terça-feira, 18 de setembro de 2012

Silêncio...


A Bíblia em um ano:
Ezequiel 45-48

Imagem: Google.

"É bom esperar tranquilo pela salvação do Senhor. É bom que o homem suporte o jugo enquanto é jovem. Leve-o sozinho e em silêncio, porque o Senhor o pôs sobre ele. Ponha o seu rosto no pó; talvez ainda haja esperança."
Lamentações 3.26-29


O silêncio de uma criança geralmente denota medo, enfermidade, mal estar, cansaço, desinteresse. E afasta a alegria, a espontaneidade, o brilho próprio dos infantes, que dão mais vida aos nossos dias enfadonhos.

Já o silêncio dos adultos dói tanto em nossos corações... Dá uma impressão que não somos tão significantes quanto gostaríamos ou pensávamos ser.

O silêncio de Deus, então, dói muito mais. Dá uma impressão que Deus não Se importa conosco. Que foi falho em cumprir Suas promessas. Que não anda tão presente assim, como diz...

De sorte que o silêncio muitas vezes está associado a perdas, a esquecimento, a separações, a abandono, a morte, a rejeição, a resoluções de conflitos, a dores. Mas por outro lado, silêncio também exprime reflexão, concentração, estruturação, revelação, paz.

Deus trabalhou no silêncio do universo, sozinho, criando todas essas maravilhas que extasiados contemplamos com todos os nossos sentidos. Ele esteve silencioso Se formando no útero de uma virgem, esperando o momento de chegar à luz e experimentar da vida que Ele mesmo nos deu.

Deus esteve em silêncio quando caminhava sobre as águas em direção aos Seus amados discípulos. Que trecho tão longo para o silêncio tão curto de um Deus tão forte, que expressou tanto de Si por um gesto tão ousado a um mundo tão incrédulo...

Deus guardou silêncio quando estava sendo julgado por um mundo contorcido em revolta, desprezo e ira contra Aquele que era luz dos povos e a salvação do mundo.

No alto da cruz, redimindo o mundo, derramando incontidamente o amor que ninguém jamais pôde nos dar, consumando a obra mais extraordinária e extravagante que já se viu, Ele esteve em silêncio. E na Sua morte, o Deus Homem trabalhou pela redenção dos que ainda não Lhe conheciam (1Pedro 3.18-20), de maneira que Sua graça Se fez ouvir em todas as gerações através do silêncio do Seu sepulcro.

O silêncio dói, mas também traz consigo benefícios. Como o velho Einstein dizia, “penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.”

Sim, sábio Einstein! O silêncio é um dos meios mais distintos de se ouvir a verdade. Se doer, é porque ainda estamos vivos, e se tem esse poder de falar, é porque existe algo que ainda precisamos saber. Vida e sabedoria são uma dupla extraordinária, não são?

No silêncio dos desertos das nossas vidas é que Deus Se revela ainda mais Deus, ainda mais forte, ainda mais lindo. É bem possível que Seu silêncio hoje nas vidas de muitos de nós seja precisamente Seu estado de concentração em trechos tão obscuros ou rebuscados das nossas histórias, para que cada palavra, frase ou sinal gráfico revele que Ele jamais nos esquece, nunca Se afasta e sempre Se importa conosco. Isso tem de ficar sempre bem nítido!

Com um pouco mais de paciência, fé e esperança, veremos o desfecho de mais um capítulo das nossas histórias dar-se de forma surpreendente. Enquanto isso, façamos silêncio também. Deus está concentrado escrevendo os finais. E nós não queremos atrapalhá-Lo.