sábado, 28 de julho de 2012

Conselho de um forte


A Bíblia em um ano:
Cântico dos Cânticos 6-8
Isaías 1


Imagem: Google.


“Entregue suas preocupações ao Senhor, e Ele o susterá; jamais permitirá que o justo venha a cair.
Salmos 55.22


O salmista que nos deu o conselho acima começou esse cântico com um grito de desespero, assim:

“Escuta a minha oração, ó Deus, não ignores a minha súplica; ouve-me e responde-me! Os meus pensamentos me perturbam, e estou atordoado diante do barulho do inimigo, diante da gritaria dos ímpios; pois eles aumentam o meu sofrimento e, irados, mostram seu rancor. O meu coração está acelerado, os pavores da morte me assaltam. Temor e tremor me dominam; o medo tomou conta de mim.” (Salmos 55.1-5)

Não é intrigante essa forma de um justo lidar com o sofrimento?

Do caos surge uma resposta que orienta. Sobre a terra negra que enterra nossa alma em dores nascem flores que perfumam, enfeitam e alegram o caminho do passante que chora uma perda. E o soldado em campo, cujas forças já se esvaíam, ergue a cabeça e se arrasta mais um pouco, puxando seu companheiro ferido pela farda ensanguentada, até que ambos caiam numa trincheira, onde estarão mais seguros até o socorro chegar.

Jó foi um desses exemplos, em que a força física esvaía-se conforme avançavam os seus dias e se multiplicava o sofrimento, mas a sua força interior persistiu, ainda que em meio a terríveis frustrações com a vida. E do meio das cinzas das suas muitas angústias, ele ainda pôde abençoar seus amigos acusadores e trazer sobre eles a bênção do Deus Vivo (Jó 42.7-10).

Aliás, mesmo a acusação de Elifaz contra Jó traz-nos grande consolo e reafirma sobre essa grandeza que há na vida de um justo diante do Senhor Deus. O amigo de Jó queria encontrar uma explicação para seu sofrimento. Acusava-o de estar passando por todas aquelas tribulações por causa do seu pecado, das suas muitas culpas: “Reflita agora: Qual foi o inocente que chegou a perecer? Onde os íntegros sofreram destruição?” (Jó 4.7). Mas Jó era íntegro, era realmente inocente, e isso foi testificado pelo próprio Deus (Jó 1.8; 2.3).

De fato, é motivo de reflexão, pois os justos não perecem, não sofrem destruição. Passam por muitas aflições, sofrem grandes (e irreparáveis) perdas, mas não são destruídos. Eles persistem em força diante do seu Senhor. E mesmo que seus corpos sejam mortos aqui, suas vidas permanecem, suas histórias continuam na eternidade, com troféus de vida eterna em glória, os quais ninguém mais poderá lhes tomar.

“Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas. [...] Foi Deus quem nos preparou para esse propósito, dando-nos o Espírito como garantia do que está por vir.” (2Coríntios 5.1,5)

Jó, Paulo, Jesus, eu você... Tantos soldados em campo de batalha, flores esmagadas, crianças sozinhas em meio ao caos. Horrores, dores, prantos. Talvez alguns de nós já estejam tão acostumados a isso que até se impressione e não tenham tanta facilidade em lidar com mudanças. Mas é preciso prosseguir para o alvo. A força que nos renova a cada manhã e nos dá uma palavra de ânimo para compartilhar com alguém (tanto quanto ou) ainda mais necessitado que nós, é a mesma força que nos sustenta de pé para esperarmos mais um dia por socorro ali, dentro das nossas trincheiras.


É incrível! A força que o Espírito Santo faz brotar dentro de nós nos sustenta nos momentos difíceis e nos faz, ainda que, como rosas despedaçadas, ter sempre um perfume a oferecer, inclusive à mão que nos esmaga.

Mas essa condição nada mais é que fruto de uma experiência diária com o Senhor, que faz da adoração uma necessidade e não mais um ritual, da fé um relacionamento muito além de uma doutrina, da busca por Deus e da nossa entrega a Ele um prazer e não mais uma ordenança.