segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Do lado de cá da ponte


A Bíblia em um ano:
Ezequiel 41-44


Imagem: Google.


"Tem misericórdia de mim, ó Deus, por Teu amor; por Tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. [...] Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades."
Salmos 51.1-3,9


Enquanto não somos perdoados por Deus pelos nossos erros, a imagem horrível do pecado está lá, impondo medo, imputando culpas, oprimindo o coração. Ele, o pecado, é como todo o esgoto e as demais imundícies poluindo o rio das nossas almas. Como no sonho que tive outro dia.

Era uma ponte curvada, como aquelas sobre as quais os casais se encontram e se beijam em filmes de romance.

Do lado de lá, um pequeno rio se empoçava, escondido sob o excesso de aguapés. Águas lentas, pesadas de tanto lixo, poluídas a ponto de mudarem de cor. Havia todo tipo de tralhas ali. Touceiras enormes de brachiaria, pés de mamona e outras plantas resistentes ao solo poluído de beira de rios, suportavam aquela situação desoladora e completavam o cenário asqueroso e fétido, quase sinistro, de um riacho que parecia ensaiar sua própria marcha fúnebre.

Do lado de cá, a mesma água que antes imunda seguia lentamente por baixo da ponte, formava um lago límpido, cristalino, onde era possível enxergar e contar pedrinhas no seu leito. Peixinhos nadavam tranquilamente compondo um balé magnífico, sob a cintilação das águas à luz do sol. Ali, a vida orquestrava todo o conjunto. E a harmonia cantava lindas melodias de encanto e beleza que podiam ser ouvidas e sentidas por qualquer passante.

O mesmo rio, com dois cenários diferentes: o da morte e o da vida, o da desolação e o do encantador, o da imundície e o da perfeição, separados apenas por uma ponte. Mas a água que chegava debaixo da ponte não saía de lá do mesmo jeito. Ao passar, ela surgia transformada, pura, límpida, fecunda.

Apagar as nossas transgressões, limpar toda culpa do pecado, extinguir todas nossas iniquidades e as acusações que, procedentes delas, recaem sobre nós. É isso que precisamos seja feito por nós, se queremos ter dias de paz e descanso para nossas almas. Não podemos viver assim, enquanto estivermos do lado anterior à ponte, no meio do lixo, da contaminação, da poluição impiedosa, olhando a perfeição, a santidade, a pureza do lado posterior à ela.

Jesus é essa ponte, esse divisor de águas. Enquanto não O temos, somos como aquele rio triste, poluído, cheio de porcarias e vazio de utilidade (João 15.5). Praticamente morto, embora permaneça correndo lentamente para algum lugar que nem mesmo ele sabe se conseguirá chegar. Depois de um encontro verdadeiro com Cristo, nossas vidas são transformadas, libertas, restauradas. As águas que fluem no leito das nossas almas são águas de vida, puras, das quais todos podem beber e saciar sua sede. São águas que abrigam vida e oferecem equilíbrio e graça a quem precisa e busca nelas.

Seja qual for o nosso erro, Deus é poderoso (e desejoso) para nos perdoar e transformar as piores imundícies nas melhores fontes de vida pura e abundante. O que nós temos de fazer é induzirmos nosso ser a passar por debaixo da ponte.

E, então, transformados e redimidos, libertos e santificados, do lado de cá experimentaremos a alegria da salvação e de um elo perfeito com o Senhor, de pecados deixados para trás. Uma nova história de perdão, contrição e louvor, que certamente alcançará e alegrará os corações de muitos passantes.