segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tomar a cruz e prosseguir


A Bíblia em um ano:
Salmos 140-144


“Como de costume, Jesus foi para o monte das Oliveiras, e Seus discípulos O seguiram. Chegando ao lugar, Ele lhes disse: ‘Orem para que vocês não caiam em tentação'. Ele Se afastou deles a uma pequena distância, ajoelhou-Se e começou a orar: ‘Pai, se queres, afasta de Mim este cálice; contudo, não seja feita a Minha vontade, mas a Tua’. Apareceu-Lhe um anjo do céu que O fortalecia. Estando angustiado, Ele orou ainda mais intensamente; e o Seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão.”
Lucas 22.39-44


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Admitir a vontade de Deus para nossas vidas é escolha que somente os fortes conseguem fazer. Afinal, tantas coisas nos encantam, tantos sonhos brotam dentro de nós e, alimentados pelo desejo intenso de felicidade, crescem, florescem e fazem-nos viajar pelas dimensões mais improváveis. Poucas são as pessoas que resistem ao impacto quando essa viagem acaba e nos chocamos com o duro solo da realidade.

A parte mais difícil da nossa espera é ouvir um sussurro divino que, diante daquela esperança quase realizada diz: “Não”.

Jesus ouviu o “Não” de Deus através do Seu silêncio. (Para um bom entendedor – e verdadeiro adorador – o silêncio de Deus fala muito e age ainda mais.) E mesmo tendo Sua vontade negada, Jesus assumiu a vontade do Pai com tal zelo, a ponto de declarar que Sua fidelidade para com Deus era maior que qualquer desejo do Seu coração ou da Sua carne.

No momento em que Jesus estava sendo preso, “Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita”. Qualquer um de nós se envaideceria ao ser protegido assim, num momento como aquele, quando a morte, sorridente e sarcástica, escancarava seus braços em nossa direção ao final de um caminho repleto de espinhos, serpentes e escorpiões, pelo qual obrigatoriamente teríamos de passar. “Jesus, porém, ordenou a Pedro: Guarda a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai Me deu?”(João 18.1-11). Essa expressão de Jesus revela uma postura de tamanha obediência, que confunde-nos se o sacrifício da cruz era mesmo uma imposição de Deus ou um desejo de Jesus.

Seja como for, Ele foi até lá. Despiu-Se dos Seus desejos pessoais, desprezou todas as críticas, tomou a cruz – sozinho – e triunfou, tanto pelo gesto nobre de assumir nosso lugar no calvário, quanto pela submissão à vontade Daquele que O entregou para que fosse levado até lá.

O “sim” de Cristo à vontade de Deus, o “não” de Deus à vontade de Cristo, o “sim” de Deus à nossa salvação, o “não” de Cristo ao pecado e à morte. De sorte que, pelos “sins” nos alegramos, mas pelos “nãos” nós crescemos. E quando a vida mais uma vez nos disser “não”, vamos extravasar os gritos da nossa alma diante dos pés do Senhor. Seu anjo virá nos confortar.

O semblante cairá, mas a esperança ficará. E olhará com ternura para as mãos Daquele que é poderoso para nos ressuscitar ao terceiro dia.

É hora de tomar a cruz e prosseguir.

"A Ti levanto os meus olhos, a Ti que ocupas o Teu trono nos céus. Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão do seu senhor, e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora, também os nossos olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus, esperando que Ele tenha misericórdia de nós. Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós! Contudo, não seja feita a minha vontade, mas a Tua. Amém." (Oração do Salmo 123.1-3 e Lucas 22.42)


Esconda-me atrás da cruz - Quarteto Adoração