sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mais fortes nas fraquezas


A Bíblia em um ano:
Lucas 21-24


Imagem: Google.

"Aqueles que mergulham no mar das aflições 
trazem pérolas raras para cima."
(Charles Suprgeon)

“Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim.”
2Coríntios 12.10


Paulo foi um desses homens que aprendeu a lidar com suas dores buscando consolo no colo do Senhor. Suas lutas não estavam relacionadas somente ao seu ministério, mas principalmente ao seu ego (Filipenses 3.3-11). Não adiantava Paulo ser o homem inteligente, talentoso e ousado que era, e usar tudo isso para sua satisfação unicamente aqui, nesta primeira parte das nossas vidas. As qualidades de Paulo deviam ser canalizadas para a direção certa, que resulta numa vida perdoada e livre, mais semelhante e mais próxima de Cristo. E isso também é o que garante que a segunda parte da vida, isto é, a eternidade, seja em glória, não em tormento.

Dennis Allan escreveu que “a doutrina popular de que os justos são sempre abençoados e protegidos do sofrimento nesta vida é absurdo e falso. Paulo era dedicado como qualquer cristão e sofreu mais do que a maioria. Jesus nunca pecou, mas sofreu terrivelmente. Os pregadores de hoje que declaram que o sofrimento prova uma falta de fé estão condenando alguns dos maiores homens que viveram, entre eles Jó, Paulo e até mesmo o Filho de Deus!” [1].

Algumas pessoas, sendo provadas e trabalhadas por Deus no seu caráter, tiveram de lidar com separação, com perdas materiais, tiveram de perder pessoas, tiveram de perder parte da sua saúde ou do seu corpo. Outras, se não enfrentaram com esses problemas pessoalmente, tiveram de lidar com as drogas, a prostituição e homicídios, entre outros, na sua própria família. Outras pessoas, ainda, com tragédias, como grandes acidentes. Eu tive de lidar, entre outros infortúnios, com a rejeição das pessoas, até que encontrasse o amor incondicional de Deus por mim e fizesse dele a luz e o calor do meu caminho.

Às vezes, no afã de sentir-nos amados (e isso, de fato, é uma necessidade mor de qualquer ser humano), nós buscamos nas pessoas a respostas para as nossas carências, respostas essas que nem sempre as pessoas podem (ou querem) nos dar. E a falta dessas respostas forma imensos buracos negros no universo da nossa existência. Causa feridas tão profundas na alma, que nem todos os recursos da nossa ciência jamais descobriram como curar.

A rejeição humilha. Faz-nos sentir-nos desprezíveis, indignos, piores. Muitas pessoas não sabem lidar com ela. Umas se revoltam e se envolvem em situações muito tristes. Outras, se fecham para o mundo e jamais conseguem ser felizes em nenhum dos seus relacionamentos. Outras entram em depressão profunda, a ponto de colocar fim à própria vida. Mas muitas pessoas recorrem a Deus e encontram a superação à rejeição pela profundidade imensurável do Seu amor por nós.

O amor de Deus por nós não é o mesmo amor que um homem sente por uma mulher e vice-versa. Nem é o amor entre irmãos. Tampouco é o amor de um pai pelo seu filho. O amor do Senhor por nós é ainda maior que toda possibilidade acerca desses. É inexplicável por palavras e é completo em si mesmo. Não precisa que sejamos melhores para que ele produza em nós a sensação que estamos recebendo dele porque merecemos – como as trocas nos nossos relacionamentos com pessoas produzem.

Todos nós temos o amor de Deus a nos envolver simplesmente porque precisamos dele e Deus escolheu nos amar. É incondicional. Simples assim!

E é esse amor que nos acolhe em momentos de angústia. É esse amor que dá sentido à nossa existência. É esse amor que preenche o vazio em nossos corações, que supre a ausência das pessoas, que nos dá condições de olhar para frente e prosseguir, mesmo diante de tragédias, mesmo diante da rejeição, mesmo diante dos nossos conflitos interiores.

E é esse amor que nos ensina a perdoarmos cada ofensa que a vida nos traz, seja por meio de pessoas, seja por meio de acontecimentos infelizes. Somos marcados por altos e baixos. Somos produto de eventos, os mais diversos. E temos de aprender a lidar com essas coisas, se queremos manter equilíbrio e felicidade mesmo quando a alegria der lugar à tristeza.

Felicidade é uma plataforma com os holofotes dos olhos divinos, sobre a qual apresenta-se, ora a alegria, ora a tristeza; ora o prazer, ora a dor; ora a cura, ora a enfermidade; neste grande show à céu aberto, chamado vida.

E o amor de Deus por nós é essa base sólida, essa estrutura de sustentação que nos mantém firmes enquanto as coisas vão acontecendo conosco. Se começarmos a guardar as mágoas, os rancores da vida ou das pessoas, eles servirão de ferrugem e, mais cedo ou mais tarde, comprometerão toda a nossa estrutura, se não a destruir por completo.

Por isso – e esse também é o meu conselho pra você –, eu me recuso a deixar de amar a vida, mesmo quando meu coração estiver espremido por ela, assim como me recuso a tratar as pessoas da mesma maneira com que muitos me trataram (e ainda tratam), com frieza, com silêncio, com indiferença, com omissão, com rejeição. A dor que eu já senti (e ainda sinto) por causa dessas atitudes egoístas e insensíveis, eu não desejo a ninguém.

Mas o bem que encontrei no amor do Senhor, que sem nem mesmo merecer me ajuda a superar os percalços de cada dia, isso é o que quero sempre ter e ofertar, com atitudes, não apenas com palavras. Porque é isso é o que prova às pessoas o real valor que elas têm. E isso é que torna nossas vidas um pouco mais úteis.



[1] Dennis Allan. O que era o espinho na carne de Paulo? Disponível em Estudos Bíblicos.