parece) que as promessas de Deus em nossas vidas não estão se cumprindo direito. Parece que aquele filho jamais retornará ao lar. Parece que aquelas feridas da alma jamais serão curadas. Parece que as questões entregues nas mãos do Senhor estão demorando demais para serem resolvidas. Parece sim, diante de tudo o que o maligno tenta impor às nossas mentes todos os dias.

Se ele (o diabo) conseguir desviar nossa atenção do poder de Deus sobre o impossível por um segundo sequer, esse segundo será tempo suficiente para frustrar toda a motivação das nossas vidas e desiludir-nos dos anseios mais caros que o próprio Senhor já colocou em nossos corações.

Mas para quem conhece o caminho da dependência de Deus – o Deus vivo –, a sequência é sempre a mesma: Deus faz uma promessa (capítulo 35), o diabo vem e tenta atrapalhar tudo (capítulo 36), mas Deus cumpre sempre mais do que prometeu. E no capítulo 37 de Isaías, o rei Ezequias – consciente que o diabo trabalha sorrateiramente assim mesmo – não se intimidou, mas guerreou  com as armas do Espírito e desceu em oração e humilhação diante do Senhor. Sua oração foi uma das mais expressivas e apropriadas da Bíblia. Vale à pena transcrevê-la:

Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, cujo trono está entre os querubins, só Tu és Deus sobre todos os reinos da terra. Tu fizeste os céus e a terra. Dá ouvidos, Senhor, e ouve; abre os Teus olhos, Senhor, e vê; escuta todas as palavras que Senaqueribe enviou para insultar o Deus vivo. É verdade, Senhor, que os reis assírios fizeram de todas essas nações e de seus territórios um deserto. Atiraram os deuses delas no fogo e destruíram, pois em vez de deuses, não passam de madeira e pedra, moldados por mãos humanas. Agora, Senhor nosso Deus, salva-nos das mãos dele, para que todos os reinos da terra saibam que só Tu, Senhor, és Deus.” (Isaías 37.16-20)

Curta, sincera e objetiva. Foi uma oração assim que fez o Eterno levantar-Se do Seu Trono e responder com glória aos ataques contra Seu povo. Confusão desfeita, alegria no arraial do povo de Deus.

Porém, não nos iludamos: Aqueles dias contados desde o momento da chegada do exército assírio até a vitória do Senhor certamente pareciam uma eternidade para o povo israelita. Quanta angústia deve ter passado. Quanto tempo deve ter chorado e clamado. Quanta dor e ansiedade deve ter se esforçado para suportar. Até que, enfim, a resposta veio para Israel.

E fica o exemplo do que acontece quando nosso relacionamento se firma sobre os alicerces da entrega e da confiança em Deus, o Senhor. Alguns minutos, algumas horas, alguns dias, meses ou até anos, talvez. Essa pode ser a eternidade da nossa espera. Mas em tempo oportuno do Senhor vem o socorro. Das Suas mãos a provisão chega. Da Sua boca a resposta perfeita vem. E a ordem e a Paz se restabelecem em nossos corações outra vez.

Daqui a pouco terminaremos a leitura do capítulo 36 em nossas vidas. E a nós também Deus surpreenderá com a resposta que nos dará no capítulo seguinte.