sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Zona de conforto


A Bíblia em um ano:
Joel 1-3

“Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti.”
Isaías 60.1


Imagem: Google.

A cada 10 minutos o despertador toca, repetindo um chamado que é difícil de atender em condições como as de hoje. Madrugada, vento frio, chuva branda, edredons quentinhos, colchão macio, travesseiro, sonhos... Quem quer se levantar desse aconchego para enfrentar ônibus cheio e um dia de trabalho entediante?

É tão bom ter um lugar de conforto onde podemos nos recolher e descansar despreocupadamente...

Mas a vida não é constituída apenas de lugares assim, não é? Existem lugares sombrios, vales frios e solitários, desertos áridos e escaldantes. Vales da sombra da morte, até...

Às vezes, nós acordamos para mais um dia, e não queremos nos levantar da cama para não ter de enfrentar outra vez aquele sentimento não correspondido, aquela busca incessante por um emprego, aquela rejeição e palavras de ofensa que sempre vêm da parte de quem mais amamos. Para não ter de lembrar-nos daquelas dúvidas a serem sanadas, das dívidas a serem pagas, dos estudos a serem concluídos, do alimento por chegar, das feridas abertas na alma, as quais ainda não foram saradas. Para não nos lembrar das enfermidades no corpo, a latejar. Tampouco da piada sem graça que é o caminhar dos governos, da violência nas ruas, dos desastres, das pandemias, das tragédias naturais, da infidelidade dos outros, do pecado, das mentiras, dos nossos próprios medos...

São tantos motivos que nos convidam a permanecer onde estamos, quietos, aparentemente guardados, aparentemente bem...

Mas como bem já disseram por aí, não existe vitória sem luta. Águas mansas não fazem bons marinheiros. Uma mudança não acontece sem esforços. Não se pode realizar se não se tem a disposição de fazer.

A cruz não era nada confortável para Jesus, mas Ele enfrentou Sua missão com nobreza. Os discípulos do Senhor não tiveram conforto algum nos anos que sucederam a ascensão de Cristo, mas eles atenderam com bravura seus chamados e envergonharam o inferno pela excelência do trabalho que realizaram aqui.

Creio que não seja nada confortável para Deus hoje assistir às nossas birras, ingratidão, desobediência. Creio que não seja agradável para Ele ver nossas crises de insegurança, nossos surtos de impaciência e medos, nossa insana infidelidade. Contudo, o Pai Eterno permanece paciente e cuidadoso tentando nos encaminhar pelo bom caminho.

Falta a nós também renunciarmos um pouco mais de tudo o que nos atrapalha a vivermos mais um dia com a excelência do Senhor em nós. Pois existe vida nos chamando. Existem etapas a serem superadas. Existem respostas a serem encontradas. Mas nada disso virá sozinho ao nosso encontro, bem aqui, na cama do nosso conforto, debaixo das cobertas do nosso comodismo.

Muitas vezes aquele amor tão sonhado escorrega por entre nossos dedos simplesmente porque não nos dispomos a lutar por ele. O passado permanece assombrando, porque não tomamos uma atitude de fecharmos a porta na sua cara. As coisas não se resolvem, porque temos medo de enfrentá-las. As bênçãos não chegam porque ainda estamos deitados no quarto com a nossa indisposição de assumirmos a vida.

Mas depois da chuva sempre vem um sol. Depois do vento forte, sempre fica um clima de calmaria e silêncio. As águas das enxurradas sempre passam. As madrugadas cedem o lugar para lindas manhãs esplendorosas de novos começos.

A solidão esvai, a dor cessa, o vazio é preenchido, o mal é vencido, ao perfume da divina provisão que sucede.

O escárnio da cruz é substituído pela glória da ressurreição. As perseguições e afrontas do mal são depostas quando chega o momento da exaltação do Senhor para nós. E esse momento sempre chega. Resta saber se já nos levantamos e nos colocamos de pé para vivê-lo.