segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Voltar para Casa...


A Bíblia em um ano:
Lucas 9-11

Imagem: Google.


Felizes os que lavam as suas vestes, e assim, têm o direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas.” 
Apocalipse 22.14


34ºC em Brasília.

[Para nós, daqui, isso está parecendo uma prévia do final dos tempos.]

Sol escaldante. Umidade do ar baixíssima [hoje chegou aos 11%(!)]. Desconforto geral. Calor quase insuportável pra quem é acostumado a um clima seco e moderadamente frio (a média climática anual do DF oscila entre 18ºC e 23 ºC). [1]

Um dia de trabalho nessas bandas de cá, estão causando tanto enfado e indisposição quanto se pode imaginar. Chega a dar inveja – uma inveja santa – ver os pardais que nos presenteiam todos os dias com sua presença alegre e irreverente, se deliciando em banhos na água empoçada que lavou a calçada.

Que vontade de imitar os bebês que, apenas em fraldas, dormem despreocupadamente em seus carrinhos, sendo levados a todos os cantos sob o refrigério de uma sombreira, e circulam o mundo sem fazer esforço algum. [Claro que, em imitar os bebês, dispensaríamos o uso das fraldas.]

Que desejo de poder voltar para casa, tomar uma bela e demorada ducha fria da cabeça aos pés, colocar uma roupa leve e caminhar descalça pela casa limpa, sem preocupação com mais nada... pelo menos por esta noite.

Mas precisamos trabalhar. Precisamos concluir nosso dia. Banhos de piscina – como os pardais – e sonecas à sombra de uma árvore – como bebês – terão de esperar até o próximo final de semana, pelo menos. Ou até mais, quem sabe?!

Pois a cidade não pode parar. Nossas empresas não podem parar. Nossas casas não podem parar. Nossas vidas também não. E nesse dinamismo que movimenta o mundo, o corre-corre de uma cidade deste tamanho em dias de clima como esse chega a assustar.

Pode ser comparado à nossa corrida em busca da vida eterna com Deus. Se pudéssemos escolher como passarmos cada um dos nossos dias aqui, estaríamos já descansando num lugar de repouso absoluto junto ao Senhor, à sombra das árvores dos jardins celestiais, talvez, em vez de enfrentar lutas e sofrimentos, dores e decepções, desastres e maldições constantes num mundo perdido, que jaz no maligno (1João 5.19).

Mas nossas escolhas se referem aos fins, não aos meios. Então, escolhemos ir para o Céu, em vez de ir para o inferno, mas Deus é quem decide o que será no nosso caminho até lá. E infortúnios e provações fazem parte do trabalho redentor do Senhor em nossas vidas (Tiago 1.2-4,12; Apocalipse 3.19).

Causam dor, momentos de tristeza, de relativa fraqueza, de dúvidas. Mas produzem em nós um “peso de glória mui excelente” (2Coríntios 4.17). E mesmo que pareçam se prolongar um pouco mais, momentos difíceis remetem nossa memória à glória eterna que nos espera, num lugar grande e confortável: A eterna Morada do Senhor para nós (João 14.2).

Temperaturas altas nessa nossa relação de guerra travada contra o mundo. Condições quase insuportáveis de se viver para quem almeja santidade mas segue todas as horas do seu dia exposto ao pecado.

Inveja santa daqueles que banham nas águas purificadoras do rio de Deus e refrescam suas almas exaustas das batalhas. Vontade de ter paz aqui nesta vida, como aqueles que já ganharam o Céu por herança e descansam para sempre longe deste mundo mal. Desejo ardente de querer retornar ao Lar, onde Jesus já nos espera.

Na cadeia de proporções planetárias dessa interdependência dos fenômenos naturais, não sei explicar como um dia de clima quente e seco como este, hoje, em Brasília, pode cooperar para alguma coisa [os porquês e os para quês disso são coisas para os cientistas]. Mas sei que, pelo menos, ajudou gente ocupada e preocupada com as coisas daqui da terra – como eu e – a aspirar ainda mais o momento da nossa chegada ao Céu.

E depois de tantos dias de trabalhos exaustivos e conflitos intensos, finalmente estarmos limpos de todo pecado, leves de toda culpa. E com novas vestes, caminharmos pelos jardins celestiais, pelas ruas de ouro, ou em direção à sala onde cearemos à mesa do Rei.

Finalmente de voltar para Casa.
Vivendo sem preocupação com mais nada.
Não só por uma noite, mas para todo o sempre...



[1] O clima de Brasília e o microclima local. Projeto Casa Autônoma. (29out2012)