terça-feira, 31 de julho de 2012

Fazendo bem mal


A Bíblia em um ano:
Isaías 6-9

By Elane Cândida.


“Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.
1Pedro 2.15


Nós não praticamos o bem quando falamos mal do irmão caído. Também não o fazemos quando denegrimos a imagem de pastores corrompidos. Tampouco agimos bem maldizendo e apontando os erros da Igreja com desdém.

Nós não praticamos o bem quando escolhemos frequentar uma instituição religiosa e mantemos nossos corações fechados para a verdade nela ensinada. Não praticamos o bem quando não priorizamos Jesus e a implantação do Seu caráter em nós. Não fazemos bem rejeitando sermos submissos à vontade do Eterno Pai em detrimento da nossa.

Não praticamos o bem orando por quem precisa de pão sem, contudo, partilhar com ele o nosso pão. Não fazemos o bem desejando vingança, guardando mágoas, tentando fazer justiça com as próprias mãos. Ainda menos fazemos o bem mentindo, fingindo, manipulando, nos omitindo, ignorando.

Não, nós não praticamos o bem querendo sempre ter a preferência em tudo, deixando o outro muitas vezes com nada. Não fazemos bem pensando que somos melhores que alguém, por mais talentos e virtudes que tenhamos. Nós não fazemos o bem usando a liberdade que temos como desculpa para fazermos o que bem queremos, inclusive desobedecendo umas leis e distorcendo outras para satisfazer nossos próprios interesses.

E de tantas outras maneiras vivemos iludidos, pensando estarmos fazendo o bem mas, na verdade, estamos apenas reproduzindo a hipocrisia que nos mantém convencidos que estamos crescendo, enquanto outros se convencem que estão nos dando crescimento. E em vez de silenciar a ignorância dos descrentes, nós muitas vezes servimos de estímulo para ela.

Judas foi fiel com seu corpo, mas traiu Jesus com seu coração. Pedro Lhe defendeu com palavras e negou-Lhe com atitudes. Era bom que pudéssemos lembrar quantas vezes nós traímos o Senhor também. Num culto nós guardamos a memória de Jesus morrendo em nosso lugar, e no decorrer da semana guardamos a injúria cometida por um irmão contra nós. Lemos a Bíblia de capa a capa e até memorizamos versículos, mas o Evangelho que pregamos com tantas palavras fica escondido atrás do excesso das nossas atitudes egoístas e frias. A moeda é diferente, o tempo é distante, mas a hipocrisia permanece escondida em nosso rosto tal qual no de Judas ou de Pedro.

Contudo, temos a mesma oportunidade que eles tiveram, só que Judas não soube aproveitá-la e teve um triste fim (Mateus 27.1-10). Pedro, porém, mesmo com suas fraquezas, “O seguiu de longe” (Marcos 14.53-54). E mesmo tendo negado Jesus por três vezes, rendeu-se ao Senhor quando Este retornou à vida. E então, Pedro ganhou nova vida.

Esse mesmo Pedro aprendeu que não é fugindo dos conflitos que nós os venceremos. Tampouco é descendo espada em quem nos ameaça que sairemos ilesos de uma situação de risco. Ele aprendeu a pagar o mal com o bem e a submeter sua vontade à vontade do Senhor. E pela sua sensatez e perseverança em aprender com Deus, Pedro tornou-se um dos homens mais extraordinários que já pisou nessa terra.

Um exemplo real de renúncia, transformação e exaltação para quem insiste em viver de aparências com Cristo.