quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Voltando à superfície...


A Bíblia em um ano:
Isaías 56-59



“[...] No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo."
João 16.33


Dor...
Quanta dor!...

Imagem: Google.
Em desespero, a alma vai à tona sugar rapidamente o máximo de ar que conseguir, tentando encerrar aqueles segundos eternos submergida nas águas profundas do ser, quando fazemos uma análise sobre nossas vidas.

Quanto perdemos sem ter ganhado? Quanto esperamos sem ter alcançado? Quanto gritamos sem ser ouvidos? Quanto pedimos e não fomos atendidos? – Essas questões não deixam de pulsar dentro de nós, quando a dor retine outra vez, e outra vez, e outra vez... E uma inevitável sensação de injustiça novamente nos faz submergir – e sumir – em meio ao oceano das nossas lágrimas.

Essa rotina de dores na alma, de gemidos interiores expressos em prantos desesperados, comumente nos assombra. E só quem passa por isso sabe da intensidade da sua dor.

Momentos assim nos fazem desejar nunca termos nascido, não é? Ou, pelo menos, partirmos logo dessa vida cheia de desilusões e sofrimentos. Mas como tudo o que vem de Deus para nós tem um caráter pedagógico, mesmo horas de terrível dor estão carregadas de ensinamentos e direções para nós.

Longe de ser uma autoridade sobre o assunto (pois assim como você eu também procuro incessantemente explicações para as minhas insatisfações), quero expor pelo menos dois motivos pelos quais somos submetidos ao sofrimento com um propósito divino. E quero usar a fala de duas grandes autoridades eclesiásticas, mundialmente conhecidas e respeitadas em nossos dias. E creio que suas colocações dispensam maiores comentários.

O primeiro motivo está na fala do Pr. Max Lucado:

“A infelicidade na terra cultiva o anseio pelo Céu. Agraciando-nos com um profundo descontentamento, Deus detém nossa atenção. Dessa forma, a única tragédia é ficarmos satisfeitos prematuramente. Apegar-nos à terra. Ficarmos contentes em uma terra estranha. Unirmo-nos em casamento com os babilônios e esquecermos Jerusalém.
Não estamos contentes aqui, pois este não é o nosso lar. Não estamos alegres aqui pois isto não é para acontecer. Somos “como peregrinos e forasteiros” neste mundo (1Pedro 2.11). [...]
E você nunca ficará completamente alegre na terra, pelo simples fato de que não foi feito para ela. Oh, terá sim, seus momentos de alegria e prazer. Conhecerá momentos, até mesmo dias de paz. Mas eles não se comparam com a alegria vindoura. [...] O recém-nascido em nosso peito, a noiva em nossos braços, o sol em nossas costas. Porém, até mesmo esses momentos são simples focos de luz que transpassam as janelas dos céus. Deus flerta conosco. Ele nos namora. Tais momentos são apenas aperitivos para o banquete vindouro. [...] O Céu está além da nossa imaginação.” (LUCADO, Max. Quando Deus sussurra o seu nome. 15ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. Pág. 142-143.)

O segundo motivo, no prólogo da obra do Pr. David (Paul) Yonggi Cho:

“Quando Deus procura uma pessoa a fim de prepará-la, direcionar-lhe a vida, e colocá-la numa posição especial para uma tarefa especial, o Senhor começa por trabalhar nas áreas vitais que outras pessoas em geral nem reparam. Deus testa a pessoa em todos os aspectos, não apenas no físico, mas também nas emoções, na mente e nas finanças, até que esse crente aprenda a conhecer Deus como sua Fonte total, e até que sua vida tenha sido temperada pelo sofrimento. Depois de o crente ter sido provado nesta área, e só depois disso, é ele escolhido para ser um enviado especial, e Deus lhe dá todo o apoio e todos os recursos celestiais. [...] Às vezes, chegamos a esquecer-nos do que foi que pedimos, embora o Espírito Santo já esteja iniciando a obra, ao conduzir-nos através de um curso preparatório. Esquecemo-nos de que pedimos a Deus que faça o que for necessário em nossa vida, para tornar-nos uma bênção, e não imaginamos que nossas provações pessoais estejam relacionadas às nossas orações.” (SWAIN, Lídia. In CHO, David (Paul) Yonggi. Por que sofremos? 5ª Ed. Prólogo. São Paulo: Vida, 2001. Pág. 7,9).

Dores. Ninguém está isento delas. Porém, muitos são os que as enfrentam sozinhos. Loucura! Quando o interior do homem grita em desespero, seu eco pode retinir aos lugares mais distantes e provocar as piores tragédias. Em nossos momentos mais infelizes, quando o sofrimento parece insuportável, o que realmente desejamos é o alívio, desejamos que a dor desapareça. E há quem, nessas horas de profundo desespero, apele até mesmo para a morte.

Mas há uma verdade nas palavras do Pr. Marcelo Oliveira que, plenamente fundamentadas na Bíblia, nos animam em momentos assim: “Como a esperança da alegria proposta deu a Jesus força para suportar a cruz, nossa esperança de alegria nos capacita a vencermos as tribulações com Ele.” (OLIVEIRA, Marcelo. Ele morreu para que nós vivêssemos. 18ª Ed. 24 propósitos da cruz. São Paulo: Naós, 2010. Pág. 32.)

Quando nossos joelhos cansados se dobram, nossos rostos sofridos se curvam, e nossos olhares marejados buscam o refrigério para a dor imensurável que cruelmente nos consome por dentro, é possível sentir um abraço, um grande abraço confortante. Um abraço que nenhum ser humano pode nos dar. Um abraço sublime, sobrenatural, invisível, mas quente, carinhoso, protetor, restaurador.

Ele nos envolve firmemente e nos leva novamente à superfície, agora para a margem, a um lugar seguro. Em terra firme. E, num momento, parece que a dor é transferida naquele abraço. De fato, é sim. “Ele levou sobre Si as nossas dores. [...] O castigo que nos traz a Paz estava sobre Ele...” (Isaías 53.4,5).

Nossos pulmões se enchem de ar outra vez. Já estamos do lado de fora daquelas águas profundas que afogavam nosso ser em desgostos sem fim. Já podemos nos recompor e recomeçar a vida.

Escrever esse texto de ontem para hoje, foi pra mim mais uma pequena prova que isso é mesmo possível.