sábado, 21 de julho de 2012

Reféns do tempo


A Bíblia em um ano:
Provérbios 29-31

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não sejam como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor.”
Efésios 5.15-17



Imagem: Google.
Ontem eu não escrevi neste blog por pura falta de tempo. Embora estivesse de recesso no trabalho, precisei comparecer e realizar um trabalho grande ali ontem e, durante o curto tempo que tive entre quando fui dormir tarde demais na noite anterior preparando os materiais que precisaria para tal serviço, e quando tive de levantar (cedo demais), meus horários fugiram do controle.

Não deu para passar um tempo com Deus nesse ínterim, nem para ler a Bíblia, orar, buscar coisa alguma ou fazer um rascunho. Passei o dia envolvida. Cheguei tarde, exausta e faminta. Não sobrou tempo nem para comer direito. Ontem, sem querer querendo, fui refém do meu tempo (ou, antes, da falta deste).

O tempo é, realmente, um fator decisivo em muitas questões, mas a falta dele também. Um socorrista que não teve mais cinco minutos perdeu uma vida. Um aflito que não recebeu dez minutos de atenção pôs fim à própria vida. Uma amizade que não teve um ou dois minutos de atenção pode deixar de se tornar um grande amor. A dona de um blog que evangeliza e não tem trinta minutos na presença de Deus pode deixar de ajudar espiritualmente centenas de pessoas diariamente.

Um segundo é uma eternidade para quem sofreu um acidente. Um minuto de atenção basta para nutrir os sentimentos de quem gosta. Uma hora significa muito para quem está apaixonado e aguarda o momento do reencontro. Um dia é tempo demais para o pai de família que precisa providenciar o alimento que acabou para os filhos.  Um mês é fator decisivo na recuperação de bebês prematuros. Um ano tem valor inestimável para o estudante que reprova.

Decisões precipitadas embargam sonhos, e o atraso delas causam-lhes ruínas. Tempo demais desmotiva. Tempo de menos desorienta. De sorte que o tempo está sempre presente na pauta de discussões da vida, como William Shakespeare bem afirmou: “o tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas para os que amam, o tempo é eternidade.”

Seja ele muito ou pouco, o tempo responde por grandes fracassos e incríveis evoluções, basta que saibamos controlá-lo e não deixarmos que ele se apodere de nós. Muita concentração em uma única coisa pode, muitas vezes, nos fazer perder o bem que o próprio tempo está trazendo para nós como uma bênção divina.

Deus é o Senhor absoluto do tempo. No Seu relógio apenas o ponteiro do presente marca o tempo, porque Ele é eterno, não tem começo e nem fim. E isso nos dá a certeza que não há ninguém melhor que Ele para nos ajudar a aproveitarmos bem nosso tempo, tão curto e, muitas vezes, tão mal empregado.

Concentremos, pois, nossa atenção não somente nas coisas que passam, mas naquelas que ficam; não somente nas ocupações dessa vida mas também nas questões da alma. Concentremo-nos em nossos corações e em como ele responde aos estímulos do Senhor que nos chama para uma vida realizada em todos os seus seguimentos. Pois o mesmo tempo que traz o bebezinho à vida é o que encerra os corpos cansados ao repouso eterno. Ele não para mas, à medida em que causa grandes desgastes também oportuniza recomeços.

A beleza de Cristo em nós, porém, sobrevive à ação do tempo.