terça-feira, 13 de novembro de 2012

(In)Justiça


A Bíblia em um ano:
Atos 12-15


[Palavras de Jó:] Pois fiquem sabendo que Deus foi injusto comigo; foi Ele que armou uma armadilha para me pegar.
Jó 19.6

Imagem: Trapos de imundícia (Isaías 64.6),
In Cyberspace Ministry.


“A graça de Deus não encontra 
homens aptos para a salvação, 
mas torna-os aptos a recebê-la.” 
(Agostinho de Hipona)

O que, para nós, muitas vezes parece armadilha de Deus, na verdade, é uma prova que Ele nos pede sobre o que sentimos e declaramos a Ele em nossas canções, palavras e orações.

Deus prova os Seus filhos para aprová-los. Ele permite-nos vivenciar momentos de escolhas cruciais, onde permanecer com o Senhor é uma das duas únicas alternativas, em detrimento da nossa renúncia à outra, por mais que aquela nos satisfaça.

Parece injusto, não é? Mas se não for assim, jamais saberemos nem demonstraremos o quanto Deus é realmente importante para nós. Se não for assim, nunca superaremos as fraquezas e medos anteriores. Se não for assim, nunca deixaremos o comodismo, nem daremos mais um passo em direção a ao Senhor.

Ainda parece injusto, eu sei. Mas o que é justo, afinal de contas, num Reino onde o Deus Santo e Perfeito, deixa Seu trono de glória absoluta e Se encarna como um carpinteiro pobre de uma cidadezinha chinfrim, para dar a uma ralé de pecadores obstinados o direito de chamarem Deus de “Pai” (Romanos 8.15), de serem chamados “reis e sacerdotes” (Apocalipse 5.9-10), e de se habitarem a cidade de ouro e de pedras preciosas (Apocalipse 21 e 22), sem que tenham feito absolutamente nada para merecerem isso, quando tudo o que realmente mereciam era castigo e condenação? Isso parece justo para você?

Na verdade, a graça de Deus é injusta, porque ela nos abençoa com dons que jamais fomos dignos de receber.

Deus prova, por Suas grandes obras em nosso favor, o quanto nós precisamos do Seu cuidado em nossas vidas, mesmo que não sejamos nenhum pouco dignos de recebê-lo. E se nos negasse tal desvelo, nossas culpas já nos teriam sucumbido.  

Mas como pela graça de Deus somos beneficiados com o que não merecemos, e por misericórdia Dele não recebemos o que de fato merecemos, inclinemos nossos olhos e, constrangidos pelo Seu amor e bondade, reconheçamos: Seja para nos provar, nos corrigir ou nos salvar, meu caro Jó, Deus não faz o que é justo. Ele faz o que é necessário.