domingo, 2 de dezembro de 2012

Dezembros...


A Bíblia em um ano:
Gálatas 1-4


Imagem: Google.

“[...] Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente. Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus. Todos nós que somos espiritualmente maduros devemos ter essa maneira de pensar. [...]
Filipenses 3.13-15


Então, é dezembro...


De todos os meses do ano, este é o que mais está carregado de melancolia para mim.

Lembra o nascimento do homem mais importante que já conheci – meu pai – e que se estivesse vivo completaria hoje (dia 2) 65 anos de idade. Morreu, porém, no dia 12 desse mesmo mês, no ano de 2006, vitimado de um câncer extremamente agressivo e de espécie rara, ainda incurável. Por isso, dezembros me lembram também a morte.

E dezembros me lembram de muitas das falhas que eu poderia ter evitado, fosse um pouco mais corajosa para enfrentar a vida, disposta para fazer sempre um pouco mais do que tenho feito. Tivesse essa maturidade e consciência mais cedo, certamente não teria sabido da notícia da morte do meu pai por um telegrama, e teria me esforçado mais para estar com ele desde a última vez que o vi, aos meus 19 anos.

[Não se preocupe, querido(a) leitor(a). Essa é a cicatriz de uma ferida imensa em minha alma que às vezes ainda me faz chorar, mas de emoção, não mais de amargura. Já me perdoei. E sei que Deus também.]

Mas não só por isso...

Dezembros também me lembram a maldita idolatria. Mais do que em qualquer outra data do ano vejo Jesus sendo trocado pela imagem de certo tipo de deus, um tal velhote de longas barbas brancas, bochechas rechonchudas e rosadas, usando um gorro e vestindo um uniforme vermelho com um cinto preto e largo em sua cintura roliça, sentado num trenó com henas voadoras destramente guiadas por suas mãos vestidas de luvas brancas. Sorridente, ele segue emitindo um sonoro e inconfundível “Ho-ho-ho!...”.

Embora seja uma festa de cunho cristão, o natal não faz de Jesus o centro de tudo. Ao contrário: frequentemente ouço comentários do tipo “Natal sem papai Noel não é natal...”. Mas sem Jesus, o verdadeiro e, na verdade, único motivo do Natal, é. Tranquilamente... Aliás, pouca, pouquíssima gente se lembra mesmo do Deus Menino no momento de estourar a champagne à meia noite ou de trocar os presentes entre si. Praticamente ninguém se lembra do motivo pelo qual Ele veio até nós.

Tudo bem. Concordo. Não se deve lembrar de Cristo somente na noite de Natal. Seria uma hipocrisia das maiores. Porém, pouca gente se lembra Dele nos outros dias do ano. No Natal então, pelo menos no Natal Dele, é uma data muito propícia para isso, não? E ocorre que nem mesmo em Seu aniversário Jesus é visto ou, pelo menos, lembrado como deveria.

Tudo bem, também. Concordo que 25 de dezembro não é a data verdadeira do Natal de Jesus. A Bíblia nos aponta que Seu nascimento aconteceu entre o final do mês de setembro e o início do mês de outubro (já estudamos sobre isso aqui). Mas já que foi instituída uma data simbólica em memória a esse evento, que possamos comemorá-lo focalizados no seu real fundamento.

Dezembros também me lembram de mim mesma. Quem fui no decorrer do ano, quem estou me preparando para ser no ano que vem. O que fiz e como fiz, e o que pretendo fazer. Cada Dezembro é uma ponte entre a estrada do passado e a do futuro. O parapeito na janela que separa a sala dos anos idos do imenso quintal onde os próximos anos serão vividos. Um espiral unindo a página já lida às boas surpresas, emoções e desencantos da página seguinte no grande livro da vida.

Dezembros, aqui em Brasília, são sempre chuvosos. Talvez apontando para esse momento de transição em que devemos descansar um pouco durante a chuva, pararmos para fazer um balanço da vida, compilar informações importantes que nos instruíram até aqui e incluí-las nas nossas projeções para o futuro, de forma a sempre guardarmos e reaproveitarmos o que os outros onze meses nos trouxeram de ensinamento.

Dezembros...

Quem me acode
à cabeça e ao coração
neste fim de ano,
entre alegria e dor?

Que sonho,
que mistério,
que oração?

Amor.

À exemplo de Jesus, que exalou o perfume do amor em tudo, bem poetizou Drummond sobre esse dom que todos nós precisamos para fazer de nossos dezembros uma chave que tranca o passado sem mágoas no seu devido lugar, e um ramalhete que recepciona com entusiasmo a próxima etapa da vida.