segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Há(via) uma pedra no meio do caminho?

A Bíblia em um ano:
1Timóteo 1-3

Imagem: Google.

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados de acordo com o Seu propósito. [...] Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Romanos 8:28,38-39


O famoso poema de Carlos Drummond de Andrade ainda retine em nossas vidas:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra. [1]

E a curiosidade também retine: O que será que Drummond fez com a pedra em seu caminho?

Pergunta aparentemente tola, certamente, mas propícia, se considerando nossa maneira de lidar com pedras no meio dos nossos caminhos.

O que devemos fazer com as elas?

A partir do que outras pessoas fizeram, a Bíblia dá sugestões interessantes. Interessantes, preciosas e poderosas.

Nas mãos de Moisés, a pedra virou um banquinho em que ele sentou-se em meio à luta, como parte de uma estratégia sobrenatural para vencê-la (Êxodo 17:8-13).

Jacó a usou a pedra em seu caminho como travesseiro, sobre o qual apoiou sua cabeça, descansou e sonhou. Sonhou com o Céu, com anjos subindo e descendo por uma escada. E fortaleceu ainda mais a sua fé (Gênesis 28:10-19).

Josué fez das suas pedras um memorial, para lembrar – e ajudar as próximas gerações a se lembrarem também – da grandeza e da bondade do seu Senhor (Josué 3:5-17 e 4:12-9).

Samuel, em reconhecimento da graça imerecida que Deus derrama sobre nós, ergueu a sua pedra e expôs sua gratidão ao Senhor publicamente (1Samuel 7.12).

Para os conhecidos que removeram a pedra do túmulo de Lázaro, a pedra no caminho foi a oportunidade de servir a um defunto e abrir-lhe a passagem da morte para a vida (João 11:39-45).

A Bíblia conta também que a Pedra de Esquina, a pedra estrutural, o fundamento, a principal coluna de sustentação, é o Senhor Jesus. A Pedra, aqui, não foi usada por uma pessoa. Foi a própria Pessoa firmando no mundo a Sua vida como o marco fundamental das nossas (1Pedro 2:6-7).

Agora (comece a saltar de alegria), veja o que a Bíblia diz sobre nós mesmos: “À medida que se aproximam Dele, a Pedra Viva – rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para Ele – vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo” (1Pedro 2:4-5).

Uma ferramenta estratégica para vencer nossas batalhas.
Um apoio para descansarmos e exercitarmos a fé.
Um grande memorial da grandeza e bondade do Senhor.
Um referencial de gratidão ao Deus que tem cuidado bem de nós.
A presença do próprio Deus no meio de nós.
Nossas vidas em comunhão com Ele e apresentando-O ao mundo.
Nosso serviço em favor dos mortos espirituais do mundo.

Quantos motivos extraordinários pelos quais foram postas tantas pedras em nossos caminhos!...

Talvez a pedra no caminho de Drummond fosse os seus problemas de saúde. Talvez fosse o trauma da expulsão de um dos colégios em que estudou. Talvez fosse a morte de sua esposa ou a culpa do seu relacionamento extraconjugal, que durou 35 anos.

Não sabemos. Qualquer afirmativa acerca disso é mera especulação.

Mas de uma coisa sabemos: o verbo acerca da pedra no caminho do poeta está no passado. “Tinha” uma pedra, não tem mais. O obstáculo foi deixado para trás.

Muitas são as interpretações acerca deste poema, e eu realmente ainda não sei exatamente o que era ou o que Drummond fez para que “sua pedra” deixasse de estar lá. Mas nós já sabemos o que podemos fazer com as nossas.

Pois o que é inicialmente uma pedra de tropeço em nossos caminhos, na história de um homem com Deus torna-se uma ferramenta, uma oportunidade, uma motivação.


[1] No meio do caminho. Carlos Drummond de Andrade. In Memória Viva.