sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Divina concentração


“Estás em volta de mim, por todos os lados, e me proteges com o Teu poder.”
Salmos 139.5


Imagem: Google.
Convenhamos, meu amigo Will...

Ir a um consultório médico não é o pior momento apenas de um homem sozinho. De algumas mulheres sozinhas também. [Nem todas – como eu – têm sempre “uma amiga floreando por perto, um carinho da mãe, daquela tia solteirona, da outra divorciada ou daquela amiga desiludida.”]

E fica ainda pior quando o médico nos encaminha à enfermaria, como fez comigo nesta manhã, para ganhar injeções. Confesso que não sei o que foi pior: ver a enfermeira preparando três seringas das maiores com três medicamentos diferentes para me aplicar em sequência, ou se foi vê-la fazendo isso batendo papo com as demais sobre os cabelos de não sei quem...

Cinco enfermeiros, atendendo a cinco pacientes. Tinha conversa de todo jeito, ali. O aplique dos cabelos da fulana da recepção do andar tal, o atraso na chegada da cicrana que fez atrasar também o trabalho da semana passada, o material que a beltrana não guardou no lugar certo e ninguém mais encontra...

Fiquei pensando no que eles estavam fazendo e em como estavam fazendo: Ministrando medicações para muitas pessoas ao mesmo tempo, com uma rapidez habilidade notável, mas com uma conversa que não condizia com concentração. [Ou será que conversavam tanto sobre outros assuntos para distrair e acalmar os pacientes que contemplavam tantas seringas e agulhas de todos os tamanhos, e se retorciam nas cadeiras cada vez que um enfermeiro saía detrás do balcão e vinha com uma cuba rim cheia daqueles instrumentos de tortura em nossa direção?]

O fato é que não posso deixar de comprar com o cuidado que o Senhor Deus tem por nós, Seus filhos, em todos os momentos. Ele não Se desconcentra, não Se descuida, não dá ousadia para papo furado com ninguém, trabalha sério nos Seus ofícios, é Deus zeloso. Nós é que pensamos que Ele nos esqueceu. Mas se isso acontecesse por um instante sequer, um segundo apenas, seria tempo suficiente que o mal precisa para nos destruir. E a vida terminaria para nós.

Quisera que todos os enfermeiros e médicos do mundo se parecessem mais com Deus. Alguns até nos lembram Ele. Principalmente quando os médicos estão sozinhos com seus pacientes num consultório, ouvindo seus lamentos, as confissões das suas dores, e dando-lhes orientações sobre como proceder em busca da cura.

Coisa maravilhosa ter Deus como o Médico das nossas vidas, o Senhor que deu aos médicos toda a ciência e intelectualidade de que são dotados. E o melhor de tudo é que Ele nunca erra, nem no diagnóstico, nem na prescrição medicamentosa.

Só à título de comentário, enquanto estive aguardando atendimento na recepção, li uma frase do Max Lucado sobre confissão, que tem tudo a ver com esse momento a sós com Deus, num lugar separado, abrindo-Lhe nossos corações sem reservas e expondo todas as dores das nossas almas:

Não podemos manter segredos diante de Deus. Confessar não é dizer a Deus o que fizemos. Ele já sabe. Confessar é simplesmente concordar com Deus, reconhecendo que nossos atos estavam errados. [...]
Como Deus pode curar o que negamos? Como Deus pode tocar o que cobrimos? Como podemos ter comunhão enquanto guardamos segredos? Como Deus pode nos dar perdão se não admitimos que somos culpados? [...]
Que implica a culpa, se não que sabemos distinguir o certo do errado, que queremos ser melhores do que somos, que sabemos que existe um país superior e que estamos no país inferior? Isto é culpa: um arrependimento saudável por ter dito uma coisa para Deus, e feito outra. A culpa é o terminal nervoso do coração. Ela nos puxa, para trás quando chegamos muito perto do fogo. “A tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende” (2Coríntios 7.10)”.
O sentimento de culpa não é uma tragédia. Não ter sentimento de culpa é.

[Max Lucado. Ouvindo Deus na tormenta. 21ª Ed. CPAD: Rio de Janeiro, 2012. Pág. 238-239.]

Ele sempre sabe o que está acontecendo, e sabe como nos tratar. Se nós Lhe permitimos, Ele cuidará de cada detalhe do que precisa ser tratado em nós. E Ele sempre estará atento a tudo o que está fazendo.

Espero que aqueles enfermeiros se esforcem para seguir sempre este exemplo.

E fica a dica: sempre que tivermos de voltar ao médico outra vez, façamos isso na companhia do nosso Senhor. E mesmo que ninguém mais nos acompanhe até o consultório, seja qual for o diagnóstico médico, nós não nos sentiremos mais sozinhos...