quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um pavio que fumega na escuridão

A Bíblia em um ano:
Filipenses 1-4

By Elaine Cândida, com imagem do Google.

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.”
Hebreus 11.1


Ontem, um amigo me disse: “Deus, muitas vezes, Se cala e também deixa de nos dar sinais como respostas, simplesmente porque Ele já nos deu maturidade suficiente para entendermos o que está acontecendo e para acreditarmos que o que Ele já falou uma vez é verdade e vai se cumprir.”

E isso fez cócegas em minha alma. [É tão importante aprendemos a ouvir o Senhor falando pelos lábios dos Seus servos mais humildes!...]

Notícias como essa desmistificam em um ou dois minutos todo um universo de interrogações e dúvidas que nós criamos em dias, meses e anos até. Fazem-nos acreditar outra vez na fidelidade do Deus que jamais deixa Seus filhos frustrados. Abrem a janela da sala escura dos nossos corações entristecidos e permite à luz do sol entrar. [E assim podemos enxergar o quanto estamos sendo injustos para com Deus, duvidando e questionando, nos calando e afastando, sendo que nem a estas e nem a coisas semelhantes a estas Ele merece.]

Deus não investe à toa em Seus filhos. Todos os anos que Ele nos leva para o deserto, todo o tempo de provações e privações em que Ele suporta nosso choro e manifestos de insatisfação, tudo isso e toda a paciência, perdão, misericórdia, graça com que Ele lida conosco, têm porquês que caminham nas vias do Seu imenso amor e desembocam na multiplicação da nossa fé.

“Sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a Ele precisa crer que Ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-Lo melhor”, é o que nos diz a carta aos Hebreus (11.6). A fé é necessária em todo o nosso relacionamento com o Senhor. É ela que atravessa o abismo entre nós e Deus. Foi ela que trouxe Deus para mais perto de nós.

Contudo, a fé não é uma força inabalável que esmaga tristezas, expulsa dúvidas e exaure incertezas. Muitas vezes, ela é apenas um pavio que fumega na escuridão, na solidão, na solitude, esperando e esperando e esperando contra toda a razão. E quando é colocada na palma da mão de Jesus, tem de se contentar apenas com palavras e com a promessa que um dia brilhará radiante outra vez.

Na verdade, a fé, para quem está em Jesus, não existe para mover montanhas, mas para nos ajudar a subir até o alto delas. Também não está para quebrar cadeias, mas para promover em nós cantos de adoração às meias-noites da vida, e nos fazer suportar até o momento em que a vontade perfeita do Senhor seja realizada em nós e por nós.

Mas nós muitas vezes delimitamos a nossa fé com os muros dos nossos medos, da nossa insatisfação, da nossa incredulidade, da nossa própria lógica. E são precisamente essas coisas que nos impedem de ver as soluções que Deus tem para os nossos desafios. Quantas vezes desistimos justamente no ponto em que o Senhor ia provar a grandeza do Seu poder e a fortaleza do Seu amor por nós?

Lembremos, portanto, que um abalo da fé, um momento de dúvida, não mudará o plano de Deus para nós. Contudo, já temos maturidade suficiente para crer, mesmo quando parecer que não há mais nenhum sentido em esperar.

Quando mais sentimos nossa fé desafiada, certamente é esse o momento em que Deus está prestes a realizar uma grande obra em nossas vidas. E muitas vezes, Ele tem de fazer coisas que nos contrariam ou que não são compreendidas por nós, precisamente para depois enxergarmos o quanto Ele realmente é digno da nossa confiança.

Deus está calado?

Continuemos crendo e perseverando. As obras que Ele está realizando em silêncio certamente trarão respostas incríveis que falarão muito mais do que qualquer coisa que Ele possa nos dizer agora.