sábado, 4 de agosto de 2012

Sentenciadores de nós mesmos


A Bíblia em um ano:
Isaías 19-22


“Então ouvi uma forte voz dos céus que dizia: ‘Agora veio a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi lançado fora o acusador dos nossos irmãos, que os acusa diante do nosso Deus, dia e noite. Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra dos testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida. Portanto, celebrem-No, ó Céus, e os que neles habitam! Mas, ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vocês! Ele está cheio de fúria, pois sabe que lhe resta pouco tempo’.
Apocalipse 12.10-12


Era para ser tudo perfeito!...

Nós ensaiamos tanto, nos esforçamos tanto, sonhamos tanto em fazer tudo certo, dizer as coisas certas, alcançar o que parece ser certo. Mas não deu... Em algum momento, nós perdemos o foco, ultrapassamos o limite ou desistimos de chegar até ele, perdemos as forças ou deixamos simplesmente de fruí-las. Nós erramos e rapidamente nos assentamos à beira do caminho, enquanto a vida prossegue e nós lamentamos o que deu errado.

Curiosa essa nossa maneira de encarar nossos exageros, limitações ou falhas, não?

Na verdade, essa postura de fuga e culpa tem suas origens em ecos malignos que, não podendo chegar à presença de Deus nos acusando, usam nosso próprio comportamento, seja ele correto ou não, para levantar acusações e nos deprimir, nos privar da alegria de viver a graça de Deus sendo derramada sobre nós ininterruptamente, a todo instante. Graça essa que compreende nossas fraquezas, conhece nossos desejos, entende nossas carências, mais do que qualquer um de nós e, por isso mesmo, “não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniqüidades.” (Salmos 103.10)

Não quero, com isso, justificar nossos erros. Quero lembrar que Deus sabe o quanto precisamos da Sua misericórdia e, por isso, Ele não mede esforços para recomeçar conosco mais uma vez.

Nossos deslizes e problemas não aportam em nossas vidas para nos esmagar com o peso da culpa, nem para nos fazer prostrar-nos em rendição à perda, tampouco para nos enclausurar dentro de toscas prisões da alma. Eles são oportunidades de reconhecermos quem nós somos e quem Deus é realmente. São caminhos que nos aproximam mais Dele, enquanto Ele revela Seu poder e Sua glória em nosso favor.

Deus não nos acusa, mas ampara e recomeça conosco – mesmo quando não temos culpa alguma e pensamos que temos – porque Ele tem prazer em transformar nossos erros e acertos em pedras preciosas de sabedoria e crescimento. Ele tem prazer em transformar os lugares feridos e sangrentos das nossas almas em fontes de força e vida. E dos nossos medos, Deus regozija suscitar fé inabalável.

Por isso, (re)consideremos: se o Todo-Poderoso do Universo Se compadece e nos dá mais uma chance para sermos felizes sob Suas bênçãos infindáveis, por quê será que nós mesmos nos permitimos ser acusados (e condenados, o que é ainda pior) pela nossa própria consciência, pelo que o mal inculca nela?

Muitas oportunidades maravilhosas nós não perdemos na vida por causa de uma correção divina. Nós nos privamos delas voluntariamente, porque quando as acusações malignas nos chegam, nós nos fazemos sentenciadores de nós mesmos.