quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A dor da saudade


A Bíblia em um ano:
1Coríntios 11-16


Imagem: Google.


Como a ave que vagueia longe do ninho, assim é o homem que vagueia longe do lar.
Provérbios 27.8


Eu não tenho o lirismo dos romancistas clássicos, nem a lapidação dos grandes poetas para compor sobre este assunto. Mas sou sensível o suficiente para entender o quanto dói a dor da saudade...

Dor sem sentido, sem um motivo aparente. Só o que a gente vê é que devia nos causar dor. Logo, o que não se vê, não deveria nos atingir e nem exercer influência alguma sobre nós. (Lógica natural das coisas...)

Dor que rouba suspiros, que arrebata os pensamentos, que define alguns comportamentos.

Dor que não pede para entrar, assenta-se sem ser convidada, participa de todos os nossos momentos e não se oferece para ir embora.

A dor da saudade é a mesma dor na menina que viu seu cachorro sendo atropelado. É a mesma dor no rapaz que foi rejeitado pela jovem amada. É a mesma dor nos filhos que estão se separando dos pais. É a mesma dor no pai que perde um filho. É a mesma dor no filho que se perde de Deus.

Em maior ou em menor grau, é sempre a mesma dor. A dor da ausência, do vazio, da procura, da espera. Mais intensa ou mais branda, mais silenciosa ou mais extravagante, é sempre a mesa dor doída. É sempre a mesma ferida. É sempre a mesma dor de uma saudade.

Saudade, dizem, é dor de quem ama. E temos visto isso assim mesmo...

Apaixonados, desesperados, abandonados, rejeitados, angustiados, solitários, afastados, sonhadores. Todos eles, entre outros tantos, sentem saudade porque amam. Amam e não foram correspondidos. Foram correspondidos, mas não realizados. Foram realizados, mas nalgum momento roubados, ou podados, ou limitados.

Ou não. Mas perderam. E ficou saudade.

Penso na alegria de Deus quando um filho pródigo mas tão amado retorna à Sua presença e firma compromisso com a família do Pai, colocando um fim em toda aquela saudade em Seu coração acerca do filho outrora perdido. Penso na alegria de uma vida que retoma sua caminhada com Deus. (Posso dizer com propriedade sobre a satisfação que há em ter uma vida com este Senhor.)

Penso na alegria de pessoas se ajustando, se resolvendo, resolvendo a vida. Penso na vida quando penso em saudade.

Como é interessante... A mesma saudade que nos faz chorar, nos faz cantar. A mesma que nos faz sentir dor, nos traz esperança. A mesma saudade que quase nos mata de ansiedade também promove sonhos e motivações em nós. A mesma que inunda nossas almas de angústia também dança com elas ao som da suave música das agradáveis lembranças que não deixam morrer o outro dentro de nós.

Saudade...
Podemos matá-la com uma decisão apenas, ou simplesmente aceitá-la e conviver com ela para sempre. (E quase sempre não fazemos nenhuma coisa, nem outra.) Podemos suportá-la e prosseguir até que haja um novo encontro, ou podemos nos render à opressão que lhe acompanha e morrer cada instante um pouco mais. (E quase sempre fazemos as duas coisas.)

Eu entendo de algumas saudades: Perdi uma cadela. Perdi um pai. Perdi amigos. Perdi paixões. Perdi oportunidades. E já andei perdendo até Deus também.

Cadela, foi levada de mim e eu não pude estar lá. Tudo que sei é que jamais a verei de novo.
Pai, sei onde está mas não posso chegar lá.
Amigos, talvez eu saiba onde estão, e assim que puder, irei até lá.
Paixões, não sei onde estão e, se soubesse, é certo que não devo ir até lá.
Oportunidades, já não são.

Mas Deus, bem...
Deus está aqui. Saudade Dele não deve existir. Eu sabia onde Ele estava e fui logo correndo para lá. Pois, como eu disse, eu não tenho o lirismo dos romancistas clássicos, nem a lapidação  dos grandes poetas para conversar sobre saudade. Mas sei o quanto ela dói e, principalmente se for saudade da eternidade, saudade de Deus. Então, ainda mais cedo é que devo me livrar dela.

Aconteceu comigo. Mas logo coloquei meu vestido de humilhação, ajeitei meu chapéu da sensibilidade, calcei minhas sandálias da sinceridade, peguei a mala da coragem, e fui em direção ao meu Deus, para matar toda a minha saudade.

Da varanda, Ele já me esperava. E amorosamente alegrou-Se em me receber...

Se você precisa chegar também onde Ele está, te empresto minha carruagem.

Ela se chama oração.