terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mais que palavras


A Bíblia em um ano:
Ezequiel 1-3


"Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus tinha dito: ‘Antes que o galo cante, você Me negará três vezes’. E, saindo dali, chorou amargamente."
Mateus 26.75

Imagem: Google.

" Atitude é uma pequena coisa
que faz uma grande diferença.
 "

(Clarice Lispector)
A firmeza de Pedro em cumprir suas promessas se parece com a firmeza de muitos alunos traquinos com os quais eu lido na escola diariamente. Hoje eles são advertidos por causa das suas desobediências e prometem mudar de comportamento. Mas semana que vem (e, às vezes, no mesmo dia), costumeiramente voltam à Coordenação, reincidindo sobre os mesmos motivos.

A maior parte desses alunos realmente não pretende mudar – ou não entende que necessita mudar. Com aquele arzinho irônico, debocha pelo olhar de quem está lhes (re)citando umas boas verdades, e expressam claramente seus (des)interesses: “Mãe e pai, uma ova! Professora que se dane! Eu quero é ser feliz!

Mas existe uma parte desses alunos teimosos que quer mesmo mudar. É a minoria, mas ela existe, embora não tenha forças para isso. Melhora por um tempo e, de repente, olha lá os benditos meninos visitando a Coordenação outra vez(!), por causa de comportamentos indisciplinados que deixam seus (já estressados) professores de cabelos em pé...

Esses são os mais parecidos com Pedro. Quem pode julgar o coração daquele discípulo rude, explosivo e cheio de falhas, e dizer que ele não era sincero ao fazer promessas a Jesus? O fato de Pedro ter seguido Jesus – mesmo que de longe – até o final, e também de ter ido ao encontro do Mestre após Sua morte, demonstra exatamente o contrário: Pedro demonstrava ter um interesse especial e verdadeiro, através  das suas palavras apaixonadas por Jesus (Mateus 16.21-22 e 26.33).

Mas sinceridade somente não testifica palavras, não é? Fazer mais e falar menos, sim. Jesus sabia disso e contou a Pedro e aos demais que suas atitudes contrariariam seus sermões num curto espaço de tempo (Mateus 26.31-35, 26.55-56,69-75), o que de fato ocorreu.

Exemplo totalmente reverso e ideal é o próprio Jesus.

Nos evangelhos, poucas vezes Jesus conversou sobre Seu amor. Porém, infinitamente mais Ele demonstrou amor com Suas atitudes, tocando os rejeitados, curando os imundos, comendo com pecadores, andando com os menores, buscando perdidos, encaminhando desorientados. A escória do mundo tinha um lugar especialmente reservado à mesa do Rei.

Igualmente, poucas vezes Jesus falou sobre Sua morte. Mas quando ela aconteceu, mereceu ser registrada nos anais da eternidade e serviu de inspiração para o mundo inteiro, em todas as raças e nações, em todas as gerações posteriores, tão maior foi o peso do Seu gesto do que o de Suas palavras. Aliás, antes mesmo da crucificação de Cristo ocorrer, muitos profetas já eram inspirados por Deus a escreverem e direcionar espiritualmente os povos pela via do Calvário.

De tudo o que Jesus nos contou, nenhuma só palavra caiu por terra. Mas Suas ações falaram e nos ensinaram muitíssimo mais que Seus discursos. Sua doutrina, Seu amor e interesse por nós foram expressos principalmente pelos Seus feitos.

E seria uma boa se nós – de fato – caminhássemos nos Seus rastros! (2João 2.6)

Nossos filhos confiariam mais em seus pais e lhes dariam mais abertura para dialogarem e caminharem juntos rumo à maturidade e ao crescimento saudável.

Nossos relacionamentos nos ofereciam mais segurança e, em vez de sonhar, muito mais nós construiríamos juntos.

Nossos políticos deixariam de ser vistos como a vergonha da nação, e o povo deixaria de ser uma massa de manobra.

Os cárceres deixariam de ser superlotados e ex-penitenciários seriam sempre ex.

Nossos alunos deixariam de serem vistos como pequenos seres abomináveis que precisam ser transformados em gente, as ocorrências escolares diminuiriam e os professores adoeceriam menos.

Oh, que transformações o mundo viveria se prometesse menos e cumprisse mais, pois “o bem feito é melhor que o bem dito” (Benjamin Franklin). 

E que transformações extraordinárias ocorrem em nossas vidas, quando deixamos nossas boas ações trovejarem mais alto que nossas encantadoras palavras...