domingo, 23 de dezembro de 2012

Uma estante de ídolos


A Bíblia em um ano:
1João 1-2

Imagem: Google.

 

“Tu és o meu Deus, e eu Te louvarei; Tu és o meu Deus, e eu Te exaltarei.”
Salmos 118.28


Na prateleira de ídolos do nosso coração, podemos encontrar coisas interessantes...

Não, não... Não são necessariamente imagens, até porque nós acusamos muito os católicos por causa dos seus deuses, e seria uma vergonha para nós darmos meia volta e seguirmos pelo mesmo caminho, de forma tão explícita, não é mesmo?

Nossa idolatria é mais sutil. Então, preste atenção no que você pode encontrar na estante de ídolos do coração.

Logo na prateleira mais baixa, as coisas mais simples, que nós escolhemos com facilidade porque temos fácil acesso e trocamos com mais facilidade ainda. Tão corriqueiras são que nem parecem caracterizar idolatria, mas são. Estamos falando das pessoas. Das pequenas – em nosso redor, como os filhos, como as paixões – e das públicas mais distantes que nós escolhemos idolatrar, como cantores,  pregadores e líderes religiosos.

[Você já prestou atenção em como assuntos relacionados aos ídolos gospel rendem na internet e numa “roda de irmãos”? Já prestou atenção em como são defendidos com unhas e dentes pelos seus fãs, por motivos totalmente fora da razão bíblica, não pela defesa do Evangelho, mas em prol da defesa àquela pessoa? E você já prestou atenção em como nós temos facilidade de deixar de gostar/venerar quem nos ofende por algum motivo? Logo, logo, arranjamos outro(a) para ocupar o seu lugar...]

Passemos à segunda prateleira, pois nela, estão outros ídolos que frequentemente recebem mais da nossa atenção do que o Senhor que lhos entregou a nós. Falamos do nosso trabalho. Do secular e do ministerial. Trabalho e dedicação exagerados que nos tomam o tempo de culto ao Senhor, de meditação diária sobre a Sua Palavra, de oração. Ministério que muitas vezes é exercido mecanicamente, pelo simples cumprimento de uma obrigação ou pelo simples interesse de ser reconhecido no meio dos homens.

Próxima prateleira: já um pouco mais alto e mais difícil de acessar está o nosso apego ao dinheiro, ao que é material, ao conforto e ao que nos proporciona prazer carnal. Por causa desse apego, comumente nós passamos por cima de valores cristãos, mundanizamos nossos conceitos, banalizamos princípios caros, abrimos mão do temor ao Senhor, flertamos com o pecado, nos entregamos a aventuras, e até tentamos a Deus. Idolatria pura!

Numa prateleira, bem mais alta, está a nossa religiosidade. Oh, sim, esse ídolo é um dos maiores que temos. Ele tem uma saia bem longa e cabelos bem compridos que encobrem as prateleiras debaixo, e fazem o mundo pensar que somos santos mais santos que o próprio Deus.

Todas as regras que vemos ser quebradas por outros irmãos da fé nos dão o direito de excomungá-los em nome da santidade que pensamos ter. Todas as suas atitudes que reprovamos nos convencem que somos realmente mais puros e, por isso, decidimos quem tem o direito de entrar no Céu ou não. Os crentes de outras denominações são sempre amaldiçoados, segundo nosso legalismo tem nos ensinado. E isso não pode ser quebrado, porque segundo aprendemos [e não está na Bíblia] nós, que somos desta denominação, estamos sempre certos. Mais certos que o resto do mundo inteiro. Mais certos até que o próprio Deus, porque Ele ainda não arrancou o joio do meio do trigo. Nós, porém, já percebemos que há mais jeito para o joio. Então, já tomamos uma iniciativa, e temos banido do nosso meio qualquer um que contrarie as normas por aqui, ou que chegue cheio de pecados até nós.

E então, elevando nossos olhos calma, porém já envergonhadamente (...espero!), chegamos à última prateleira. Você pode vê-lo lá em cima, bem num cantinho, escondidinho mas sem aceitar ninguém mais à sua altura? Lá está o cabeça de tudo. O orgulho, o ego, o eu. Nosso orgulho pessoal, que não nos permite sermos corrigidos como merecíamos, nem transformados como deveríamos.

O orgulho. Ele é o véu que encobre todas essas outras coisas abaixo dele. Todas as coisas abaixo dele estão onde estão porque ele próprio não permite sejam removidas. Como um véu, adorna-lhes, não denuncia-lhes. Encobre-lhes e promove a certeza que todo o nosso comportamento idólatra está sempre certo.

Formar novos valores? Só se não contradizerem os que já temos por princípios, mesmo que estes sejam contrários à Palavra de Deus e aqueles sejam oriundos Dela.

Obter um novo caráter? De jeito nenhum. Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou morrer assim. [Mas deve saber que corre o risco de ir para o inferno assim, Gabriela...]

Apreender verdades? Só se massagearem nosso ego. Se o confrontarem, definitivamente não são verdades.

Estranho, mas real. A prateleira do nosso orgulho é a mais alta das que guardam nossos ídolos, porque ele é o mais difícil de ser tocado e tratado pelo Senhor. É difícil encontrar Deus em nossos corações, nessa estante de coisas importantes para nós, embora o Seu nome esteja sempre em nossos lábios.

Naqueles corações, onde o Senhor não pode ser identificado como o Rei assentado no trono dentro deles, Deus não é achado como o nosso Deus, a quem nós estamos louvando; o único Deus a quem estamos exaltando. Outros deuses, que não parecem deuses, estão ocupando o Seu lugar e em Seu lugar sendo louvados por nossas atitudes.

Pena seja assim, pois quando confrontados em provações e perseguições a que todo cristão está sujeito, nos corações que guardam uma prateleira de ídolos em vez de um altar de adoração ao Deus Eterno, fica difícil manter a fé e suportar as adversidades. Pois é igualmente difícil encontrar o Senhor para lhes suster.