quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Passarinhos e serpentes


A Bíblia em um ano:
Atos 16-18 


“[...] O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá. Se plantar no terreno da sua natureza humana, desse terreno colherá a morte. Porém, se plantar no terreno do Espírito de Deus, desse terreno colherá a vida eterna.”
Gálatas 6.7-8



Imagem: Google.
Eu sou aquela pessoa boba, que dança ao som da chuva, viaja com o voo da borboleta, se encanta com a corredeira de um rio, rola no chão igual criança brincando com cães, conversa com as flores, sorri quando um pardal chega mais perto.
                                 
Sou aquele tipo de pessoa boboca, que procura apreender um ensinamento de tudo o que consegue ver acontecendo (baseada em Romanos 8.28), e tenta crescer com as lições que a vida nos dá. Em especial, eu vejo a natureza como um dos principais livros didáticos adotados pela vida.

Nesta manhã, estive observando um pardal novamente. Ou, antes, ele esteve me observando.

Eu estava fazendo algo num dos cômodos da minha casa, e de repente ouvi um canto lindo muito próximo a mim. Olhei para a janela distante uns dois metros apenas, e lá estava ele, pequenino e esbanjando graça. Mas só queria chamar minha atenção. Emitiu um som, fez-me olhar para ele, e assim que isso aconteceu, o pardalzinho bateu asas e voou. Livre, para um lugar tranquilo, longe de ameaças.

Pensei no quanto amo a natureza, as coisas que nosso Deus criou. Tudo nela me fascina. Cada fenômeno é um acontecimento de extraordinária beleza e significado pra mim. E o pardalzinho, hoje, fez-me pensar sobre o cuidado para com aquilo (ou aquele) que amamos.

Eu amo pássaros. Cada espécie possui uma singularidade, que só a alma dos olhos que contemplam esses bichos pode compreender. Palavras não descrevem. Mas precisamente porque amo esses bichinhos é que não tenho coragem de criar um dentro de uma gaiola.

Sem radicalismos nessa afirmação, é claro, pois existem casos específicos de aves que precisam viver em cativeiro, por circunstâncias diversas. Mas isso é outro caso. Não cabe discutir aqui. A questão para a reflexão a que te convido nesse momento é a liberdade que permitimos ao outro, quando amamos.

Não tenho coragem de colocar um passarinho numa gaiola porque sei que isso lhe entristeceria demais. Ele tem o infinito do firmamento para viajar livremente, sem nenhum impedimento, quando bem quiser, para onde quiser. Penso que eu me tornaria uma criminosa das mais perversas se privasse esse serzinho chistoso da sua alegria e liberdade. Amo-os demais para cometer tal barbárie.

E inevitavelmente penso no amor de Deus por nós, que tanto nos quer bem e nos dá a liberdade para vivermos cada dia. Deus nos ama tanto, que não nos coloca um cabresto para nos guiar pelo bom caminho, embora saiba que, na maioria das vezes, sozinhos, nós escolhemos caminhos maus.

Deus respeita nossas escolhas. Ama-nos tanto que dá-nos liberdade para escolher. Dá-nos livre arbítrio. Ensina-nos o que é certo e deixa-nos proceder conforme nos pareça adequado.

E mesmo que façamos as escolhas erradas, o Senhor ainda não nos enclausura numa gaiola e força a fazer o que é certo. Não. Amorosamente, Ele nos dá novas orientações e volta-nos à liberdade de escolha.

Ele não nos força a nada. A vida sim. Mas não a mando de Deus. Através das nossas próprias escolhas. Cada um de nossos atos tem uma consequência. E são essas consquências que nos condicionam a reagir dessa ou daquela forma, conforme os eventos vão acontecendo e nós vamos interpretando cada um deles.

Um exemplo clássico da Bíblia sobre essa questão das consequências que carregam nossas escolhas, está em Deuteronômio 30.19: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente.” Os capítulos 11 e 28 do mesmo livro também trazem uma explanação mais clara sobre os benefícios das escolhas corretas, respaldadas pelos ensinamentos de Deus, e os malefícios das escolhas erradas, que fogem dos princípios e da direção do Senhor.

Mas diferente dos passarinhos, nós quase sempre optamos por aquilo que nos aprisiona. Com nossos próprios pés, nós adentramos à cela do pecado e trancamos a porta com a chave da nossa falta de sabedoria.

Você já viu um passarinho brincando com uma serpente? Já viu uma ave correndo “de asas abertas” ao encontro do seu predador? E quantas vezes você já viu pessoas brincando com o pecado? Quantas vezes nós mesmos já demos ousadia para aquilo que viria a nos embaraçar ou nos fazer cometer atitudes erradas?

Imagem: Google.
Passarinhos brincando com serpentes. Boa ilustração para explicar o risco das nossas atitudes impensadas, desobedientes e irresponsáveis.

Mas as consequências trágicas desse comportamento sempre chegam, não é? Mais cedo ou mais tarde, elas sempre vêm, por mais que sejamos perdoados por Deus. Os resultados naturais dos nossos atos inevitavelmente sempre vêm.

Por isso, devemos aproveitar melhor essa liberdade que o Senhor nos dá. Procurar vivê-la da melhor forma, com vistas a preservar a Paz de Deus em nossos corações, e alçar lindos voos aqui, até que nosso pouso final aconteça lá na eterna glória.

Sejamos prudentes, pois Deus nos ama tanto, que nos dá liberdade como deu aos pardais. E nos respeita tanto, a ponto de permitir que nós escolhamos o que fazer com ela.

O pardalzinho – creio fosse o mesmo – voltou à minha janela enquanto eu escrevia essa mensagem. Mas dessa vez, cantou um bocado. Ele encontrou em mim uma plateia ávida por admirá-lo e seduzida pela sua beleza e simplicidade. Então, fez o seu show particular, e sem cobrar, alegrou meu dia lindamente.

Em vez de brincar com serpentes, nós podíamos aproveitar a liberdade que temos em Cristo para alegrar corações ávidos pela Paz de Deus, e impressionar o mundo com o canto da nossa alma, um hino de adoração ao Senhor, expresso em atitudes.