sábado, 1 de dezembro de 2012

Amigo é pra essas coisas...


A Bíblia em um ano:
2Coríntios 11-13


Imagem: by Carol Smith. Amizade entre macaco e veado no zoológico de Malaca, Malásia (Agosto, 2012).

Óleo e perfume alegram o coração, e conselho de amigo acalma o ânimo.
Provérbios 27.9


Trim, trim... Trim, trim... Triiiiiiiiiiiimmmm... (Toca o telefone da minha casa.)
¾ Alô...
¾ Elaine, eu levei um susto aqui, agora...
¾ Oi, pra você também, Rose. Como vai?
¾ Ah, eu estou preocupada e to chateada...
¾ É? E o que foi que te aconteceu?
¾ Eu enviei um trabalho para o professor, pelo e-mail, e ele me retornou dizendo que trabalha na AEUDF*, na FE*, na UNB*, no Elefante Branco** e em mais cinco polos de estudos da FALBE*, e que orienta sobre as monografias de centenas de alunos. Disse que não tinha como adivinhar quem eu era e de onde eu era.
¾ Sei... Mas você se identificou direitinho no e-mail?
¾ Não. Eu só coloquei meu nome e o nome da faculdade. Ele devia saber quem eu sou. Como é que pode me esquecer assim?
¾ Bem, Rose, se você não se identificou direito, ele realmente não tem obrigação de saber quem você é...
¾ Que negócio é esse de “não tem obrigação”? Eu estou revoltada agora, com essa conversa. E se ele não analisar meu trabalho porque não sabe quem eu sou? Eu serei prejudicada na minha monografia. O que será que vai acontecer agora? (Ela perguntou, já com voz de choro...)
¾ Coitado do professor, Rose. Ele é muito atarefado. É importante você se identificar com o máximo de clareza, para evitar problemas e constrangimentos.
(Ela se altera repentinamente...)
¾ Ah, mas eu vou escrever um e-mail para ele agora, com um monte de desaforos. Onde já se viu?! Eu disse que sou a Rose da FALBE [...] e ele tem de saber quem eu sou. Como é que me esquece assim?
(Eu é que comecei a me estressar daqui...)
¾ Rose...
¾ O quê?
¾ Você está próxima ao computador?
¾ Pra quê?
¾ Pra eu te ajudar a escrever outro e-mail para o professor.
¾ Pra quê outro e-mail?
¾ Porque você disse que ia escrever outro e-mail para ele.
¾ Ah, é... Então você me ajuda a escrever uma mensagem bem desaforada para ele...
¾ Já abriu seu e-mail, Rose?
¾ Tô abrindo, pera ae...
¾ Tô perando...
...
¾ Já.
¾ Já o quê?
¾ Já abri o e-mail.
¾ Ah, tá... Então, escreva aí: “Professor ‘fulano’...”
(Tec, tec-tec, tec-tec-tec... tec... – Som do teclado do computador, enquanto minha fala era catilografada pela Rose...)
¾ Pro-fes-sor “Ful-l... Fu-la-no...” ... “Professor fulano...” Já escrevi.
¾ Então continue digitando aí: “Perdoe-me por te enviar um e-mail sem a devida identificação...”
(Ela grita:)
¾ Ô Elaine! Você tá defendendo o professor por quê?
¾ Porque você está criando uma tempestade num copo d’água, e... (Ela me corta.)
¾ Sinceramente, eu acho que você está namorando com o professor. Confessa logo! Você está defendendo ele assim porque está de caso com ele.
(Vontade de dar um bofete na Rose...)
¾ Não tem nada disso, Rose! Eu apenas estou me colocando no lugar dele. São centenas de alunos de quatro faculdades enviando trechos de monografias para ele a todo instante, e você acha que você é a única Rose que existe no mundo? Você acha mesmo que ele tem obrigação de saber quem é você ou quem sou eu?
¾ Não sei...
¾ Não sabe o quê?
¾ Não acho que você esteja falando a verdade. Confessa logo que tá namorando com o professor...
(Juro que daria uns cascudos na Rose...)
¾ Rose, você só precisa ter um pouquinho mais de humildade. Reconheça que errou, trate o professor com respeito e faça o que é certo, pois você realmente não é a única Rose do mundo. E ainda que fosse, não é todo mundo que tem a obrigação de te conhecer...
¾ É... Realmente não sou a única Rose.
¾ Então... Desfaça-se desse seu lado “barraqueira” e pare de ficar criando encrenca sem motivo, por causa de besteiras como essa. Basta você escrever outro e-mail para o professor, indicando sua turma, seu curso, o assunto do seu e-mail, nome e faculdade, que você já sabe que é um procedimento padrão da FALBE. Não custa nada e você evita ficar estressando os outros por causa dos seus erros.
¾ Hum...
¾ Além do mais, é você quem precisa dele. Não o contrário.
¾ É mesmo, né?
¾ É... Simples assim!
¾ Então, o que eu escrevo no novo e-mail?
¾ Uai, você é quem sabe o que você tinha conversado com ele no e-mail anterior, Rose...
¾ Ah, é verdade! Mas agora ele já sabe o assunto. Então, vou enviar um e-mail só para me identificar.
¾ Rose, de que adianta enviar um e-mail com identificação e sem conteúdo? Será que além de ter de adivinhar quem você é, ele tem de adivinhar o que você quer também?
¾ A-há-haa-haaaa! É mesmo! Então eu vou começar do zero. Vou anexar o arquivo outra vez, vou escrever o que eu quero falar com ele, e vou me identificar direito dessa vez.
¾ Sábia decisão. (Suspiro...)
¾ Ah, então tá bom! Depois eu te ligo, para te contar se deu certo.
¾ Tudo bem. Até mais, então...
¾ Até...
...
(Já desligando o telefone:)
¾ Oh, Senhor, multiplique em mim a virtude da paciência e o dom do amor, para que eu possa lidar com as “Roses da vida” todas as vezes que lhes encontrar.
(Deus, sussurrando em meu coração:)
¾ “Sim, pois agora você deve transmitir aos ouros da paciência e do amor com que Eu tenho lidado a cada instante com você.”
(Suspiro e contrição...)
¾ É verdade, meu Senhor. Tens toda razão... Amém.


* Siglas dos nomes de algumas faculdades e universidade de Brasília.
** Nome de uma escola pública renomada em Brasília.