terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sinergia

A Bíblia em um ano:
1Timóteo 4-6
Imagem: Google.


“Porém, cada um de nós recebeu um dom especial, de acordo com o que Cristo deu."  
  Efésios 4.7


Eu tenho um problema com a tecnologia.

Não sei exatamente o porquê mas, embora ela seja extraordinariamente necessária à minha vida (não consigo imaginar-me vivendo sem esse aparato tecnológico que calça o chão onde piso e produz toda a comida que me alimenta), eu não sei lidar com a tecnologia e, por algum motivo que ainda desconheço, sempre fico atrás de quase tudo que diz respeito a avanços tecnológicos.

Ao longo de vinte anos, desde que o celular chegou e já ultrapassou em número os duzentos milhões de pessoas que compõem a população brasileira, confesso que o máximo que aprendi até agora foi ligar e desligar meu aparelho. Vez em quando me arrisco a tirar uma foto com ele ou enviar uma mensagem de texto e, acredite: vez em quando eu erro tentando fazer isso. Recentemente fiz uma grande descoberta: Meus irmãos me ensinaram a colocar músicas no meu celular e reproduzi-las.

Por eu trabalhar com informática desde os 16 anos de idade (já correram vinte de lá para cá), pelo menos computador eu aprendi a operar muitíssimo bem, e até consegui acompanhar a evolução dos programas básicos do Office. Andei me aventurando a usar um editor de imagens também, e consegui fazer uma amizade legal com o Paint Shop Professional, mas ainda estou usando a versão 7. (Quem sabe, dia desses, enfrento o 8 ou o 10...) E também rolou um clima entre o Nero e eu. Ele tem me ajudado com edições de vídeos (que me ajudam muito no meu trabalho) e também de áudios.

Creio que o básico para sobreviver num mundo informatizado, eu consegui com esse kit de primeiros socorros virtuais. O mais interessante é que não gosto de computadores e, contudo, há dois anos tenho passado quase o dia inteiro na frente de um, tanto por causa do setor onde estou trabalhando, quanto pela intensidade de pesquisas que meu curso na faculdade exige.

Mas não se iluda a meu respeito. Não passo disso. (Portanto, não me venha pedir para eu configurar ou instalar cabos ou periféricos no seu computador, a não ser que queira correr o risco de vê-lo explodir na sua frente...)

Algumas pessoas já andaram me contando que tiveram revelações para que eu abrisse uma conta no Facebook. Com todo respeito à vontade dos meus irmãos em Cristo, mas eu realmente não tenho gosto, nem tempo e nem paciência para lidar com redes sociais. Portanto, não espere me encontrar no Facebook, ou no Orkut, ou no Twitter, ou em qualquer outra rede social, inclusive o MSN, porque esse eu até tinha, mas deletei o meu semana passada, tentando instalar um programa, usando toda essa habilidade de configuração de micro que eu definitivamente não tenho... (E não pretendo instalá-lo outra vez.)

Dia desses, me falaram sobre o Skipe. Fui saber do que se tratava. Achei interessante, embora eu seja avessa a câmeras ou a qualquer outro equipamento que permita outra pessoa captar minha imagem. Mas aceitei o desafio: instalei o Skipe no meu computador hoje. Só não sei se terei tempo para ele ou pessoas interessadas em usá-lo comigo (para conversas realmente necessárias, pois mesmo havendo uma porção de gente interessada em bater papo por essa espécie de videoconferência, eu admito que não gosto muito disso, também, não...).

Certo modo, sinto uma certa cobrança das pessoas por causa dessa minha incompatibilidade com certos recursos modernos. Parece que vejo escrito nas suas testas: “Estou decepcionado(a) com você!”, quando digo que não sou membro de nenhuma rede social. Ora, eu não gosto de postar fotos minhas na internet, mas não significa que eu não use uma máquina digital para tirá-las, vez em quando. Não tenho Facebook, Orkut, Twitter e nem outra coisa do gênero, mas lido bem com os caixas eletrônicos, não fico enganchada na escada rolante, e sei usar minha sanduicheira elétrica. Será que fazer parte de uma rede social torna alguém melhor do que isso?

Penso que o mundo está produzindo muito mais informações que podemos absorver. E quando alguém que (pensa que) sabe tudo se esbarra com alguém como eu – consciente da sua ignorância e limitações, e ávida por aprender sempre mais – esse alguém tende mesmo a ter uma grande decepção.

Dia desses, eu vi de novo essa supervalorização da efemeridade em detrimento de coisas realmente importantes no Evangelho de Lucas.  Era um sábado, e Jesus estava ensinando numa sinagoga. Então, chegou uma mulher que há 18 anos era doente por causa de um espírito mau que a encurvava e, assim, ela não conseguia se endireitar. Jesus, sempre atento às nossas necessidades e pronto a nos libertar, chamou-a e disse: “Mulher, você está curada. Aí, pôs as mãos sobre ela, e ela logo se endireitou e começou a louvar a Deus”.  (Lucas 13:10-13)

Mas a cura de alguém nos sábados incomodava os religiosos de plantão. Então, o chefe da sinagoga disse ao povo: “Há seis dias para trabalhar. Pois venham nesses dias para serem curados, mas, no sábado, não!” (Lucas 13:14)

Jesus, que está acima das nossas religiosidades, das nossas hipocrisias e das nossas efemeridades, logo respondeu: “Hipócritas! No sábado, qualquer um de vocês vai à estrebaria e desamarra o seu boi ou o seu jumento a fim de levá-lo para beber água. E agora está aqui uma descendente de Abraão que satanás prendeu durante dezoito anos. Por que é que no sábado ela não devia ficar livre dessa doença?” (Lucas 13:15-16)

Era só para cumprir a lei do sábado”, muitos deviam pensar como resposta, embora ninguém ousasse falar. Mas Jesus não era de seguir rituais nem tradições. Para Ele, era mais importante fazer o que é certo. Em vez de reproduzir os hábitos das multidões, Ele fez o que era necessário. E penso que esse seja o melhor exemplo a ser seguido por todos nós. Ninguém precisa ser um "maria-vai-com-as-outras" para ser aceito ou ter algum valor. Basta fazer o que está ao seu alcance. Basta assumir sua identidade. Simples assim...

Talvez eu não seja uma expert em novas tecnologias, nem mereça ser incluída entre os chamados okuteiros, twitteiros, facebookeiros, etc. e tal. Mas estou conseguindo me sair muito bem com o pouco conhecimento que tenho até aqui. É suficiente para realizar minhas atividades diárias e até me divertir um pouco. É suficiente também para manter um blog e escrever para quem gosta de ler sobre espiritualidade bíblica.

Ademais, existem muitas outras coisas que posso fazer com excelência que muitos internautas de carteirinha não conseguem fazer. É aquele caso: cada um no seu quadrado ou, antes, cada um com seu pedaço, e a gente se completa neste imenso quebra-cabeça chamado vida.

Assim caminha a humanidade...