sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Dicotomia


A Bíblia em um ano:
Isaías 41-44

Imagem: Google.


“Porque vale mais um dia nos Teus átrios do que, em outra parte, mil. Preferia estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade.”
Salmos 84.10

Tic, tac...
Tic, tac...
Tic, tac...

Esse era o único som quebrando o silêncio da madrugada, apontando para os instantes finais. Fazia frio. Descansávamos. Até que um ruído terrível pôs fim ao sossego:

Pi, pi, pi, pi!...
Pi, pi, pi, pi!...
Pi, pi, pi, pi!..

Trata-se de um dialeto da linguagem “relogês”, mas eu sei traduzir para você. Está dizendo: “Está na hora de se levantar da cama e começar a viver!”

Confesso que, às vezes, os relógios se tornam meus maiores inimigos. Eles são opressores. Dão ordens para cumprirmos tarefas que não queremos realizar, nos mandam ir a lugares distantes demais, limitam nosso tempo quando estamos fazendo algo prazeroso, incendeiam nossas preocupações quanto a executarmos algo dentro de um prazo improrrogável.

Relógios são acusadores. Eles sempre nos entregam quando chegamos atrasados e não mentem, não diminuem nenhum segundinho sequer a nosso favor.

Relógios são estraga-prazeres. Eles destroem nossos sonhos mais deliciosos e nos lembram que é hora de levantarmos da cama. Não deixam a gente se esquecer que o dentista está nos esperando com hora marcada e com todos aqueles equipamentos pontiagudos totalmente esterilizados, prontos para serem usados em nós.

Não deixam passar a hora de tomarmos aquele remédio terrivelmente  amargo, nem nos deixam escolher a melhor hora para entrarmos no banco, como à noite, por exemplo, quando não há congestionamento no trânsito e nem filas dentro das agências.

Relógios não mentem. Eles revelam o momento exato dos fatos, apontam os presentes, denunciam os envolvidos.  E, sempre que podem, até provam a inocência de muitos acusados.

Pensando bem, relógios fazem bem. Não nos deixam esquecer, não nos deixam parar, não nos deixam perder.

Bom mesmo é ser Deus, que é eterno e não necessita de relógios. Creio que seja por isso que Ele é tão paciente e despreocupado. Ele não que preocupar-Se com ponteiros gritando Seu nome a cada instante, controlando sua vida incansavelmente.

Por outro lado, o que seria de nós sem aqueles benditos ponteiros! Se com eles incessantemente guiando nosso cabresto ainda nos atrasamos tanto, esquecemos tanto e perdemos tanto, imagine o desastre que seriam nossas vidas sem relógios para nos controlar...

É por essas e outras meditações sobre coisas tão simplórias que percebemos quão grandes são nossas limitações e quão intensa é a nossa dependência e carência de Deus.

Por isso, vamos aproveitar cada segundo do nosso dia fazendo o que é bom, correto e justo. E vamos dedicar o máximo de tempo que pudermos à oração e à meditação sobre a Palavra de Deus, mesmo que seja preciso ajustar os ponteiros e destravar os alarmes dos nossos relógios para isso também.

Esse tempo de ansiedade, de conflitos, de medos e adversidades, pode ser logo substituído por respostas de paz e refrigério, se na nossa agenda diária a prioridade são as horas que passamos com Deus.