domingo, 30 de dezembro de 2012

Salmos


A Bíblia em um ano:
Apocalipse 16-18


Imagem: Google.

“Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, 
não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!
Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite.
É como árvore plantada à beira de águas correntes: 
Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. 
Tudo o que ele faz prosperará!
Não é o caso dos ímpios! São como palha que o vento leva.
Por isso os ímpios não resistirão no julgamento, 
nem os pecadores na comunidade dos justos.
Pois o Senhor aprova o caminho dos justos, 
mas o caminho dos ímpios leva à destruição!”
Salmo 1


No âmago da teologia do Saltério há a convicção de que o centro de gravidade da vida (do correto entendimento humano, da confiança, da esperança, do serviço, da moral, da adoração), da história e de toda a criação (céus e terra), é Deus (Yahweh, “o Senhor”).

Ele é o grande Rei sobre todos, Aquele a quem todas as coisas estão sujeitas. Ele criou todas as coisas e as preserva; são o manto de glória com que Deus Se vestiu. Uma vez que as ordenou, têm uma identidade “genuína” e bem-definida (em que não há caos). Como as conserva, são sustentadas e mantidas isentas de dissipação, confusão ou aniquilamento. Já que somente Ele é Deus soberano, estão governadas por uma só mão e mantidas a serviço de um só propósito divino. Debaixo do controle de Deus, a criação é um cosmo – uma totalidade global, ordeira e sistemática.

O que distinguimos como “natureza” e “história” tinha, para eles [os salmistas], um só Senhor, debaixo de cujo domínio todas as coisas cooperavam entre si. Por meio da criação, é demonstrada a glória majestosa do grande Rei. Ele é bom (sábio, justo, fiel, notadamente benevolente e misericordioso – e inspira confiança), e é grandioso (Seu conhecimento, pensamentos e obras vão além da compreensão humana – e inspira reverente temor). Seu governo bom e soberano demonstra que Ele é o Santo.

Como grande Rei, em virtude da criação e da eterna soberania absoluta, não tolerará, em última análise, nenhuma potência mundial que se opuser a Ele, que O negar ou O desconsiderar. Essa expectativa é, sem dúvida, a raiz da mais ampla visão que os salmistas tinham do futuro. Uma vez que o Senhor é o grande Rei, totalmente acima de qualquer desafio, Seu reino justo e pacífico se firmará, esmagando toda a oposição e purificando a criação de toda a rebelião contra Seu governo – tal será o fim da história.

Quanto ao grande Rei, de quem todas as criaturas dependem, Ele opõe-Se aos “soberbos”, aos que confiam em recursos próprios (e/ou nos deuses que projetaram para si) para concretizarem seu destino. São esses que exercem impiedosamente todo poder que possuem para obter riquezas, posição social e segurança mundana; são uma lei para si mesmos e exploram o próximo quanto querem. No Saltério, esse tipo de “soberba” é a raiz de todo o mal. Os que se entregaram a ela, embora talvez pareçam prosperar, experimentarão morte, no fim.

Os “humildes”, os “pobres e necessitados”, os que reconhecem que em tudo dependem do Senhor – nesses o Senhor Se deleita. Por isso, o “temor do Senhor” – a humilde confiança no Senhor e a obediência a Ele – é o “princípio” de toda a sabedoria (Salmos 111.10). Em última análise, os que O temerem herdarão a terra.

Nem sequer a morte pode impedir que contemplem a face de Deus.

[BÍBLIA de Estudos. Nova Versão Internacional. Introdução ao livro dos Salmos. Teologia. São Paulo: Ed. Vida, 2003. P. 869.]