terça-feira, 24 de julho de 2012

No Céu e na terra

A Bíblia em um ano:
Eclesiastes 9-12



“[...] Pois o Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.”
Josué 2.11


Fique vermelha, cara sem vergonha!

Imagem: Google.
Raabe, uma ímpia, viu o que a maioria dos cristãos assegura com palavras e nega com atitudes: Que o Senhor é Deus em cima nos céus e embaixo na terra. (Josué 2.11)

Aquela imagem de um Deus tirano, vingativo e impiedoso, que fica assentado sobre um trono inalcançável no Céu, observando um exército de vermes aqui na terra, amontoando-se uns sobre os outros e todos sobre uma carniça, disputando cada milímetro que dela podem, numa luta árdua pela sobrevivência, para se sustentar e não se tornar comida de um predador qualquer, com o único objetivo de completar seu ciclo evolutivo e chegar ao seu estágio mor: uma mosca pronta.

Parece nojento (e, de fato, é!), cruel e até irracional demais para comparar o ser humano, mas é exatamente assim (só que com outras palavras mais brandas) que muitos cristãos se vêem e vêem o Senhor Deus. Para essas pessoas, Deus é o Senhor nos céus, mas na terra parece que estamos entregues à nossa própria sorte, embora sejamos frequentadores assíduos de uma denominação religiosa.

O Deus que com palavras criou todo o universo e tudo o que nele há (Gênesis 1.1), que deu nova forma à terra e organizou tudo o que nela existe em seu devido lugar (Gênesis 1.2-31, 2.1), soprou num pedaço de barro moldado e colocou vida dentro dele, formando o ser mais extraordinário de toda a criação (Gênesis 2.4-25). Um Deus assim não poderia dar um pouco mais de atenção às nossas vidinhas aqui?

Muita gente vive como se Ele não pudesse...

Então, vamos falar mais um pouco sobre Ele – talvez isso te convença. Extravagante, criativo, ousado. Assinar cada ser que existe não Lhe bastaria para convencer o homem sobre a Sua excelência, sabedoria, grandeza e poder. Então, um mar foi dividido ao meio, água brotou da rocha, comida saudável caiu do céu diariamente e sustentou multidões no deserto por décadas. Sol e lua pararam por algumas horas. Adolescente enfrentou e matou o gigante que amedrontava um exército inteiro. Trezentos homens derrotaram um exército de trinta e dois mil soldados fortemente armados. Pela oração de um profeta fogo caiu do céu e consumiu holocausto e água, e pela oração de outro que estava dentro da barriga de um grande peixe, este o cuspiu em terra firme. Leproso foi curado ao mergulhar sete vezes num rio sujo. Ossos secos retornaram à vida e um forte exército ergueu-se dentro de um vale. Sinais, maravilhas, milagres. Coisas que nós jamais poderíamos imaginar ou sentir.

Mas muitos corações cristãos ainda não compreendem que os atributos desse Deus são imensuráveis. O Senhor da Glória, embora já Se tenha feito homem e habitado entre nós, andado como um de nós e morrido pior do que qualquer um de nós, ainda é visto como um ser intocável, amedrontador. E um legalismo gradativamente preenche com a lava da incredulidade o grande abismo entre o homem e Deus.

É como se o Deus que ressuscitou mortos, transformou água em vinho, com alguns “sins” curou doentes de enfermidades incuráveis, andou sobre as águas, acalmou terríveis tempestades com uma ordem apenas, alimentou multidões de milhares com dois peixes e cinco pães – entre tantas outras coisas extraordinárias que fez –, não pudesse tocar nossos corações doloridos e sará-los, perdoar nossos erros, reestruturar-nos outra vez.

Mas Deus não é Deus somente nos céus. Ele também o é na terra. Sua glória enche os céus, enche a terra, e não sobra lugar para outro deus. Contudo, nossa visão muitas vezes ainda não O consegue enxergar em dias nublados. Nossos medos parecem urrar mais alto que o som da voz do Deus que pisou sobre a cabeça do próprio diabo. Nossos conflitos parecem se agigantarem diante Daquele que está assentado sobre o globo da terra, e cujos moradores são para Ele como gafanhotos (Isaías 40.22). E nossos pecados parecem ter mais poder do que a força do amor que deixou o esplendor da Sua glória nos céus para entregar a própria vida aqui na terra e livrar da condenação eterna até aqueles que riam e zombavam Dele.

Sim, Deus é o Senhor nos céus, mas Sua glória está aqui na terra e abraça apaixonadamente os corações que buscam por ela, trazendo um pouquinho do céu para nós. Ele está em nosso meio e manifestando bondade e misericórdia a cada instante.

Essa imagem de um Deus que Se irrita com tudo, jamais sorri e não vê graça no nosso jeito criança de ser, é uma redoma que só depende de nós ser quebrada – e urge que seja totalmente quebrada. Porque o pavor à pessoa de Deus inevitavelmente nos priva de experimentarmos a liberdade, a satisfação e as muitas graças que Seu amor incondicional tem derramado sobre nós.

Sim, Deus é Deus na terra também! E isso nós comprovamos sempre que escolhemos confiar e prosseguir.