terça-feira, 20 de novembro de 2012

Me falaram das flores...


A Bíblia em um ano:
Romanos 5-8

Imagem: UltraDownloads.


E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado.
Gênesis 2.7-8


Ao longo da vida, andaram me falando das flores...

Que são tão plurais e diversificadas, e ao mesmo tempo tão singulares e semelhantes, mesmo com diversos formatos e cores, em grupos ou solitárias. E sempre tão únicas...

Disseram que praticamente todas oferecem seu agradável mel às borboletas, porém muitas ocultam por trás da aparente doçura que são venenosas e podem matar.

Disseram também que muitas delas, embora sejam encantadoras e possuem uma beleza exterior extraordinária, no seu íntimo, nos seus talos escondidos debaixo das folhas, estão carregadas de espinhos, e estes podem nos machucar muito. Mas, por outro lado, lembraram-me que os espinhos podem ser retirados, e que se isso for feito com amor, tais flores ficarão ainda mais belas e agradáveis...

Falaram-me que algumas flores são lindas demais, porém muitíssimo delicadas, como as rosas. Ficam destroçadas por qualquer brisa desajeitada... Enquanto outras, como algumas espécies de flores do campo, embora tenham uma aparência agressiva, suportam o calor do sol, o peso das chuvas e os açoites dos ventos, e nem por isso perderam sua alma de flores. Em sua essência, continuam flores, meigas e puras.

Falando em essência, contaram-me que para retirar o melhor perfume de uma flor é preciso esmagá-la. Contudo, embora esse seja um processo natural da vida, ainda assim o seu perfume sempre permanece na mão que a esmaga.

Explicaram-me que na sua diversidade de características e funções, muitas flores são chamadas parasitas, porque se aproveitam dos nutrientes de outras plantas para sobreviverem. Mas há flores que sabem servir, e servem como enfeites, outras dão seu perfume, algumas alimentam, outras curam...

Contaram que a longevidade floral varia muito. De um extremo do espectro, há alguns desses seres intrigantes que se abrem e murcham em questão de horas, enquanto noutro extremo há flores que desabrocham e duram semanas.

E contaram-me, inclusive, que embora toda a sua beleza e utilidade, no final, as flores sempre murcham e caem, ficando apenas o seu lugar. E com o tempo, praticamente ninguém mais se lembrará dela.

Falaram-me que algumas são bastante intransigentes, que não se adaptam a qualquer ambiente e exigem cuidados meticulosos do seu jardineiro. Enquanto há outras tão singelas, embora de rara beleza, mas tão doces no lidar, tão maleáveis, tão adaptáveis...

E me falaram até da força que um botão, mesmo cortado, possui. Após ser retirado do pé, ele ainda termina de desabrochar e conclui seu ciclo, cumprindo sua missão até o fim e se tornando uma linda flor. Basta que esteja recebendo água. Água da vida...

Interessante foi saber que flores humildes testemunham momentos de tristeza, se oferecem por colcha para dar instantes finais de dignidade aos mortos em seus esquifes, e até se permitem ser designadas a acompanhá-los por um longo tempo em seus túmulos. Enquanto as mais altivas se esforçam para serem dadas por presentes e receberem elogios de todos.

Mas reflexão melhor não ouvi do que aquela que lembrava: quem tenta possuir uma flor, verá a sua beleza machucando, mas quem olhar uma flor no campo, permanecerá para sempre com ela. Essa necessária liberdade de ser tem uma íntima ligação com o que nós somos.

De fato, impressionou-me saber das flores.

Porém, à certa altura da vida, após ouvir e ver de tantos aspectos incríveis e ao mesmo tempo tão intrigantes, acerca de seres tão simples e ao mesmo tempo tão complexos, tão múltiplos e ao mesmo tempo tão únicos, percebi que já não se tratavam de flores, mas de nós mesmos.