quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Enquanto chove lá fora...

A Bíblia em um ano:
Atos 19-21


Eis que Deus é grande, e nós não O compreendemos, e o número dos Seus anos não se pode esquadrinhar. Porque faz miúdas as gotas das águas que, do seu vapor, derramam a chuva, a qual as nuvens destilam e gotejam sobre o homem abundantemente.
Jó 36.26-28


Imagem: Google.
O som da chuva me fascina.

Chuva, pra mim, sempre traz novidade. Nunca será a mesma chuva. E o som das águas sendo precipitadas nunca será o mesmo, embora saibamos perfeitamente identificar o som de uma chuva em meio a diversos outros sons. Mas nunca será o mesmo som da chuva anterior. Nem será igual aos que virão depois. Há sempre uma música nova sendo produzida pelo som de cada chuva que cai.

Assim como há sempre um novo dia, a cada manhã com que Deus nos presenteia e abençoa com misericórdias renovadas (Lamentações 3.22-23). Nunca é o mesmo dia, embora muitos de nossos afazeres sejam iguais, rotineiros, mas sempre haverá um diferencial que, se soubermos buscar, encontraremos qual se encontra um grande tesouro. E cada novo dia superará o que lhe antecedeu.

Para pessoas mais melancólicas (como eu), a chuva dialoga e canta. Cada uma daquelas gotas faz um convite para uma valsa no salão dos nossos pensamentos. Por isso a chuva é sempre bem vinda para nós.

Os riscos que cortam a paisagem à nossa frente, desenhados pelos rastos das gotas se lançando contra a terra, produzem um espetáculo particular para mim. Lembram-me a ousadia dos heróis da fé , que se lançaram contra as muralhas da vida, enfrentando a fúria da oposição, desbravando o mundo em busca de um ideal (Hebreus 11). Um deles, uma gota apenas, não faria diferença. Mas milhares delas conseguiram encharcar o chão e mudar a história do mundo.

Chuva, pra quem tem paixão pelo ser humano – como eu – é símbolo extraordinário do amor, da bondade e da misericórdia do Eterno Deus, que derrama Seus favores sobre todos os homens, sejam pobres ou ricos, bons ou maus, justos e injustos (Mateus 5.44-45), assim como a chuva cobre os telhados de toda uma cidade, sem apontar o mais merecedor e sem excluir o mais indigno.

Vista por esse ângulo, até a chuva demonstra mais compaixão pelos outros do que nós, não é? Ela dá das suas águas a todos, sem distinção. Nós, porém, escolhemos quem merece receber nossa atenção, nosso afeto, nossas doações... Ela fecunda a terra de todos quantos precisam dela para produzir e crescer, e dá o direito a todos de terem fartas colheitas. Nós, porém, decidimos quem tem direito de produzir porque julgamos quem produzirá para o bem ou para o mal, antes mesmo que produzam.

E nesse balé de um passo só, cada gota da chuva lança-se das nuvens e segue seu destino com uma determinação invejável. Mesmo açoitadas pelos ventos, essas meninas decididas cumprem seu objetivo sem desviar-se do alvo. Correm destemidas ao encontro da terra e lançam-se a ela como a moça apaixonada lança-se nos braços do seu amor. Como a Noiva apaixonada corre em direção a Jesus e lança-se nos braços do Amado das nossas almas.

E no final dessa apresentação singular, a chuva nos presenteia com um sol encantador. Vez por outra, faz-nos ainda um mimo a mais e coroa-nos com um belíssimo arco-íres. Um lembrete adorável para quem amarga dias difíceis, dores incontáveis. “Quando os olhos se tornam rasos, e nuvens carregadas os fazem transbordar, é o momento mais propício a crer no arco-íres que sucede às tempestades” (Moacir Willmondes).

Não foi à toa que Deus criou a chuva. E não é à toa que ela tem inspirado poetas, compositores e artistas do mundo inteiro, desde os tempos mais remotos. Pois a chuva é um corpo realizando uma grande obra na terra, dotado de uma voz capaz de falar às profundezas de uma alma.