domingo, 29 de julho de 2012

Aclives e declives


A Bíblia em um ano:
Isaías 2-5

By Elaine Cândida.


“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.
2Coríntios 2.16-18


O planalto central não tem montanhas. Porém, de alguns pontos mais altos é possível observar lindas paisagens ao longe, em regiões menos elevadas.

Há pouco eu estava dentro de um ônibus, retornando para casa, e contemplando cenas assim. Num momento eu estava em um plano mais alto, deliciando-me com a paisagem árida  porém deslumbrante que mesclava harmoniosamente o verde e a poeira, a vida e a infertilidade, a beleza e a sequidão em mais um espetáculo do inverno centroestino. Noutro momento, a pista entrava em declive, e logo o encantamento fugia do alcance da minha visão. Tudo o que eu via eram cerrado e mais cerrado. Visão limitada. Pouco a se contemplar. Menos ainda a descrever.

E quando eu começava a me acostumar com aquela cena monótona, começava outro aclive. Lá estava, bem diante dos meus olhos, outra vez, um banquete da perfeição dos horizontes, que em segundos sumiria de novo de diante de mim. Às vezes, até era possível revê-los ao longe, de relance, entre um e outro morrinho que resistiu à interferência do asfalto.

E nessa brincadeira (de gente grande que insiste em não perder a glória de ver a vida com olhos de criança), alguns minutos tão suaves remeteram meus pensamentos à certeza que os lugares baixos por onde nossas vidas passam também beijam aclives que estão logo à frente...

Num momento, estamos tão felizes, tão perto das realizações, tão cheios de disposição e alegria, que até contagia. Num momento, as nuvens parecem pequenos pedaços de algodão-doce que colhemos com as próprias mãos. De tão altos que nos sentimos, caminhamos no próprio céu. O sol irradia dentro de nós. As estrelas reverenciam nossa dança com a vida e o universo nos aplaude de pé.

E no momento seguinte, a música se acaba, a platéia suspende seus sorrisos e olhares admirados, e sai. O céu se encerra por detrás de gigantescas portas de bronze, negando-nos um minuto sequer do seu esplendor. Uma tristeza tão profunda nos arrebata, e tudo o que sobra são os suspiros de solidão, espera e sonhos adiados ou frustrados.

Muitos deles, é certo, não constam realmente no rol dos planos de Deus para nós, pelos mais diversos motivos, dos quais o maior e mais correto é que o Eterno tem outros planos ainda melhores e mais necessários que aqueles. Outros, porém, são promessas, planos que já conhecemos ou dos quais pelo menos já ouvimos falar, e cujo cumprimento ansiosos esperamos. “Planos de paz, e não de mal” (Jeremias 29.11).

Vê-los de relance ou simplesmente ter a oportunidade de fixarmos nossos olhos neles por um bom tempo é algo que nos causa vislumbre, alegria e desejo. Esperar por eles é que, via de regra, nos faz sofrer.

Mas sonhos e promessas vêm e vão. Realizações acontecem ou cessam. Ganhos e perdas. Sorrisos e dores. Altos e baixos. Eis o percurso da vida, meu caro amigo...

Consola saber que, pelo menos, estamos indo a algum lugar. E se Jesus é o nosso motorista, chegaremos em segurança e chegaremos no tempo certo. Manter a fé enquanto enfrentamos subidas e descidas na vida faz toda a diferença.

Pois mesmo contemplando tão belas paisagens e sonhos ficando para trás durante a caminhada, ou mesmo vivendo intensamente os que foram realizados, nenhum deles é maior ou melhor que a promessa do nosso Divino Motorista: A de levar-nos definitivamente de volta para casa.