quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Feridas profundas


A Bíblia em um ano:
Colossenses 1-4


Imagem: Honra e Martírio. Disponível no Google.

Jogue ao mar meu coração ferido. O sal há de temperá-lo e os peixes hão de comê-lo, 
e o sofrimento se dispersará em onda.” (Lucas Shiomi)



“Ele cura os que têm o coração partido e trata dos seus ferimentos.”
Salmos 147.3


As feridas de um coração são profundas.

Não são como as feridas nos nossos joelhos, que conseguimos nos primeiros ensaios, quando nossos pais tiraram as rodinhas das nossas bicicletas. Essas podem ser tratadas com pomadas, iodo, mertiolate, soro. Mas nada disso serve para fazer assepsia nos arranhões provocados pelos infortúnios da vida.

Também não são como os cortes nas pontas dos nossos dedos, que conseguimos quando ainda desconhecíamos que facas não são brinquedos. Band-Aids geralmente protegem a umidade desses lugares, acelerando a cicatrização. Mas nunca inventaram um Band-Aid do tamanho das feridas em nossas almas.

Feridas num coração não são como os ossos deslocados que voltam para o lugar com um puxão do médico ou com uma moldura em gesso. Só as mãos de Deus, ao longo de um trabalho minucioso e extremamente delicado, são capazes de refazer a estrutura de um coração partido. E nem todo gesso do mundo é suficiente para imobilizar uma alma fraturada. 

Tampouco são como um osso quebrado, que possa ser religado com platina e pinos de aço. Pedaços de um coração não se juntam com pedaços de metal, mas com amor e paciência.

Poderia dizer que as profundezas das feridas em nosso ser parecem mais com o membro mutilado. Mas aqui também não cabe, pois não há prótese que substitua os pedaços arrancados de um coração.

Seu tratamento não acontece com chás. Nem mesmo com medicações homeopáticas ou alopatas. Nem ainda com os poderosos (e curiosos) xaropes caseiros. Não são terapias as responsáveis pela cura de um coração ferido. Pelo menos, não essas, convencionais.

Às vezes, um chá até serve... Um chá de tempo, adoçado com esperança, tomado vagarosamente, numa conversa confidencial e constante com Deus, é a receita infalível para a cura de um coração em dor. Doses alternadas de xarope de ânimo, comprimidos de otimismo e pastilhas de autoapreço, também ajudam.

Outras vezes, dependendo de qual for, terapia também serve. A terapia de um novo ambiente, uma nova amizade ou de um novo amor é que trará a cura por meio de providências divinas às nossas vidas. Mas só se associada ao uso de outras substâncias. Mudanças de hábito, quebras de rotina, sorrisos sinceros, atenção e compreensão, trocas de carinho, audição sem julgamentos, presença, palavras de consolo e incentivo, bons conselhos, são remédios poderosíssimos capazes de desinfeccionar as feridas da alma e tratá-las profundamente.

A verdade é que um coração ferido leva tempo para se curar. Mas o bálsamo muitas vezes está ao nosso alcance e nós mesmos podemos fazer uso dele. Seja o tempo, seja o próprio Deus, seja alguém que Ele escolheu para essa missão, é certo que seu uso será poderoso.

E as cicatrizes que ficarem depois, contarão para sempre de um tempo em que desventuras, de alguma forma, tentaram nos destruir, nos fazer fenecer, nos tirar de um plano supremo traçado por Deus. Mas Ele, bravamente esteve lutando por nós, e provando Sua fidelidade. 

E não permitiu que fôssemos vencidos.