terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Em Belém...


A Bíblia em um ano:
2 João
3 João
Judas

Imagem: Presépio vivo. Disponível no Google.

 

“Você, Belém, da terra de Judá, de modo nenhum é a menor entre as principais cidades de Judá, pois de você sairá o Líder que guiará o Meu povo de Israel.”
Mateus 2.6


Jerusalém era a capital, o centro, o lugar do rei Herodes.

Belém? Bem, Belém era uma cidadezinha num canto qualquer do mapa de Judá.

A profecia já havia sido entregue ao mundo: Jesus nasceria em Belém (Miquéias 5.2; Mateus 2.6). Mas quando a estrela brilhou no Oriente, ninguém foi para Belém. Foram todos para Jerusalém.

Interessante, não?

Ninguém acreditava que havia um rei em Belém. Buscaram o Cristo em Jerusalém, na cidade do poder, das riquezas, do desenvolvimento. Não fazia sentido o Filho do Rei que deveria nascer príncipe e em vez disso já nasceria Rei também, nascer num lugar medíocre como Belém. Não Senhor! Não fazia sentido o Rei dos reis nascer em um lugar pobre, pequeno, insignificante como Belém. E mesmo que nascesse, certamente O levariam rapidamente para Jerusalém. Ali, obviamente, é lugar à altura de um rei. Certo?

Errado. Para os reis da terra, sim, faz todo sentido. Mas para o Deus que ama quebrar nossos protocolos e envergonhar nossos paradigmas, não. Jesus poderia nascer em qualquer lugar que continuaria sendo o Cristo.

E nasceu.
Lá, em Belém.
E não foi no centro, num confortável hotel, não. Foi no fundo de uma estalagem, bem no meio de bichos, um lugar desprezível para outras pessoas, mas não para o Deus do universo, que queria usar tudo isso como simbologia do que Ele realmente deve acontecer conosco.

Corações luxuosos, exaltados, inchados de tanta grandeza, não costumam abrigar o Rei. Não há lugar para Ele dentro dos hotéis onde se busca primordialmente o conforto. Em estrebarias, sim. Nos corações pequenos, apertados, sujos, reconhecidamente insuficientes, é que encontramos cochos preparados com feno para abrigar o Cristo.

Nesse nosso tempo, porém, quando nos referimos a Jesus, o que imediatamente se pode associar ao Seu nome é o bem estar, o conforto, o crescimento financeiro, prosperidade, não é? Ainda pensamos que devemos estar em Jerusalém. Ainda pensamos que Jesus está no luxo e na ostentação e vive para nos levar para lá. Ainda pensamos que Belém é desprezível demais para nós e para o Senhor e que só Jerusalém faz sentido.

Lutas, sofrimento, renúncia. Apertos, solidão, silêncio. Choro, inconformismo, não-aceitação. Medos, frustrações, desprezo. Coisas desse tipo não encantam, embora componham a cruz nossa de cada dia. Belém parece pequena demais, complicada demais, distante demais, e nós queremos coisas caras, fáceis, grandes, bonitas, como Jerusalém. Belém não nos atrai. Jesus não está lá nem escolhe Belém para nós. Nós devemos fazer como os magos, avistar a estrela de longe e seguir para Jerusalém, mesmo que a estrela não esteja lá.

Só que foi Belém que Ele escolheu, não Jerusalém. Pois o lugar mais confortável para Deus não é uma suíte presidencial no melhor hotel de luxo dentro de um coração, mas uma manjedoura de humildade, forrada com palha as palhas do quebrantamento e o lençol velho do amor. Parece pouco, mas é o melhor que se pode dar, e é sincero.

Portanto, não procure Jesus em Jerusalém, nem faça do seu coração um berço de ouro para Ele. Tenha a simplicidade de Belém, o interesse dos bichos, a humildade do berço, a dependência dos pais, e a prontidão do estábulo para abrir as portas da sua alma e receber o Senhor.

É nas “Beléns” que Ele nasce.
É ali que os interessados do mundo podem encontrá-Lo.
Pois é sobre Belém que brilha a Sua Estrela.
O lugar perfeito...