quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Tempestades


A Bíblia em um ano:
Lucas 17-20


“Os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações.”
Salmos 34.17


Imagem: Google.
A força dos ventos lá fora é grande. Tão forte que chega a assustar. A noite inteira foi assim, pré anunciando uma chuva intensa, que agora está caindo. (Talvez interrupções pela queda de energia elétrica me façam demorar um pouco mais escrevendo esse texto...)

Tempestades sempre me fazem pensar na presença e nas bênçãos do Senhor com mais gratidão, e também lembrar ainda com mais compaixão daquelas pessoas que não têm um lugar onde se abrigar. Neste momento existem montões de pessoas encolhidas debaixo de marquises ou pelos cantos das rodoviárias do DF e de Brasília, enroladas em seus cobertores sujos, tentando suportar a força dos ventos e a frieza da chuva, em mais uma madrugada de abandono, solidão e exposição ao perigo.

Penso também em corações que estão abrigados em uma casa confortável, mas expostos às fortes chuvas da decepção, aos ventos intensos dos dissabores da vida, que sempre – e sempre – sopram em nossa direção e causam danos, destelhando nosso passado, açoitando objetos do medo contra a vidraça dos nossos ânimos.

Raios irreverentes e imprevisíveis, como o distanciamento, o silêncio, a rejeição da parte de pessoas tão importantes para nós, rasgam a tenebrosidade da noite. Da noite lá fora e da que está dentro de nós.

O som da chuva por vezes é quebrado pela violência do ruído dos trovões, expressos em ais, em prantos, em gemidos, no desespero de uma dor profunda.

Privações. Provações. Frustrações. Perdas. Solidão. Perseguição. Vazio. Exclusão. Culpa. Mágoa. Desprezo. Revolta. São tantas gotas de se precipitando do céu sobre nossas casas, sobre nossas vidas, às vezes tão estragadas, tão despreparadas para suportar períodos tempestuosos assim...

É preciso ter um lugar seguro onde nos guardar durante uma tempestade. É preciso que tenhamos uma vida edificada e protegida, preparada para suportar os dias maus. É preciso estarmos preparados para resistir e não nos perder nas tormentas da vida.

É preciso estarmos abrigados em Deus e na força do Seu poder. 

Seu amor é o teto que contém cada gota d’água do lado de fora. 

Seus braços são as paredes, que retêm a lama, contornam enxurradas, sustentam e protegem nossas almas. 

Seu perdão é o solo que não se encharca nem cede, por mais alagamentos que aconteçam. Tampouco estremece ao som das imponentes trovoadas de uma nova contrariedade. 

O brilho dos Seus olhos ternos é a luz que não cessa de iluminar nossas vidas, mesmo que todos os sistemas do mundo falhem... 

E o calor da Sua graça e misericórdia nos manterão aquecidos em todo o tempo.

Embora carentes, pessoas que vivem nas ruas e estão expostas a temporais como o desta madrugada, sempre acabam encontrando um local seco e mais protegido, onde podem dormir. Pessoas com tempestades na alma é que nem sempre conseguem ver que o Senhor é esse lugar seguro. E se conseguem, nem sempre se abrigam ali...