sexta-feira, 17 de agosto de 2012

(In)Satisfação


A Bíblia em um ano:
Isaías 64-66


Imagem: Google.

“Vejam! O braço do Senhor não está tão encolhido que não possa salvar, e o Seu ouvido tão surdo que não possa ouvir. Mas as suas maldades separam vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto Dele, e por isso Ele não os ouvirá."
Isaías 59.1-2


Quando um homem quer afastar uma mulher do seu caminho, basta que ele comece a tecer elogios consideráveis sobre tudo o que ele não vê nela. E quando uma mulher quer tirar um homem do seu caminho, igualmente basta que ela exija desse homem tudo o que ele não tem para lhe oferecer.

Pouco a pouco, essa pessoa sente-se desprezada, impotente, insuficiente, indevida, incapaz. E mesmo contra sua vontade, ela se afasta e vê, de uma forma desumana, seu sentimento morrendo em lentidão e dor.

Consciente ou inconscientemente, muitos de nós agem assim para com Deus. Buscamos em outros (deuses, coisas, pessoas, mundo) tudo o que não vemos no Senhor. Ele está nos oferecendo libertação, mas nós queremos permanecer no pecado. Ele está nos oferecendo Sua perfeita, boa e agradável vontade, mas nós queremos fazer a nossa. Ele está nos oferecendo Sua vida eterna no Céu, mas nós abraçamos este mundo e declaramos com nossa maneira de viver que nossa satisfação está aqui, nas coisas perecíveis.

Consciente ou inconscientemente, muitos de nós exigem de Deus o que Ele não tem para nos dar. Queremos que Ele nos dê o controle das nossas vidas, mas Ele sabe que isso seria um desastre de proporções irreparáveis e eternas. Queremos que Ele cumpra o que nos prometeu, e que faça isso no tempo que nós pensamos ser correto, mas Ele sabe que ainda não estamos preparados para tal. Queremos que Ele satisfaça nossas vontades e execute tudo o que nós determinamos. Mas Ele sabe que colaborar com essa nossa meninice nos tornaria filhos mimados, inconsequentes, irresponsáveis e insubmissos. Isso simplesmente nos estragaria ainda mais do que já somos estragados pelo pecado.

A diferença aqui, entre Deus e uma mulher ou um homem desprezado, é que nós, seres humanos, temos nosso orgulho ferido quando isso acontece, e sentimentos de inferioridade, de insuficiência, de inconveniência nos arrebatam e nos fazem realmente acreditar que não passamos disso, que não temos nada mesmo de bom a oferecer.

Deus, porém, continua Se sentindo e sendo o que Ele sempre foi e sempre será: o Deus Soberano, o Senhor de todos os senhores, o Rei Eterno de toda glória. Sua perfeição, infinitude e poder não Lhe permitem pensar nem por um milésimo de segundo que Ele seja insuficiente para nós. Ele sabe que somos nós que dependemos Dele. E Ele tenta nos alertar sobre isso a todo instante.

Além disso, Deus continua nos amando. Nada que fizermos de bom fará com que Ele nos ame mais, e nada que fizermos de ruim diminuirá o Seu amor por nós. Ele simplesmente escolheu nos amar, não porque temos ou deixamos de ter algo a Lhe oferecer, mas porque nós somos Dele. Foi Ele quem nos criou. Foi Ele quem nos formou. E Ele simplesmente nos ama, embora Seu compromisso de presença e salvação seja para com aqueles filhos que estão crescendo em obediência e amor debaixo da Sua autoridade. (2Crônicas 15.2b; Romanos 1.18-32)

Sim. Assim como nós, quando rejeitados por quem amamos, Deus também Se afasta quando nós escolhemos flertar com outro e encontramos nesse outro maior satisfação. Mas essa irrefutável verdade está carregada de uma ironia: é que, em todo o mundo, não há satisfação maior para nós do que ter o Senhor Deus conosco.