quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Com olhos de um cego

A Bíblia em um ano:
Isaías 37-40




“O homem [cego de nascença que foi curado por Jesus] respondeu: ‘Ora, isso é extraordinário! Vocês não sabem de onde Ele vem, contudo Ele me abriu os olhos. Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas ouve o homem que O teme e pratica a Sua vontade. Ninguém jamais ouviu que os olhos de um cego de nascença tivessem sido abertos. Se esse Homem não fosse de Deus, não poderia fazer coisa alguma.’ Diante disso, eles [os fariseus] responderam: ‘Você nasceu cheio de pecado; como tem a ousadia de nos ensinar?’ E o expulsaram. Jesus ouviu que o haviam expulsado, e, ao encontrá-lo, disse: ‘Você crê no Filho do homem?’ Perguntou o homem: ‘Quem é Ele, Senhor, para que eu Nele creia?’ Disse Jesus: ‘Você já O tem visto. É Aquele que está falando com você’. Então o homem disse: ‘Senhor, eu creio.’ E O adorou.”
João 9.30-38




Imagem: Google.
Parece até que Jesus fez de propósito. Ele restaurou a visão do cego de nascença e sumiu. Saiu de cena. Só apareceu novamente depois de algum tempo e de alguns contratempos. (João 9)

Primeiro, Ele observou de longe a maneira como o curado reagiria depois de receber uma grande bênção. Será que o ex-cego se esqueceria do poder do Senhor em sua vida? Atribuiria a cura ao poder da ciência? Negaria Jesus como fizeram seus pais diante das ameaças dos fariseus (João 6.18-23)? Duvidaria? Será que ele se calaria, simplesmente? Será que pensaria que Deus não fez mais que a obrigação de reparar sua visão? (Afinal, ninguém pede para nascer cego.) Será que voltaria a se sentar à beira do caminho e permaneceria vivendo como um eterno condenado à deficiência física mesmo depois de ter sido curado?

Não. O ex-cego permaneceu firme em sua convicção sobre Jesus e o Seu poder, embora nem mesmo soubesse identificar o Senhor em meio às outras pessoas ao seu redor. Nós é que reconhecemos Jesus no meio da multidão, mas ainda não experimentamos (ou raramente experimentamos) do Seu poder. Um pouco mais de entrega, um pouco mais de confiança, uma chance para Deus. Lembrar que nada do que ocorreu de ruim em nosso passado foi culpa Dele. O pecado, a influência do mal, a cegueira espiritual, a desobediência, nossas escolhas erradas, a ingratidão, é que são alguns dos motivos mais frequentes pelos quais muitas vezes nós colhemos frustrações e somos obrigados a comer desses frutos por um bocado de tempo. Mas quase sempre culpamos Deus.

Muitas vezes a história do cego se repete conosco, porém nós reagimos de maneira diferente. Deus traz Sua provisão para nós e nós não sabemos identificar – ou não queremos aceitar – o presente de Deus. Não damos o devido valor. Não somos corajosos ou gratos o suficiente para recebermos e cuidarmos, tampouco para agradecermos a Deus pelo que Ele nos fez... E o Senhor fica de longe, observando como reagimos às oportunidades que Ele nos dá.

O que será que Ele pode ver em nós? Indiferença? Frieza? Ingratidão? Vergonha? Desprezo? Insatisfação? Incredulidade? Medo? Muitas vezes, sim. Principalmente da parte de quem pensa que sabe mais que o próprio Deus sobre o que é melhor para a sua vida.

Contudo, se nós soubéssemos atribuir a Deus cada bênção que Ele põe em nosso caminho, assim como aquele cego fez, nossos medos minguariam, nosso passado perderia a força de ditar nosso presente, nossos corações feridos sarariam mais rápido. Nossas manhãs seriam mais alegres, nossas tardes mais coloridas.

E no final de cada dia, Jesus viria pessoalmente nos encontrar.