quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Voltar...


A Bíblia em um ano:
Romanos 12-16


Imagem: Back home, by Carameli. Disponível no DevianArt.



Depois de dizer isso, Jesus cuspiu o chão, fez um pouco de lama com saliva, passou a lama nos olhos do cego e disse: ‘Vá lavar o rosto no tanque de Siloé. (Este nome quer dizer: “Aquele que foi enviado”) O cego foi, lavou o rosto e voltou vendo.
João 9.6-4


Voltar...
Nem sempre isso agrada.
Voltar, muitas vezes, casa com humilhação, com vergonha, com derrota. Parece-nos sinônimo de retrocesso pessoal, de perdas, de não-progressão.

Mas o dicionário celeste tem um sinônimo a mais para este vocábulo. Na linguagem bíblica, voltar é sinal de recomeço e de exaltação.

O homem que nasceu cego foi tocado por Jesus, cumpriu as orientações do Mestre, lavou-se no tanque de Siloé e voltou vendo (João 9.1-6).

A mulher samaritana teve um encontro com Jesus à beira do poço de Jacó, bebeu da água da vida, e depois voltou à cidade para contar a todos que havia encontrado o Cristo (João 4.1-42).

Esses são apenas dois dos tantos exemplos de pessoas que voltaram ao seu povo, ao seu lugar de origem, para compartilhar com outras pessoas sobre o Senhor Jesus. Elas receberam bênçãos incomparáveis, mas não guardaram-nas para si somente. Tampouco, apegaram-se ao Dono das Bênçãos e desprezaram os carentes de conhecê-Lo.

Às vezes, fico observando essa nossa geração de “cristãos-cabeças, não caudas”, que querem sempre um lugar de honra, uma posição de destaque, um reconhecimento enquanto “super servos de Deus”. E, por vezes, ouço de algumas bocas (convencidas, não convertidas), que seu destino é sempre seguir em frente. Jamais retornar.

Mas Deus, o próprio Deus, retorna. Ele volta todos os dias ao lugar onde Se despediu do filho pródigo e o aguarda ansiosamente retornar ao lar.

Ele, o Senhor, retorna todos os dias ao lugar onde caímos e deixamos o primeiro amor, e espera que também voltemos, para que possa nos ajudar a recomeçar com Ele.

Ele, o Eterno, volta sempre que preciso ao lugar da nossa prisão e, conforme Lhe permitimos, quebra mais uma de nossas cadeias e nos torna um pouco mais livres.

Ele sempre e sempre volta ao lugar do perdão e libera-o incondicionalmente sobre nós, tão logo busquemo-lo do Senhor com um coração sincero.

Deus não Se cansa de voltar. Nós, porém, não queremos voltar. Queremos sempre o melhor. Queremos sempre a exaltação. E não nos damos conta que, a exaltação não está no lugar aonde chegamos, mas nas motivações que nos mantêm no caminho.

Talvez, muitos pensem que o ex-cego não precisava mais voltar àquele ambiente onde, por tantos anos, mendigou e sofreu misérias. Mas mesmo sob as dúvidas e questionamentos, mesmo sob a pressão dos religiosos, ele voltou e testemunhou convictamente sobre o Jesus que ele nem mesmo conhecia, mas que tinha mudado para sempre sua história.

Se o ex-cego não tivesse voltado àquele lugar depois de receber sua cura ao lavar-se no tanque, perderia a grande oportunidade de dar testemunho da graça que recebeu, e também de, na sua simplicidade, contar algumas verdades aos religiosos ao seu redor (Leia João 9). E o mais provável: certamente não teria se encontrado com Jesus pessoalmente, após todo aquele alvoroço (João 9.13-41).

Talvez, nossa necessidade de voltar hoje não seja, necessariamente, a um lugar físico. Talvez, seja voltar a uma questão não resolvida, a um pedido de perdão não pronunciado, a uma culpa não reconhecida. Talvez, seja um conceito a ser revisto, uma motivação a ser confrontada, uma prática a ser abolida.

Voltar...
Nem sempre é agradável. Mas é sempre poderoso.
Nem sempre é fácil, mas é sempre justo.
Nem sempre é necessário. Mas se for, será sempre correto.