domingo, 5 de agosto de 2012

Conversa a dois


A Bíblia em um ano:
Isaías 23-26



“[...] Derrame o seu coração como água na presença do Senhor... [...]  ...E quem vier a Mim, Eu jamais rejeitarei.
Lamentações 2.19 e João 6.37


Imagem: Google.
Muita gente que me vê percebe que, às vezes eu converso sozinha. Não parece muito racional, mas vez em quando eu me pego conversando sozinha com alguém muito especial que eu gostaria que estivesse ao meu lado, mas não está. Às vezes, converso sozinha sobre os assuntos do meu trabalho que eu preciso resolver. Às vezes converso sozinha sobre pessoas, fatos, sentimentos. Às vezes, procurando uma solução e, às vezes, por tê-la encontrado.

Conversar sozinho parece doidice, mas é legal. Aliás, quem é normal demais acaba tornando sua vida um marasmo só.

Mas muitas dessas conversas, embora pareçam apenas monólogos de uma crente variada são, na verdade, diálogos com Deus. Há quem pense que Deus não Se importa ou está ocupado demais com coisas verdadeiramente importantes para participar das pequenas coisas do nosso dia-a-dia. Porém, quem leu o texto Ouvindo Deus, do meu amigo Moacir Willmondes, com certeza teve um pouco mais de compreensão sobre como a voz do Altíssimo ecoa lindamente na simplicidade de cada evento do nosso cotidiano.

O Espírito Santo é a primeira pessoa que nos vê – e que nós também podemos ver – quando acordamos do sono. Ele nos acompanhará em cada detalhe do nosso dia, desde o mais sutil até o mais extraordinário acontecimento. Cada batida do nosso coração, cada movimento de inspiração e expiração, Ele acompanhará tudo de perto, minuciosamente. Cada roupa escolhida, cada perfume borrifado, cada encontro realizado, cada filme, cada lanche... nada passa desapercebido por Ele. Ã-an!... Nem mesmo aquele pensamentozinho mais oculto, mais bem disfarçado dentro de nós. Nada!

E isso prosseguirá assim até o momento em que fecharmos nossos olhos e voltarmos a dormir. O Espírito Santo será a última pessoa que nos verá e que nós também veremos ao término de mais um dia.

Essa presença tão doce, agradável e fortalecedora foi o motivo da segurança do salmista ter afirmado: “Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém. [...] Eu, porém, clamo a Deus, e o Senhor me salvará. À tarde, pela manhã e ao meio-dia, choro angustiado, e Ele ouve a minha voz.” (Salmos 3.5 e 55.16-17)

E mesmo assim, muita gente conversa sozinha, sozinha mesmo! Sem o Espírito Santo, sem Deus, sem Jesus. Sofre sozinha, chora sozinha, caminha sozinha. Quer dizer, não tão sozinha, porque a solidão lhe acompanha sempre, aonde quer que vá.

Mas quem conversa com a solidão? Que resposta ela pode nos dar? Se pudéssemos ouvi-la, que tipo de conselho ela nos daria? “Afaste-se!”, “Isole-se!”, “Suicide-se!”. Palavras nada agradáveis, não é mesmo?

Longe de ser uma especialista no assunto, por experiência própria eu sei como acabar com a solidão, porque de lá eu saí. Solidão se cura com a presença do Senhor. Monólogos se tornam interessantes diálogos quando dirigidos ao Senhor. Vazios intensos são totalmente preenchidos quando buscamos de todo coração ao Senhor (Jeremias 29.12-13). Tristezas da alma se convertem em alegria insuperável quando o Senhor é na nossa companhia diária e constante. E, então, já não mais conversamos, apenas. Também enchemos nossos dias de louvores.

Pois desertos se tornam indescritíveis jardins floridos e cheios de água. Bálsamo divino corre sobre nossas feridas e as sara. E todos percebem que nós já não somos mais os mesmos.